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Esportes

"Para o bem de todos", diz Maurren Maggi sobre adiamento da Olimpíada

Medalhista de ouro em 2008, atleta aposentada falou sobre o impacto do coronavírus no esporte e muito mais; confira

| ACidadeON/São Carlos

Maurren Maggi (Foto: Divulgação)
 

Após o anúncio do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a reportagem da CBN São Carlos conversou com a atleta aposentada Maurren Maggi sobre os impactos do novo coronavírus no mundo esportivo.  

Em 2008, a atleta de São Carlos marcou seu nome na história do atletismo feminino ao ganhar a medalha de ouro na prova de salto em distância nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.  

Pergunta: Qual a sua opinião sobre o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio?  

Resposta: Adiado por justa causa, para o bem de todos, da humanidade, dos atletas. Tinha que ser adiado mesmo, foi uma questão inusitada e correta. Demoraram muito tempo para tomar essa decisão.  

Os atletas estão em casa, não estão treinando corretamente, não seria justo.  

Em alguns lugares o pessoal tem muita chance de treinamentos de altíssimo nível, com uma estrutura maravilha. O Brasil ainda peca um pouquinho em estrutura e, com esse coronavírus a solta, ninguém merece.

Pergunta: Teria como manter a data?  

Resposta: Manter a data não teria como, porque tem muita gente ainda que está buscando o índice. Seria meio impossível de conseguir sem competição, porque vários países já pararam suas atividades. 

Pergunta: Quais recomendações que você passou para os atletas?  

Resposta: A recomendação na verdade foi feita pelo técnico. Ele havia acabado de voltar da China, onde ele treina uma equipe de saltos chinesa. Graças a Deus, deu tempo de ele chegar em Madri e voltar para o Brasil. Ele está tranquilo, está em casa, está ótimo. Isso faz um mês já.  

Ele viu tudo acontecendo lá e falou que foi terrível, que tinham que ter adiado há muito tempo.  

Os atletas estão conscientes, cada um treinando na sua casa. Nós cancelamos os treinamentos, porque precisamos visar o melhor para a gente mesmo, para fazer uma festa maravilha.  

Independente de festa maravilhosa, que é a Olimpíada, a gente tem que preservar a vida de todo mundo.  

Pergunta: Para o atleta, quanto essa pausa nas competições e treinamentos é prejudicial?  

Resposta: O maior ponto é em relação aos patrocinadores, grandes empresas investiram nos atletas para essa competição. 

Eu espero que tenha um tempo para poder prolongar a questão dos patrocínios para o ano que vem, porque os atletas dependem do patrocínio.  

Pergunta: Você acha que o Comitê Olímpico Brasileiro consegue sustentar esses atletas caso ocorra uma perda massiva de patrocinadores?  

Resposta: Sinceramente, eu espero que sim. Nosso comitê é grande, muito rico. Mas depende de patrocinadores também. 

Então eu já me coloquei a disposição, tenho falado com o pessoal do COB, para o que tiver que fazer para esse atletas não ficarem sem ganhar.   

Pergunta: Um ano de preparação é o suficiente?  

Resposta: É o suficiente, claro que é. A gente termina um ciclo em outubro, onde as competições param, e começa um outro ciclo para o próximo ano, que seria Mundial, Mundial Indoor e, no caso, a própria Olimpíada.  

Então, isso não afeta, não faz diferença nenhuma adiar por um ano. O atleta que pensou em aposentar esse ano, vai ter que adiar para o ano que vem.  

Pergunta: Após conhecer diversos países durante sua carreira, como é para você estar vendo tudo isso?  

Resposta: Eu estou pensando, na verdade, no Brasil hoje. Na Itália morreu muita gente, na China morreu muita gente, em vários lugares morreram muitas pessoas. Eu espero que isso não aconteça aqui.  

Eu estou fazendo a minha parte: estou trancada dentro de casa, com a minha filha e a mãe, meu pai está na casa dele aqui do lado.  

Ontem eu já lavei um tapete aqui na minha casa, faço um cômodo por vez. A gente tem que se ocupar, vai ler um livro, ver um filme. Ocupa a cabeça para você não pirar. Eu não tenho muito problema em ficar na minha casa, porque eu sempre fui muito caseira. Eu ligo para a toda a família todo dia para perguntar se está tudo bem.  

Eu fui buscar algumas coisas no supermercado com meu pai ontem e não tem gente na rua, tem um gato pingado ou outro. 

Estou muito feliz que o brasileiro está fazendo a parte dele. A gente reza para que essa pandemia saia logo daqui e a gente possa voltar a ter uma vida normal.  

Acho que o pior ainda está por vir, mas eu penso que, fazendo a nossa parte, dos males o menor. Tomara que as pessoas não sejam atingidas e que a gente saia dessa com muita alegria.  

São-carlense Maurren Maggi foi medalhista de ouro em 2008. 


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