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Fotografa realiza ensaios gratuitos para crianças com síndrome de down e autismo

O objetivo do projeto é mostrar o amor além da deficiência, confira algumas fotos

| ACidadeON/Araraquara

O jeitinho de falar, andar e de expressar pode parecer diferente aos olhos de algumas pessoas, mas o amor não vê cara, e se faz presente no olhar de cada criança.  

Buscando mostrar além daquilo que os olhos podem enxergar, a fotógrafa Bruna Rapatoni Santana deu início ao projeto Sentir e Amar, realizando ensaios fotográficos gratuitos para os portadores da síndrome de down e autismo.  

"Tenho uma prima de dois anos que foi diagnosticada com autismo e ela é uma verdadeira princesa. Eu a enxergo além da deficiência e é isso que busco passar para as outras pessoas por meio das minhas fotografias. Gostaria que mais pessoas pudessem ter esse olhar, pois, para mim, o que as tornam especiais são exatamente as diferenças", explica. 

Bruna é formada em sistema da informação, trabalha com tecnologia e fotografia. Ela conta que a sempre foi apaixonada por foto desde a adolescência, quando ganhou seu primeiro celular com câmera.  

Amor pela fotografia
"A fotografia sempre foi algo que gosto muito. Sempre gostei. Na minha adolescência procurei cursos para me especializar, aqui em Araraquara, mas não encontrei. Fui para a faculdade, fiz pós-graduação e mesmo depois de seis longos anos, o meu interesse pela fotografia se manteve. Procurei cursos na região e encontrei. Até agora foram quatro cursos, todos presenciais". 

Há dois anos, Bruna passou a trabalhar fotografando crianças e neste ano, depois de meses pensando tirou o projeto "Sentir e Amar" do papel. O objetivo é sensibilizar a sociedade sobre a síndrome de down e o autismo, além de promover a inclusão dessas crianças, segundo a idealizadora do projeto.  

Os pais de Antônio mantém uma conta no Instagram para mostrar a evolução do filho (Foto: Bruna Santana)
Ensaios
Desde janeiro, Bruna fotografou seis crianças com down e duas com autismo. De acordo com ela, durante as sessões, foi possível perceber que as dificuldades encontradas para fotografar crianças especiais são exatamente as mesmas de qualquer outra criança. "Outro ponto que também me chamou a atenção foi o amor, carinho e cuidado que os pais têm com as crianças. É algo extremamente especial", destaca. 

Pureza
Entre os fotografados pelo projeto está o pequeno Antônio, de dois anos. De acordo com a mãe, Sabrina Pano, de 39 anos, essa é uma causa muito nobre e que ajuda na conscientização das pessoas. "Não costumo ver projetos voltados para crianças com síndrome de down ou autismo. O Sentir e Amar mostra que as crianças não têm nada de diferente e isso auxilia na inclusão, mostrando o que há de mais lindo e puro na criança que tem a síndrome. É uma pureza, um amor". 

A descoberta
Sabrina conta que quando descobriu que o filho tinha down foi estranho, pois ao longo da gravidez chegou a ter diversos diagnósticos até descobrir que era a síndrome.  

"Para mim foi um alívio saber que era síndrome de down, pois tive outro diagnóstico que apontava anomalias e que viveria no máximo até um ano de idade. Tudo que eu ouvia era que meu filho ia vegetar e morrer, porque ele apresentava um inchaço muito grande por todo o corpo, era um edema generalizado. Fui a fundo, fiz exames em Ribeirão Preto, até conseguir o contato de um geneticista de Campinas e lá eu fiz a amniocentese [retirada do liquido da placenta] para saber o que está acontecendo. O exame apontou que era trissomia do 21 e foi ai que eu respirei, pois diante de tudo que eu ouvi, a síndrome de down não era nada e me senti aliviada". 
Antônio ganhou uma conta no Instagram  (Reprodução Instagram)
A mãe do pequeno Antônio conta que ficou com medo de não saber lidar com o filho especial, mas que aos poucos pode perceber que ele é uma criança normal. "Ele apenas demora um pouco mais para fazer as coisas, mas é uma criança muito ativa e muito esperta. Hoje tenho medo de lidar com o preconceito, principalmente quando começar a frequentar a escola, mas graças a Deus, até agora ele está sendo muito bajulado por todos", afirma.  

Sabrina foi além dos ensaios fotográficos e decidiu mostrar todo o desenvolvimento do filho por meio de uma conta no Instagram [@tonypp21], com fotos dele comendo, brincando, engatinhando e realizando outras atividades do dia-a-dia, como qualquer outra criança.   

Os pais de Nicole descobriram um cromossomo a mais de amor quando ela tinha dois meses (Foto: Bruna Santana)
Um cromossomo a mais de amor
A administradora Bruna Ribeiro Sikelero, de 28 anos, conta que não acreditou ao saber do diagnóstico da filha, afinal, durante todo o pré-natal nenhum exame apontava alteração. Apenas dois meses depois, Bruna descobriu que a filha Nicole, hoje com oito anos, tinha um cromossomo a mais de amor.  

"Em um primeiro momento não quis acreditar, mas depois, junto com meu marido, decidimos que mais do que nunca nossa filha precisava de nós e dos nossos cuidados. Desde então, procuramos tratar ela da maneira mais normal possível e sempre buscando ajudar onde ela tem mais dificuldade. A Nicole já fez terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudióloga e, por conviver com seus irmãos, ela tem se desenvolvido muito bem", explica a mãe.  

Quebrando paradigmas
Bruna explica que costuma participar de projetos que valorizam as crianças especiais e que buscam quebrar o tabu do preconceito.
"Sempre participo de projetos que demostram preocupação em passar informações para pessoas e fazer conhecer o dia a dia de pessoas especiais. O preconceito surge devido à falta de informação por parte dessas pessoas e por isso, projetos como o Sentir e amar são importantes", ressalta. 

Para participar
Os interessados em participar do projeto devem entrar em contato com a Bruna por meio do telefone 997613784 ou pela página no Faceboook - https://m.facebook.com/brusantanafotografia/

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