Aguarde...

O Palmeiras destruiu o melhor time da América do Sul

No xadrez que acontece dentro das quatro linhas, Abel Ferreira se comportou como um grão-mestre e Gabriel Menino foi sua rainha

| ACidadeON/Araraquara

Gabriel Menino se destacou na vitória do Palmeiras contra o River Plate, por 3 a 0. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Ontem (5), o Palmeiras fez o que nem mesmo o Flamengo de Jorge Jesus foi capaz de fazer. Na casa do Independiente, que carrega o mesmo nome da Copa Libertadores e recebia o River Plate como inquilino, o alviverde destruiu o melhor time da América.  

No xadrez que acontece dentro das quatro linhas, Abel Ferreira se comportou como um grão-mestre. Para neutralizar a amplitude do River Plate, com as descidas de Montiel e Casco, o treinador português estruturou o Palmeiras em um 5-4-1, posicionando Gabriel Menino como lateral-direito e transformando Marcos Rocha em terceiro zagueiro. Com a bola, o time alternava entre o 4-4-2 e o 4-3-3, segundo o comportamento de Gustavo Scarpa, localizado à esquerda no setor ofensivo. Nessa fase, Marcos Rocha voltava à sua posição de origem e, assim como Matías Viña, se mantinha postado na linha de defesa para impedir os contra-ataques do seu adversário.

Contudo, o treinador palmeirense acertou, principalmente, na intenção de jogo do seu time. Tendo em vista que a vida do River Plate está na sua marcação pressão em linha alta, o Palmeiras optou por fazer um jogo de ataque direto e com lançamentos longos. Com isso, Los Milionarios se viram impedidos de recuperar a bola ainda no ataque, mesmo que avançassem a marcação. Além disso, com a marcha sem bola dos jogadores do River Plate em direção à defesa do Palmeiras, um espaço se criava às costas de Pinola e Rojas poderia ser aproveitado por Rony, Gustavo Scarpa e Luiz Adriano. Assim o Palmeiras fez história.

Após as falhas de Armani e Rojas, que resultaram nos tentos de Rony e Luiz Adriano, o River Plate não soube suportar o peso emocional de uma derrota iminente, o que foi simbolizado pelo destempero de Carrascal, que tentou acertar um chute em Gabriel Menino após um lindo domínio de letra feito pela joia formada na Academia. Para fechar a conta e passar a régua, Viña concluiu, de cabeça, uma jogada ensaiada pelo Palmeiras em uma falta lateral. Os lances de bola parada são um esporte à parte e, com Abel Ferreira, o alviverde tem evoluído nessa modalidade.

Entretanto, ainda no início da peleja, o River Plate quase colocou o Palmeiras em maus lençóis. Quando posicionado no campo de defesa, o time palmeirense marcava os jogadores adversários com encaixes individuais, para desarmar quem recebesse a bola e iniciar um contra-ataque. Mas, quando se transforma o jogo em duelos individuais espalhados pelo campo, mais do que nunca, os jogadores precisam controlar o tempo de suas ações para que toda uma estrutura não seja desmontada por um erro individual. Esse foi o itinerário dos gols perdidos por Borré e Carrascal nos primeiros cinco minutos da partida, que poderiam ter mudado o enredo do confronto.

É a dosagem que define a diferença entre o veneno e o remédio, não a substância. Nesse sentido, a mesma estratégia que fez com que, hoje, todos estejam elogiando Abel Ferreira, também poderia ter resultado em dois gols para o River Plate.

Por fim, se Abel Ferreira foi um grão-mestre, Gabriel Menino transformou-se em rainha. Sua polivalência possibilitou que o plano palmeirense fosse executado com maestria.

Mais do ACidade ON