O xeque foi anunciado por Abel Ferreira na semana passada

No Allianz Parque, o Palmeiras foi, praticamente, o mesmo time que empatou no jogo de ida, por 1 a 1

| ACidadeON/Araraquara -

 

Abel Ferreira, treinador do Palmeiras. (Foto: Cesar Greco)

O Palmeiras nunca havia vencido o São Paulo na Copa Libertadores. A última vitória contra o tricolor paulista datava de outubro de 2019. Desde que Hernán Crespo assumiu o comando técnico do clube do Morumbi, o alviverde não sabia o que era derrotar o seu rival. Inclusive, em cinco confrontos, com a presença do argentino, o barbante defendido por Tiago Volpi foi balançado em uma única oportunidade. Tanto que o título estadual está guardado na galeria são-paulina.


Contudo, tabus existem para serem quebrados.

No Allianz Parque, o Palmeiras foi, praticamente, o mesmo time que empatou no jogo de ida, por 1 a 1. Na escalação, Wesley colocou Breno Lopes no banco de reservas. Em campo, a dinâmica coletiva se repetiu. No momento defensivo, o alviverde marcou com encaixes individuais, tornando cada jogador responsável por constranger um adversário. A pressão não acontecia, necessariamente, em linha alta, mas em situações que a saída de bola são-paulina apresentava qualquer tipo de desvantagem.

Com a bola, Renan foi mais zagueiro do que lateral-esquerdo. Pelo setor, quem ofereceu amplitude foi Wesley. Danilo e Zé Rafael foram volantes, Dudu jogou como meia-atacante e Raphael Veiga cumpriu a mesma função, mas deslocado pela direita. Rony atuou centralizado. O objetivo, desde o início, consistia em municiar os jogadores velozes e mais habilidosos para progredir com a bola em espaço aberto.

Até então, nada diferente do que vimos no Morumbi. Quem mudou, foi o time do São Paulo.

A linha de 4 defensores, usada contra o Palmeiras, no Campeonato Brasileiro e no primeiro encontro das quartas de final, deu lugar para a já tradicional linha de 3 zagueiros. Gabriel Sara pela esquerda e Daniel Alves pela direita, foram os alas. Luan, Liziero e Nestor compuseram o meio-campo, com Rigoni e Pablo no comando de ataque.

Sem a bola, a equipe se defendeu com uma linha de 5 defensores, com Sara e Daniel Alves recuando na mesma altura que os zagueiros, com a intenção de recusar espaços para os atacantes do Palmeiras. Portanto, uma resposta ao planejamento elaborado pelo alviverde no primeiro jogo. E que teria funcionado, se não fossem os sucessivos erros na saída de bola. Na fase ofensiva, encaixotado pela marcação palmeirense, cruzar a bola para a área foi o que sobrou.

A melhor versão do São Paulo apareceu na segunda etapa. Reorganizado no 4-3-3, Liziero foi primeiro volante, Sara e Nestor foram meio-campistas e Rigoni e Rojas, que entrou no lugar de Luan, posicionaram-se como pontas. Com dois jogadores abertos pelos lados, o tricolor paulista conseguiu atrair a marcação dos laterais palmeirenses, abrindo caminho para infiltrações. O gol perdido por Pablo ilustra essa dinâmica. Momento esse em que o São Paulo foi superior no jogo.

Mas, o Palmeiras redesenhou seu sistema de encaixes individuais e, não só conteve o ímpeto ofensivo do seu adversário, como também produziu um cenário mais favorável para os contra-ataques. A eliminatória foi sacramentada.

O São Paulo foi eliminado no jogo jogado, da mesma maneira que seu rival, outrora derrotado na final do Campeonato Paulista. Assim é o futebol. Tanto que, ao contrário do que possa parecer, nada de novo foi feito pelo treinador palmeirense em comparação com a primeira mão da eliminatória. Na semana passada, Breno Lopes perdeu duas chances. Ontem, a bola entrou.

Por isso, no xadrez de dentro das quatro linhas, o xeque foi anunciado por Abel Ferreira ainda na semana passada.