Desafios frente ao racismo brasileiro

Nessa semana o Multipli_Cidade apresenta olhares a respeito da questão racial no Brasil

| ACidadeON/Araraquara -

Todo dia é dia de combate ao racismo!
Para essa semana o time do Multipli_Cidade apresenta os olhares do sociólogo e mestrando Claudemir Carlos Pereira (Laboratório de Política e Governo da UNESP) e do Secretário do Conselho Municipal de Combate à Discriminação e ao Racismo (COMCEDIR) e mestrando, Fábio Mahal da Silva Gonçalves, a respeito do racismo no Brasil e formas de combate.  

    "Os avanços da extrema-direita no mundo e os atuais meios de comunicação têm contribuído para a proliferação de novas ondas de discriminação e preconceito em diferentes países. Com isso, indivíduos de diversos segmentos sociais têm difundido ideias e percepções machistas, androcêntricas, xenófobas, misóginas, binárias, homofóbicas e racistas de maneira reiterada, desrespeitando princípios humanos básicos, que já haviam sido garantidos por diversas leis e acordos internacionais, mas que agora correm o risco de serem preteridos em nome da liberdade de expressão e de uma suposta defesa da soberania nacional. 
    Tal onda também chegou ao Brasil. Aqui, os conflitos têm sido acirrados pelos discursos proferidos por lideranças religiosas e políticas deslegitimando a produção científica de renomadas instituições de pesquisa e ensino do país, e também fomentando o ódio contra determinados segmentos da população, em particular, negros, indígenas etc.". Claudemir Pereira, sociólogo.  

    "Apesar da fragilidade da cultura política do Brasil, o país tem criado inúmeros dispositivos legais e políticas públicas para o combate ao racismo e à discriminação étnico-racial. A criação do Conselho Municipal de Combate à Discriminação e ao Racismo no município de Araraquara-SP e em outros lugares do país é um exemplo disso. Contudo, junto com tais dispositivos é importante que a população se reconheça como racista, o que não é um processo simples. Ainda que o racismo seja uma construção sócio-histórica, a decisão de ser racista é da esfera pessoal, destarte, fazer esta distinção e enfrentá-la, pode permitir não apenas o combate do processo de marginalização das populações negras e indígenas, mas também a superação de muitas assimetrias e fatores atuantes no processo de produção e reprodução de desigualdades que marcam profundamente a sociedade brasileira". Fábio Mahal, educador.