A decisão estadual será entre os melhores times paulistas

São Paulo e Palmeiras comprovaram que a primeira fase dos estaduais pode ser encarada como pré-temporada

| ACidadeON/Araraquara -

 

São Paulo e Palmeiras decidirão o Campeonato Paulista na quinta-feira (20) e no domingo (23). (Foto: Marcos Ribolli)

Duas equipes que pouparam seus jogadores na disputa do Campeonato Paulista estão na final da competição. É evidente que, no caso do Palmeiras, uma vitória do Novorizontino contra o Corinthians poderia ter mudado o destino do atual campeão da América. Um preço que valeria ser pago se a contrapartida fosse a classificação com duas rodadas de antecedência na Copa Libertadores, com a liderança garantida em um dos grupos mais difíceis do torneio. Disputar a final do Paulistão é um bônus.

Santos e Corinthians também alternavam os titulares e vivem situação oposta na temporada. O rodízio não assegura sucesso desportivo. Entretanto, no novo-normal pandêmico do nosso futebol, ele é condição para.

Assim, São Paulo e Palmeiras comprovaram que a primeira fase dos estaduais pode ser encarada como pré-temporada sem que isso incorra em queda de competitividade. Em 2021, o São Paulo fez 27 pontos; em 2020, foram 6 pontos a menos. O Palmeiras, nesse ano, precisou de 21 pontos para conquistar a classificação na última rodada; no ano passado, com 22 pontos, foi líder do seu grupo e se classificou antecipadamente. Essa é a principal lição dos clubes para quando o calendário for "normalizado".

No São Paulo, há um legado que contribuiu para o excelente início de temporada do time. Em primeiro lugar, a formação em Cotia, com Diego Costa, Rodrigo Freitas, Rodrigo Nestor, Luan, Lizeiro, Igor Gomes, Gabriel Sara, Welington, Talles, entre outros jovens, que estão jogando e são fundamentais para o bom futebol até aqui desempenhado. Em segundo lugar, está o trabalho controverso de Fernando Diniz.

Mesmo que seja rejeitado por parte dos torcedores, há uma herança bendita de Diniz. Os meninos, que jogam com Hernán Crespo, viraram titulares com o antigo treinador. Além disso, Crespo soube potencializar algumas características já presentes equipe, como o jogo de aproximação praticado pelos meio-campistas. 

No Palmeiras, há uma continuidade em relação ao que vinha sendo feito no ano passado. Sua melhor versão ainda está no contra-ataque e ataque rápido. O elenco multicampeão também foi mantido. Contudo, mudanças foram implementadas por um Abel Ferreira que tem se mostrado um dos treinadores mais hábeis para adaptar o jogo coletivo às características individuais dos jogadores.

Depois de perder duas finais consecutivas e flertar com uma "pseudo-crise", a nova forma palmeirense surgiu na goleada por 5 a 0 contra o Independiente Del Valle. Luiz Adriano como ponta de lança, Rony centralizado e atacando o espaço às costas da linha defensiva rival, Raphael Veiga deslocado para a direita e Patrick De Paula com liberdade para se movimentar. No momento defensivo, uma linha de 5 defensores controla a profundidade do adversário.

Em 2020, o mesmo aconteceu na Argentina, quando o melhor Palmeiras do ano passado se apresentou ao mundo dominando o River Plate, na partida de ida da semifinal da Libertadores.

Na decisão estadual, é legitimo confiar o favoritismo ao Palmeiras. O alviverde executa com mais competência o mesmo jogo que Racing (duas vezes) e Corinthians fizeram e pararam o São Paulo. Inclusive, essa será a partida mais difícil do tricolor paulista no ano. Para o Palmeiras, a recíproca pode ser verdadeira, mas Flamengo, Defensa y Justicia e Independiente Del Valle são desafios maiores do que os que foram enfrentados pelo São Paulo até o momento.

De qualquer modo, o verdadeiro compositor de destinos de uma final é o imponderável.