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Justiça exclui parte da pena de cantor por matar judoca por óculos de sol em Araraquara

Blog Notícia do Dias acompanha o desfecho de casos que movimentam a polícia e a Justiça

| ACidadeON/Araraquara

A proposta do Blog Notícia do Dias é mostrar como andam as decisões judiciais atuais e também resgatar casos que tiveram repercussão, mas pouca gente sabe que fim deu. O desfecho deste caso de homicídio é um pedido que chegou até nós por um morador de Araraquara que acompanhava o réu quando ele era músico. A condenação a gente já sabia, a novidade é que a pena foi reduzida depois. Então, vamos nessa!

O crime aconteceu no dia 21 de maio de 2015, na Avenida Frei Luiz Santana, em Araraquara. Lembro bem da repercussão do caso, até porque assim como muita gente eu já tinha assistido a uma apresentação artística do homem que viria a ser réu neste processo. A vítima foi o judoca Pedro Rafael Gibelli, que tinha 23 anos e estava em frente a casa da mãe quando foi atingido por um tiro no peito. Morreu nos braços do irmão e da mãe. O motivo: os dois tinham se desentendido anteriormente em uma cachoeira de Motuca por causa de um óculos de sol.  

Crime foi em frente a casa da mãe de Pedro (Arquivo/Fernando Martins/Tribuna Araraquara)
O acusado, que confessou o crime na polícia e também durante o júri, era o cantor Saulo Roberto Daniel da Silva, que cantava rap e também se aventurava em shows variados. "Passei dias me remoendo por ter sido espancado, guardando ódio e rancor do Pedro, foi aí que criei coragem, comprei uma arma e decidi que iria fazer ele pagar pelo que me fez. Quando cheguei na casa dele, discutimos e novamente ele voltou a me ridicularizar. Depois que o primeiro disparo falhou, a raiva aumentou e atirei novamente", contou Saulo quando foi preso. } 

Saulo quando foi ouvido na DIG em 2016 (Arquivo/Tribuna Araraquara)
Em Araraquara, no dia 15 de setembro de 2016, depois de a Promotoria provar aos jurados que o crime fora cometido de maneira premeditada, ele foi condenado, em primeira instância, a quase 24 anos de prisão, sendo 20 anos pelo homicídio duplamente qualificado [motivo torpe e recurso que dificultou a defesa do ofendido] e mais três anos e nove meses pelo porte ilegal de arma. Mas, o advogado de defesa, Ariovaldo Moreira, recorreu da decisão.

Alegando que durante o julgamento não foi permitido mostrar vídeos disponíveis relativos ao cantor, disse ainda que o desentendimento teria sido iniciado por ofensas raciais. Em 6 de junho de 2017, o Tribunal de Justiça entendeu que a justificativa da defesa era interessante e a confissão de Saulo deveria ser compensada, por isso, na ocasião, reduziu-se a pena de homicídio de 20 para 14 anos [como pedia a defesa] e três anos no porte ilegal de arma. Ou seja, de 23 anos e 9 meses para 17 anos de reclusão. Saulo segue preso.


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