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Mercado Municipal: 60 anos e inúmeras histórias para contar

Com o tempo, o local foi se adequando, ganhou novos ares e um mix maior de produtos

| ACidadeON/Araraquara

Josué Eiras tem tabacaria desde a inauguração do Mercado Municipal (Foto: Amanda Rocha)
Entrar no Mercado Municipal de Araraquara é fazer uma viagem no tempo. Com arquitetura imponente e um ambiente repleto de lembranças com sabor de infância, o local completa neste dia 10 de maio 60 anos. Apesar de estar no grupo da terceira idade, o local segue muito longe de se aposentar.  

No período de sua construção, o Mercadão era referência para toda a região. Status que não se perdeu, mesmo com o surgimento dos supermercados, quitandas e shoppings.  

Com o tempo, o local foi se adequando, ganhou novos ares e um mix maior de produtos, mas sem deixar sua essência para trás. Repleto de lembranças de uma época que não volta mais, o local traz uma nova história a cada degrau percorrido da velha escada. Sim, a mesma que outrora já foi usada como parque de diversão pelos adultos de hoje.   

 
O velho e o novo
Logo na entrada do Mercadão, a antiga tabacaria ainda traz em suas prateleiras o fumo de corda, cachimbo e canivete, remontando uma época em que fumar era questão de estilo, um charme a mais para o período de ouro.  

A loja começou junto ao Mercado Municipal, quando não apenas o local, mas tudo era diferente. "O Mercadão foi o maior centro comercial da região. Ele abria das 6h às 18h e depois funcionava o atacado do lado de fora, pois não existia o Ceasa, tudo era aqui. Hoje são poucos os Mercadões que mantém as verduras. Os produtos estão bem mais variados", explica Josué Eiras, que trabalha no local desde sua inauguração, em 10 de maio de 1959. Ele começou ajudando seu tio, aos 16 anos.  

Seo Josué viu de perto as mudanças da cidade, a construção da antiga rodoviária (atual Terminal Central de Integração) e o desenvolvimento do comércio. Mudanças que foram sendo acompanhadas pelo antigo  
Mercadão.  

Assim como os demais comerciantes, teve que se adaptar aos novos tempos e o tradicional fumo passou a dividir espaço com outros produtos do cotidiano, como sombrinhas e relógios.  
 
Eduardo vende produtos do norte há 20 anos no Mercadão (Foto: Amanda Rocha)
Adaptação
Para a comerciante Deolinda Rosa Mistieri, adaptar-se a nova geração foi a palavra chave para seguir no Mercadão por mais de 40 anos.  

"Quando era criança, meu pai morava em sítio e ele tinha uma barraca de frutas. Começamos aqui vendendo essas frutas quando eu tinha 13 anos. Depois de 20 anos nós acabamos partindo para a área de chapéus, botas e cintos, pois na cidade começaram a surgir os supermercados e quitandas. O Mercadão era um marco para a cidade, mas ultimamente ele vem sendo esquecido. Ele é uma tradição para Araraquara e para as cidades da nossa região. E nós queremos que ele continue vivo. Eu só saio daqui quando decidir parar mesmo, pois o público desse espaço é o mais fiel", destaca.

Cliente fiel como o caminhoneiro Mario Pinheiro da Silva, que há anos faz suas compras no local. Para ele, o Mercadão é um ponto de encontro importante. "É um ambiente muito bom, saudável, não tem briga. Eu gosto de chapéu e bota, gosto desse estilo country e aqui eu acho tudo isso. Além disso, vou no bar ali da frente, que batizamos como o Bar dos Amigos, pois lá encontro outros motoristas e ficamos batendo papo", ressalta.  
 
O motorista Mário é frequentador assíduo e sempre se encontra com amigos (Foto: Amanda Rocha)
Novas apostas
Mas não são apenas os antigos comerciantes que se sentem atraídos pelo Mercadão. Eduardo Augusto Bandeira veio do Paraná para morar em Araraquara com a esposa. Então decidiu apostar no local e hoje está longe de se arrepender. "Faz 20 anos que estou aqui. Era uma banca desativada do meu sogro e o primo dela me deu a ideia de colocar produtos nordestinos. Eu não conhecia muito sobre o assunto, mas fui conhecendo e trazendo para a loja. Graças a Deus teve muita aceitação, pois aqui na região tem muito nordestino e acabou dando certo. O tipo de mercadoria que eu trabalho e o público que eu atendo só da certo aqui. Em outro lugar não daria certo não", diz Bandeira.   

Mercadão Municipal completa 60 anos (Foto: Amanda Rocha)
História
O Mercado Municipal começou a ser construído em 1951 e foi inaugurado em 1959, no último ano do primeiro mandato do Governo de Rômulo Lupo. A ideia da construção do Mercadão era fomentar o comércio tanto em Araraquara e em toda a região. O historiador Rodolpho Telarolli, em um de seus textos sobre o local, conta que no começo era predominante a venda de hortifrútis, já que boa parte dos feirantes da cidade transferiu seus negócios para o local, que prometia ser um estrondo no setor.  

"Até então, desde os anos 30, a cidade era abastecida em frutas, legumes e verduras por duas tradicionais feiras que eram muito movimentadas. Mas, quando conclui o Mercado Municipal, Rômulo (o então prefeito Rômulo Lupo) proibiu as feiras tradicionais para forçar o movimento no mercado. Uma outra medida adota para forçar o público ir ao mercado foi estabelecer que a taxa de água deveria ser paga mensalmente em um box do mercado...Assim, todos os moradores das cerca de 13 mil casas que existiam na cidade eram forçadas a irem ao mercado pelo menos uma vez por mês", diz o texto do historiador.   





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