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A contratação de Robinho é um gol contra da nossa sociedade

Não à toa, o mundo da bola se indignou mais com a contratação de Thiago Neves pelo Sport, do que pela chegada de um atleta condenado por estupro

| ACidadeON/Araraquara

Robinho, condenado em primeira instância pela justiça italiana por violência sexual em grupo, foi contratado pelo Santos. (Foto: Divulgação/Santos FC)
 Em agosto desse ano, o Santos fez uma parceria com a Associação Fala Mulher, e com o apoio da Sono Quality, sua patrocinadora, lançou uma campanha que alertava sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo os dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, divulgados, na ocasião, pela equipe santista, a agressão contra as mulheres, dentro de suas próprias casas, aumentou em 50% no decurso da pandemia.  

No último sábado (11), o time anunciou a contratação de Robinho, condenado em primeira instância pela justiça italiana por violência sexual em grupo, com pena de nove anos de prisão, por estuprar, em 2013, junto com outros cinco homens, uma mulher de origem albanesa. A defesa do jogador entrou com recurso, mas é importante ressaltar que sua sentença não só relata a violência sexual, como também indica que Robinho e outro homem envolvido no crime ainda teriam, posteriormente, desdenhado da vítima e da própria violência que cometeram.

Como comprovam os fatos recentes, a luta do Santos contra o machismo nunca passou de bom-mocismo hipócrita.

Para muitos, repatriar Robinho se justifica por seu baixo salário, pelo possível retorno técnico que dará dentro de campo e porque entendem que o caso nada mais é do que um problema privado do jogador. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil teve mais de 66 mil casos de violência sexual em 2018, com uma média de 180 mulheres estupradas por dia (ou uma mulher estuprada a cada 11 minutos). Portanto, olhar para o estupro como um problema pessoal de quem cometeu o crime, só revela como na nossa sociedade e, principalmente, no futebol, a violência contra as mulheres é naturalizada. Não à toa, o mundo da bola se indignou mais com a contratação de Thiago Neves pelo Sport, do que pela chegada de um atleta condenado por estupro.

Todas as vezes que Robinho balançar as redes com a camisa do Santos, nós estaremos marcando (mais) um gol contra como sociedade.

VÁGNER MANCINI NO CORINTHIANS

"Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve", poderia ter dito o Gato Cheshire à direção corintiana, antes do clube definir Vágner Mancini como seu novo treinador. Com um trabalho abaixo do que vem sendo feito por Odair Hellmann no Fluminense, Rogério Ceni no Fortaleza e Guto Ferreira no Ceará, conquistando apenas cinco vitórias em 18 jogos com Atlético-GO, o técnico campeão da Copa do Brasil pelo Paulista em 2005 foi chamado para impedir que o Corinthians viva o seu segundo rebaixamento, mesmo que, atualmente, ele não seja sequer o melhor treinador entre as equipes medianas do Campeonato Brasileiro.

Com Mancini, o Corinthians tem como objetivo regressar ao estilo de jogo que caracterizou o clube nos últimos anos, acreditando que assim se livrará da Série B. Isso pode dar certo, mas dependerá de um cavalo de pau de altíssimo risco, porque é uma mudança abrupta levando em conta as características dos jogadores presentes no elenco.  

Por fim, a demanda dos treinadores brasileiros para trabalharem em clubes com planejamento se tornam palavras jogadas ao vento todas as vezes que um técnico abandona sua equipe no meio da temporada para assumir outro time no mesmo campeonato.

Nossos treinadores são parte da crise estrutural que nos impede de sair do lugar.

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