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Araraquara e região têm 8,8% dos casos de feminicídio de 2018 no Estado

Especialista em violência contra a mulher explica que o machismo, que é um dos principais fatores que levam ao feminicídio, é mais forte no interior

| ACidadeON/Araraquara

Hemilly Brenda Gonçalves de Oliveira e Camila Lourenço foram vítimas de feminicídio em Araraquara (Foto: Reprodução)
Pelo menos 8,8% dos casos de feminicídios registrados em 2018 no Estado de São Paulo ocorreram em Araraquara e região. Dos 112 casos 60,71% foram no interior, segundo dados da Secretária de Segurança Pública (SSP).

Os feminicídios são casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Geralmente são assassinadas pelos atuais ou ex-maridos, namorados ou companheiros. Na região foram seis casos no ano passado.
 
Isabel, mãe de Camila Lourenço, morta pelo ex-namorado (Fotos: Amanda Rocha)
Vítimas
Uma das vítimas de Araraquara foi Camila Lourenço, de 32 anos. Após cinco meses de namoro, dos quais dois morando juntos, ela começou a perceber que tinha algo errado com o comportamento do namorado.  

"Ela descobriu que ele tinha muito ciúmes e nós também descobrimos. Ela resolveu dar um tempo", diz a mãe de Camila, Isabel Cristina Lourenço.

Eles então passaram a morar em casas separadas e em abril, Camila foi morta por Antônio Marcos Bueno, de 35 anos, com 10 facadas na casa da mãe dele ao tentar terminar definitivamente o relacionamento. O agressor também feriu a mãe e a irmã dele, que tentaram ajudar Camila.

"Ela foi brutalmente assassinada e minha filha não teve chance nenhuma defesa, foi assassinada dentro do quarto. Ela deixou um vazio muito grande", lamenta a mãe.

Ainda no primeiro semestre de 2018 houve mais dois feminicídios em Araraquara, de uma adolescente de 14 anos e de uma mulher de 44 anos.

Em maio, o corpo de uma obstetriz de 27 anos foi encontrado pela Guarda Civil Municipal de Conchal na kitnet onde morava. Ela levou 16 golpes de faca do vizinho, com quem mantinha um relacionamento amoroso há cerca de um mês do crime.

Em outubro, uma balconista de 30 anos foi morta com um tiro na cabeça, em São Carlos, pelo ex-marido.

Em novembro, uma mulher de 48 anos foi morta pelo ex-marido em Araras.   

Machismo
A psicóloga Madeleine Marcelino, especialista em violência contra a mulher explica que o machismo, que é um dos principais fatores que levam ao feminicídio, é mais forte no interio

Também foram registradas 303 tentativas de feminicídio, 71% no interior do estado e 50.688 agressões, das quais 31.959 (63%) fora da região metropolitana.  

"A cultura de que a mulher é propriedade do marido, então a hora que ela quer sair para trabalhar ou na hora que ela quer sair do relacionamento, pode acabar gerando no homem a sensação de que ela não tem o direito de fazer isso e ocorrer violência, violência fatal", afirm.

A advogada criminalista Carla Missurino, alerta que é importante observar o comportamento do parceiro porque a violência contra a mulher acontece em ciclos, começando com crises de ciúmes e exclusão social e ganhando proporção com o tempo.

"Quando o homem percebe que começa a ver discussões e a mulher começa a responder e ele começa a perder esse poder no relacionamento, começam as agressões físicas. É importante que a mulher rompa o ciclo da violência, denuncie e no menor sinal saia disso, porque não tem volta", diz.

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