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Política

Prefeituráveis divergem sobre adiamento das eleições municipais

Possibilidade ainda está sendo discutida no Congresso Nacional. A reportagem do ACidadeON ouviu os pré-candidatos de São Carlos; confira

| ACidadeON/São Carlos


Urna eleitoral

Com o Congresso Nacional discutindo o adiamento do primeiro turno das eleições municipais para 15 de novembro ou 6 de dezembro, o ACidade ON procurou os pré-candidatos ao cargo de prefeito de São Carlos para saber qual a opinião deles sobre o tema.  

Pelo calendário eleitoral, o primeiro turno das eleições ocorreria em 4 de outubro, e o segundo turno seria no dia 25 do mesmo mês.  

Questionado pela reportagem, o prefeito Airton Garcia (PSL) se mostrou indiferente em relação ao tema. "Isso é coisa de Brasília, não é nada feito aqui em São Carlos. A gente aqui em São Carlos é obrigado a acatar o que vem de Brasília, nós não temos influência nenhuma sobre isso. Vamos aguardar para ver o que vai acontecer. Não pensei sobre isso ainda. Para mim é indiferente. "  

O político também não quis relevar se vai ser candidato ou não a reeleição. "Vamos ver primeiro se eu vou estar vivo, está muito cedo para falar de política. A gente tem bastante coisa para fazer, falar de política agora é coisa de desocupado", afirmou Airton Garcia (PSL).  

Prefeito de São Carlos, Airton Garcia (PSB)
 

Para o vereador Leandro Guerreiro (Patriota), o ideal é que a data seja mantida. "A minha opinião pessoal, eu gostaria que não adiasse, gostaria que as eleições fossem esse ano, para que o povo possa estar limpando a classe ruim da política, tirando os ruins e colocando gente nova no cargo de prefeito e nos de vereadores", afirmou o pré-candidato do Patriota.  

O pré-candidato do Republicanos, Sergio Ferrão, disse que a população não está com cabeça para política diante da pandemia e acredita que o adiamento seria positivo. "Eu acho prudente, deveria sim ter um adiamento para a segunda quinzena de novembro ou para a primeira de dezembro. É um momento muito importante para São Carlos, até porque você vai escolher o próximo gestor para São Carlos para os próximos quatro anos", afirmou.  

Confira na íntegra o que disseram alguns dos pré-candidatos: 

Antonio Sasso. Foto: Divulgação/ Assessoria
   

ANTONIO SASSO (PODEMOS): Muito vem se falando a respeito da provável alteração na data das eleições, em função de toda esta situação de pandemia e dos reflexos que deve causar na campanha eleitoral de 2020.  

Porém, mais do que ser a favor ou contra a mudança nas datas, o importante é destacar a possibilidade de se poder dar ao eleitor uma oportunidade real de conhecer melhor todos os candidatos.  

Há nomes que já são conhecidos no cenário eleitoral, mas ao mesmo tempo há uma tendência já fortemente manifestada por grande parte do eleitorado, de renovar tudo para 2020.

Sob esse ponto de vista, o adiamento das eleições seria bem-vindo, para dar ao eleitor a chance de conhecer melhor os partidos, as propostas, os candidatos, principalmente conhecer aqueles sem passagens anteriores pela política e assim, poder fazer suas opções de maneira mais segura e mais assertiva.   

Vereador Chico Loco (PSB). Foto: Divulgação/ Câmara Municipal de São Carlos

CHICO LOCO (PSB): Eu acho que no momento da pandemia seria algo muito prudente o adiamento das eleições. O investimento feito nas eleições é muito grande, veja que o fundo partidário gira em torno de R$ 3 bilhões.

Esse dinheiro seria melhor investido na saúde, em um momento de tamanha dificuldade.

Temos que repensar e acho que seria bem sensata a atitude de transferir as eleições para daqui dois anos, em 2022.

Eu vejo com muito bons olhos o adiamento. É uma pena que não parece ser esse o caminho que nós temos hoje.

Espero que as pessoas mudem e passem a refletir melhor que nós estamos, nesse momento, pensando na preservação da vida, as eleições ficariam em segundo plano.   

Deonir Tofolo (Solidariedade). Foto: Divulgação


DEONIR TOFOLO (SOLIDARIEDADE): Na condição de pré-candidato a prefeito de São Carlos, eu entendo que seria prudente estabelecer um adiamento na data da eleição.  

A meu ver, o ideal seria fazer no mês de novembro e dezembro. Essa postergação ofereceria a oportunidade de os candidatos terem contato direto com a população porque é nesse contato que o candidato se compromete, assume compromissos e conhece os problemas dos eleitores-cidadãos de todas as regiões.  

Então acho salutar o adiamento, porém se mantiverem a data estou preparado para colocar minhas ideias e mudanças para a população como venho fazendo nestes últimos meses. Vamos aguardar a decisão das esferas competentes.    

Djalma Nery, pré-candidato pelo PSOL (Foto: Luã Viegas/ ACidade ON São Carlos)

DJAMA NERY (PSOL): Com relação ao possível adiamento das eleições, devido a pandemia do novo coronavírus, eu acho que a gente tem que fazer o que é mais seguro para as pessoas.

A vida da população vem em primeiro lugar. Eu acho positivo que o congresso debata esse tema, porque, de fato, o Brasil se encontra em uma curva ascendente do número de casos, contaminações e óbitos.

O Brasil já é o segundo país do mundo em número de casos, estamos próximos de 400 mil casos, 25 mil óbitos.

Em grande parte, devido a ações irresponsáveis do governo federal, que insiste em um negacionismo anticientífico e nada nos leva a crer que antes de outubro a situação vai estar de fato controlada.

Então acho interessante que a gente comece a debater isso. Claro que esse prazo não pode se estender indefinidamente, até porque isso geraria um debate constitucional de tempo dos mandatos, etc.

Então eu acho que nós devemos debater, com base em projeções científicas, qual seria o momento seguro para que as pessoas pudessem não só ir as ruas, mas também participar de atos de campanha e todo o processo democrático que envolve uma eleição.

Acho que essa eleição não pode estender para além desse ano, no máximo para novembro ou dezembro.

Se, de fato, a situação fugir muito ao controle, estender além disso. Eu acho que o ideal é que a gente acompanhe os casos cientificamente, faça uma opção segura, que o congresso possa debater isso.

Para que a gente também não estenda para muito além do ano que vem esse prazo, porque isso pode agravar uma crise política institucional que a gente está vivendo, desse estado de exceção.

A vida das pessoas em primeiro lugar, acredito que a gente deva cuidar muito bem da população e não colocar ninguém em uma situação insegura. 

Vereador Leandro Guerreiro (Patriota). Foto: ACidade ON São Carlos
 

LEANDRO GUERREIRO (PATRIOTA): Para mim tanto faz adiar as eleições, para mim pouco importa, eu vou continuar trabalhando do mesmo jeito, na mesma pegada que eu venho há anos.  

A minha opinião pessoal, eu gostaria que não adiasse, gostaria que as eleições fossem esse ano, para que o povo possa estar limpando a classe ruim da política, tirando os ruins e colocando gente nova no cargo de prefeito e nos de vereadores.      


Netto Donato (PSDB). Foto: Divulgação/ Assessoria

NETTO DONATO (PSDB): Nós estamos vivendo um momento muito delicado da história humana. O combate ao coronavírus é prioridade número um do mundo, não só do Brasil.  

Portanto, se houver necessidade, se assim os especialistas saúde entenderem, do adiamento das eleições, não há prejuízo algum para a democracia. O que nós precisamos pensar é que em primeiro lugar está a vida e assim que nós temos que agir.  

Certamente, durante uma campanha eleitoral, haverá muito contato físico, muitas reuniões, palestras e isso é algo totalmente inadequado no combate a esse vírus.   


Sergio Ferrão. Foto: Arquivo pessoal

SERGIO FERRÃO (REPUBLICANOS): Eu acho prudente, deveria sim ter um adiamento para a segunda quinzena de novembro ou para a primeira de dezembro.  

Acho que a população não está com cabeça para discutir política. É um momento muito importante para São Carlos, até porque você vai escolher o próximo gestor para São Carlos para os próximos quatro anos.  

Um erro agora pode comprometer ainda mais as finanças do município. São Carlos está em uma situação muito difícil, com um endividamento muito grande.  

Se o próximo gestor não fizer os cortes necessários, reformas necessárias, São Carlos terá um futuro muito difícil pela frente.  


  



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