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A pesquisa brasileira na berlinda: os cortes nas bolsas de pesquisa acadêmica

O Brasil acompanha, de forma ostensiva na mídia, os cortes nas bolsas de pesquisa das principais Universidades do país

| ACidadeON/Araraquara

 
Financiamento de pesquisas no país vive momento delicado
    Nessa semana o time do Multipli_Cidade apresenta os olhares das pesquisadoras do Laboratório de Política e Governo (UNESP), a Profa. Dra. Luciléia Colombo e a estudante Laura Pereira, a respeito dos cortes em bolsas de pesquisa no país e o impacto que isso traz para a ciência brasileira, confira:

    "O Brasil acompanha, de forma ostensiva na mídia, os cortes nas bolsas de pesquisa das principais Universidades do país. Em meio a tantas notícias sobre a temática, é preciso apontar a importância das agências de fomento, responsáveis pelo custeio de tais bolsas. A primeira, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foi criado em 1951 e atualmente é alocado junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC), com a incumbência de formular e executar políticas de ciência, tecnologia e inovação. Neste sentido, a missão do CNPq é "contribuir para o avanço das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional" (CNPq, 2019).   

    A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), também tem um protagonismo na concessão de bolsas de pesquisa; formalmente atrelada ao Ministério da Educação, foi criada no segundo governo Vargas, com a missão de promover pessoal capacitado para o desenvolvimento do país, vislumbrado para o período. Nascia, assim, sob a égide de um aperfeiçoamento de profissionais adequados para os desafios econômicos e sociais de então: "Em 1952, a CAPES iniciou oficialmente seus trabalhos, avaliando pedidos de auxílios e bolsas. (...) Em 1961, a CAPES passou à subordinação direta da Presidência da República e lá permaneceu até 1964, quando retornou à administração do Ministério da Educação e Cultura MEC , sob nova direção e na condição de Coordenação" (CAPES, 2019)." Luciléia Colombo, professora adjunta do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. 

   "Em 2018, as faculdades de Ciências Farmacêuticas (FCF), Ciências e Letras (FCL), Odontologia (FO) e o Instituto de Químicas, partes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ofereceram 10 cursos de graduação e atenderam, com isso, 4.844 estudantes. 652 novos profissionais saíram dessa universidade em 2018*. Na pós-graduação, 19 programas foram ofertados pela instituição, atendendo assim mais 1.938 estudantes. 

    Essa não é uma realidade exclusiva de Araraquara: toda cidade que abriga, hoje, uma universidade pública sabe o que é a periódica chegada de estudantes. São quase 7.000 pessoas que passam a viver e a movimentar a economia local, muitos graças à atuação na pesquisa e na extensão com o recebimento de bolsas. 

    A pesquisa acadêmica é parte constituinte de todas as ciências e áreas do conhecimento e os dados e rankings nacionais e internacionais** mostram que ela acontece, de maneira esmagadora, nas universidades públicas. Ela é responsável por grande parte dos avanços tecnocientíficos que contribuem para o desenvolvimento de uma nação, seja com inovações na saúde e na tecnologia, seja na compreensão, interpretação e explicação de fenômenos, problemas e processos sociais. 

   É preciso que estudantes, pesquisadores e, principalmente, a sociedade em geral passe a compreender o desenvolvimento da ciência no Brasil como um trabalho, tanto o trabalho que equivale à materialização do ser humano na natureza exterior quanto a atividade realizada mediante contrato e remuneração." Laura Pereira, pesquisadora e estudante de Ciências Sociais. 

*Anuário Estatístico 2019. Disponível em https://ape.unesp.br/anuario/.

**Um exemplo são os dados levantados pelo relatório Research in Brazil da Clarivate Analytics, disponível em https://www.capes.gov.br/images/stories/download/diversos/17012018-CAPES-InCitesReport-Final.pdf. 

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