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A aparente falta de estratégia como estratégia

O que temos hoje à frente da presidência da república não expressa intenção de destino ao País

| ACidadeON/Araraquara

As declarações de Bolsonaro quase sempre provocam confusões (Foto: Arquivo/ON)

Na história republicana brasileira três presidentes se destacaram: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso. Cada um deles realizou rupturas estruturais. As condições para a industrialização brasileira são criadas por Getúlio. Juscelino desenvolve a indústria automobilística e muda a capital federal. Fernando Henrique estabiliza a inflação e promove privatizações. Essas ações do passado têm reflexos até hoje. Cada um deles agiu com visão de futuro a conduzir suas ações. Pensaram o Brasil do amanhã como país forte, desenvolvido e socialmente justo.  

O que temos hoje à frente da presidência da república não expressa intenção de destino ao País. Não fala em futuro. Remete-se, sempre que pode, a um passado do qual quer se diferenciar. Além do mais, suas midiáticas intervenções diárias divulgam meras intrigas palacianas, promovem confusões ou desacordos e incentivam agressões. Não há neste governo federal agenda propositiva, somente reativa.  

Esse modo aparentemente errático de se comunicar não é, contudo, despido de intenções. Copiando o que outros fazem em outros países, a cada momento dispara a presidência declarações para criar um sentimento generalizado de desacordo. As mensagens afirmam que tudo está errado e precisa ser desarticulado ou revogado. Nessas comunicações um mundo novo e sem amarras sugere se avizinhar. Anuncia-se, sub-repticiamente, liberdade plena e absoluta, onde tudo pode e nada é exigido. A aparente utopia proposta é sedutora.  

Qual seria, porém, a forma de bem garantir um convívio social de liberdade absoluta? Somente se cada um de nós estivesse com todos os direitos garantidos, a saber: condições econômicas igualitárias, acesso pleno e irrestrito à educação, saúde, moradia, emprego e justiça em todas as suas formas. Além disso, teríamos que ter nossa sobrevida enquanto humanidade totalmente preservada. Para tal fim, a natureza que nos cerca não poderia ser ameaçada.  

Não há nenhum desses elementos contidos nas mensagens do atual governo. Ao que tudo indica nada de substantivo enquanto justiça social está sendo sugerido e, portanto, nenhum sinal dessa anunciação está sendo de fato articulado. O que temos então? Um paradoxal apelo à plena liberdade sem que essa venha a ser garantida de alguma forma.  

O que temos de verdade é o caos como estratégia. Destrua-se tudo o que foi antes estabelecido para que algo substitua. Qual será esse algo? Essa indefinição não sugere ser um bom caminho. Nações que assim se aventuraram viveram tragédias terríveis. Fome, guerras, pestes e mortes se fizeram presentes nos reinados absolutistas e nas ditaduras sanguinárias. Governos de desordem institucional se caracterizaram como sendo diferentes do que antes havia e afirmavam que bastava aos governados submeter-se passivamente aos governantes.  

Neste momento, como bons brasileiros que somos, confiamos no futuro. Sabemos que tudo passa, fica para trás e há renovação. Aqui estamos em um planeta de infinita beleza. Um evento com vida e de incríveis significados em um Universo magnífico. Com toda a força que a humanidade representa podemos confiar que não será mero agente tóxico que nos irá deter no caminho de futuro melhor.

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