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O Setembro Amarelo, os espaços de formação e a valorização da vida

No mundo, o suicídio já é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos

| ACidadeON/Araraquara


 
Quanto vale a vida?  

     A valorização da vida é tema dessa semana no Multipli_Cidade. Os olhares a respeito do Setembro Amarelo e da necessidade de prevenirmos o suicídio na sociedade contemporânea são de dois pesquisadores do Laboratório de Política e Governo (UNESP): a Profa. Dra. Geovânia da Silva Toscano (UFPB) e do mestrando em ciência política, Tailon Rodrigues de Almeida (UFSCar). 

    "Em 11 de setembro de 2019 as aulas foram suspensas na UNESP de Araraquara/SP. Professores e alunos se interrogavam sobre o porquê daquela interrupção. A motivação relacionava-se ao "Setembro Amarelo" uma campanha internacional de prevenção ao suicídio. Na instituição, nada havia circulado sobre este fato social que nos remete a reflexão: qual o sentido das nossas vidas em meio as efervescentes mudanças no mundo contemporâneo? Em 12 de setembro, em diálogo com jovens do grêmio estudantil de uma escola pública, ouvimos a reivindicação do debate sobre o tema e, naquela ocasião, apontavam o bullying como um dos seus principais problemas. Esse, por sua vez, pode ser um pontapé para algo maior como o fato social suicídio, originado muitas vezes, pelo isolamento social, pela depressão, transtorno bipolar, pela ausência de diálogos. No Brasil, a campanha nasce em 2015 com a articulação do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. No país anualmente ocorrem 12 mil suicídios e no mundo chega a ser um milhão de pessoas, principalmente jovens. Talvez, as escolas, as universidades possam tomar para si o locus privilegiado da prática de formação em diálogo sobre esse problema ameaçador de nossa existência. Alicerçar a relação gestor-professor-aluno no exercício do pensamento, da argumentação, ensinar os pressupostos da tolerância, da compreensão, da convivência com o outro como necessários a valorização da vida com dignidade." Geovânia Toscano, educadora.   

    "No mundo, o suicídio já é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Há que se refletir sobre esse aumento vertiginoso e compreender as especificidades que incidem nessa faixa etária, entendendo o suicídio além da questão meramente individual. Ao individualizar o problema, geralmente caímos em visões preconceituosas que culpabilizam as vítimas e criam obstáculos à possibilidade de pensarmos em estratégias de prevenção. Em larga medida, o suicídio envolve questões complexas e multifacetadas que perpassam diversas dimensões da vida, vinculando-se ao contexto social. Segundo a OMS, 90% dos suicídios poderiam ser evitados a partir de redes de apoio coletivo em torno da vítima. Articulada a isso, a facilidade no acesso a armas aumenta o número de casos, visto que elas constituem uma das principais formas de tirar a própria vida. Atentar-se para os sinais individuais é fundamental, mas urge também tomar essa questão como pauta de uma agenda política de saúde coletiva e compromisso com a valorização das condições de vida. É preciso ter em mente que os suicídios acompanham quadros de esgarçamento do tecido social, e que corroboram para essa situação a falta de perspectiva e inseguranças sobre emprego, saúde, educação e cultura. A promoção da cultura é fundamental porque é nela que encontramos sentido e significado para a vida. O valor da vida está presente na cultura, não na retórica do armamentismo, da violência e do ódio irresponsavelmente difundidos por autoridades." Tailon Rodrigues, cientista social.  

 



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