O planejamento tático do São Paulo para vencer o Palmeiras

A complexidade do jogo deve se sobrepor às falsas polêmicas sobre a data das partidas e a montagem de palcos para shows

| ACidadeON/Araraquara -

O atacante Calleri marcou dois gols na vitória do São Paulo por 3 a 1 contra o Palmeiras. (Foto: Marcello Zambrana/AGIF/Gazeta Press)

 

O planejamento tático do São Paulo para a primeira final contra o Palmeiras consistia, fundamentalmente, na elaboração de escapes que possibilitassem ao time fugir dos encaixes individuais característicos do jogo palmeirense. 

Com isso, enquanto Raphael Veiga perseguia Pablo Maia, Gustavo Scarpa acompanhava Rafinha, Dudu cuidava de Wellington e assim sucessivamente, o tricolor paulista dependia da participação ativa dos seus zagueiros no momento ofensivo. Esse movimento ficou evidente quando, com o placar ainda empatado, Diego Costa arrancou com a bola ao passo que Rafinha "fixou" a marcação de Gustavo Scarpa pela direita, criando um espaço que foi aproveitado pelo defensor do São Paulo. A bola circulou até chegar em Rodrigo Nestor, que aproveitou a lacuna que se abriu no meio-campo palmeirense para fazer uma inversão de jogo para Wellington, que cruzou para a finalização de Alisson no travessão.

O itinerário para o ataque são-paulino estava desenhado, considerando que Abel Ferreira escolheu por deixar os zagueiros do São Paulo livres, crendo que isso atrapalharia a produção ofensiva dos donos da casa e favoreceria os contra-ataques de seus comandados.

Outro mecanismo usado pelo São Paulo foram as bolas longas em direção a Calleri e Éder, que deslocavam os zagueiros palmeirenses e possibilitavam que o time escapasse dos momentos em que o Palmeiras pressionava a saída de bola.

Provavelmente, adaptações elaboradas em decorrência do primeiro encontro das equipes na temporada, quando a mobilidade do sistema ofensivo são-paulino não se fez suficiente para desorganizar a defesa alviverde.

Do lado palmeirense, ficou evidente que, sem Danilo, a equipe é outra coisa.

Na partida de volta, o Palmeiras precisará desenvolver um jogo em que os zagueiros do São Paulo fiquem desconfortáveis quando estiverem com a bola nos pés, o que sugere uma mudança no funcionamento de sua marcação pressão. Uma possibilidade, que reside no mundo das ideias e pode não se confirmar na crueza do jogo jogado, é uma reconfiguração do sistema defensivo, em que os laterais atuem mais próximos aos zagueiros, para marcarem os meio-campistas do São Paulo, os pontas sigam acompanhando os laterais e outros dois jogadores pressionem ativamente os defensores são-paulinos. Nesse cenário, um volante deveria marcar individualmente Pablo Maia.

Contudo, nas linhas de um texto, tudo sempre parecerá mais fácil do que realmente é.

A complexidade do jogo deve se sobrepor às falsas polêmicas sobre a data das partidas e a montagem de palcos para shows. Para além do teatro à parte protagonizado pela direção dos dois clubes, há futebol.