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Cachaça Premium produzida em Américo Brasiliense ganha o mundo

Conheça sobre a bebida da cidade Doçura que é exportada para França, Alemanha e Canadá

| ACidadeON/Araraquara


"O brasileiro mudou a percepção da cachaça, porque antigamente a gente brincava que era a bebida daquele cara que trabalhava o dia inteiro e queria dar uma relaxada no final do dia, mas não queria saber o gosto da cachaça, queria simplesmente beber. Hoje não, as pessoas degustam, fazem coquetéis, a coquetelaria da cachaça está em alta". 

A fala é do produtor de cachaça Carlos Alberto de Barros Mattos que é responsável por envazar ao ano 50 mil litros da bebida tipicamente brasileira na cidade de Américo Brasiliense. Na fazenda Santa Rufina, às margens da rodovia Antonio Machado Sant'anna (SP-255), no km 60,5, o produto premium recebe tratamento especial, sendo supervisionado desde o plantio da cana, até o envelhecimento da bebida em tonéis de Castanheira e Carvalho Americano. 

"Tipo de cachaça é só uma, porque é um produto de origem brasileira, mas o que hoje muda são as madeiras de envelhecimento. A gente tem por lei as madeiras que vão desde Jequitibá, Carvalho, Castanheira, Ararubá e assim vai. São algumas madeiras que o Ministério da Agricultura autorizou usar, porque se usar madeiras que não tem certificação você não sabe o que vai extrair, porque às vezes tem uma resina que pode fazer mal a saúde ou alguma coisa assim", explica.  

Carlos Motta é o produtor da cachaça Sebastiana, em Américo Brasiliense. (Foto: Amanda Rocha/ACidade ON)

A cachaça produzida na Santa Rufina é distribuída em todo o Brasil, mas é no exterior onde faz maior sucesso. Atualmente a Sebastiana, em suas três versões, é distribuída também em países como França, Alemanha e no Canadá, onde o produto é comprado pelo próprio governo e depois distribuído conforme as regras vigentes no País.  

"Começamos a mandar para alguns prêmios fora do Brasil. Pesquisamos, descobrimos quais eram os mais importantes e onde as grandes marcas mandavam e também enviamos. Em 2015 conseguimos em São Francisco e Nova Iorque as medalhas de ouro. Em 2016 mais uma vez São Francisco foi ouro duplo e Best In, que é a melhor do evento. Em Miami também medalha de ouro. A gente tem procurado fazer um produto que seja realmente bom. E uma das formas de certificar que ele é bom é participando de concursos", afirma.  

Cachaça Premium fica ao menos um ano envelhecendo no barril e passa por criteriosa análise. (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Anuário da Cachaça Brasil 2019, ao todo são 951 produtores de cachaça em todo o País. O levantamento aponta que a bebida é produzida em mais de 800 municípios brasileiros, sendo a região Sudeste dona do maior número de registros, considerado fundamental por Carlos Mattos. 

"Tem muitos alambiques pela região que não tem registro do MAPA e se não tem o registro é porque alguma coisa errada tem. Ou o processo de fermentação ainda é aberto e não tem proteção de telas, não tem a parte de controle de saneamento, controle de qualidade e isso acaba trazendo alguns componentes que não fazem bem a saúde. Alguns componentes podem causar cegueira, tem problema de cirrose, enfim, são diversos os problemas que podem ser causados pela cachaça ilegal", disse.  

A Sebastiana
Com origem familiar, desde a década de 1960, na cidade de Ibaté, região de São Carlos, a cachaça era inicialmente chamada de Perna de Moça. Mais tarde, após estudar o mercado e os modelos de fermentação, a produção passou para a fazenda Santa Rufina, em Américo Brasiliense. Carlos Mattos explica o porque do nome Sebastiana, referência na região em cachaças premium. 

"Um dia passaram na venda que tinha na fazenda, na Colônia e perguntaram se a cachaça era tão boa quanto às pernas da mulher que estava vendendo. Essa mulher era esposa do mestre alambiqueiro, então deu uma confusão bastante grande. E no final das contas meu tio que produzia naquela época pegou carona e fez uma cachaça chamada "Perna de Moça". Quando a gente retomou o processo, que foi aqui nessa fazenda, fui pesquisar com meu tio como é que era a história, o que é que aconteceu naquela época e ele veio me dizer que o nome dessa moça era Sebastiana", conta.   

Ao ano o alambique Santa Rufina envaza 50 mil litros de cachaça premium. (Foto: Amanda Rocha/ACidade ON)

Classificações da bebida
Pelo anuário da cachaça do Ministério da Agricultura são cinco classificações da bebida no País, sendo elas a Cachaça, Cachaça Adoçada, Cachaça Envelhecida, Cachaça Premium e Cachaça Extra Premium. A diferença entre elas está no tempo de envelhecimento, teor alcoólico, madeira onde ela fica armazenada e se há ou não mistura com bebidas armazenadas em menor período. 

"A cachaça é o destilado alcoólico do mosto fermentado da cana de açúcar, entre 38 e 48% de álcool. Junto com isso vem à parte de envelhecimento onde diz que a cachaça envelhecida é aquela que ficou por pelo menos um ano no barril de até 700 litros e é misturada em 50% com uma cachaça não envelhecida. A Cachaça Premium fica um ano no barril até 700 litros e é 100% o líquido que estava dentro daquele barril pra ser chamada de Premium e três anos ou mais é Extra Premium", explica.

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