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Clima quente: coronavírus pode ser transmitido pela água do mar ou piscina?

Infectologista da Unicamp explica que não há estudos que apontem riscos de transmissão pela água, mas que aglomeração é um problema

| ACidadeON Campinas

Piscinas são lugares seguros por causa da quantidade de desinfetantes (Foto: Código 19/Arquivo)

Com a retomada do clima mais quente e férias de fim de ano, é comum que as pessoas procurem por opções de lazer mais refrescantes, tais como passeio em praias, piscinas, rios e lagos. E, em cenário de pandemia, ainda há certo temor do público quanto aos riscos de transmissão do vírus pela água desses lugares.  

A estudante Rebeca Queiroz relata que todas as férias ela e a família costumam viajar para lugares com praia. No entanto, os planos para esse ano sofreram mudanças, pois, tanto ela quanto os pais - que pertencem ao grupo de risco para a doença - temem a transmissão do novo coronavírus.  

"Eu tenho tomado todas as medidas necessárias, não só por mim, mas por meus pais também. A praia já é uma tradição em nossa família, e além do medo do vírus circular pela água, nós temos visto que muitas pessoas têm ido para lá, então as chances de aglomeração é grande. Não dá para arriscar", enfatiza.  

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS?
 
Um relatório, divulgado em maio deste ano por pesquisadores espanhóis do CSIC (Conselho Superior de Investigações Científicas), destaca que a transmissão do coronavírus pela água é pouco provável. Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, corrobora o que diz o documento.  

"Não existe uma documentação que você possa ter uma transmissão do novo coronavírus através da água, de nenhuma forma. Nem mesmo contaminação por meio da rede de água e esgoto. Não há relatos de transmissão através da água, nem no mar e nem na água doce. Se houvesse risco a epidemiologia da doença seria diferente do que a gente viu até agora", argumentou.  

Em piscinas e spas, o relatório aponta que a concentração de agentes de desinfecção presente na água deve ser suficiente para inativar o vírus. Sobre isso, Raquel comenta que de fato as soluções desinfetantes conseguem matar a covid-19. Contudo, ela alerta que há chances dele se alojar em equipamentos utilizados durante o nado.  

"Lembrar que nesses aparelhos eventualmente eu posso ter uma contaminação ali pelo novo coronavírus - porque a pessoa que usou antes pode estar em uma fase ainda sem sintomas - e pode ter contaminado ali. Então é preciso lembrar, estando na piscina e depois de usar esses aparelhos, de não tocar o olho e a boca com a mão", comenta.  

Quanto à água do mar, o relatório ressalta que, embora não exista dados sobre a persistência do vírus, o efeito de diluição, bem como a presença de sal, são fatores que provavelmente contribuem para a redução da carga viral e sua inativação por analogia com o que acontece com vírus semelhantes.  

"A sobrevivência do Sars-CoV-2 na água de rios, lagos, piscinas frescas e não tratadas pode ser maior do que o produzido em piscinas e água salgada, e, portanto, medidas de precaução devem ser tomadas para evitar multidões, sendo estes os ambientes aquáticos mais desaconselháveis em relação a outras alternativas, especialmente pequenas piscinas onde a diluição é menos eficaz", diz o documento.  

Já na areia da praia, embora não existam estudos experimentais a esse respeito, a ação conjunta do sal na água do mar, a radiação ultravioleta solar e a alta temperatura que a areia pode atingir, são favoráveis para a eliminação do vírus, segundo o relatório.  

O RISCO É A AGLOMERAÇÃO
 
Apesar da contaminação pela água ser pouco provável, tanto o relatório divulgado pelos pesquisadores espanhóis do CSIC quanto a infectologista da Unicamp, Raquel Stucchi, destacam que o maior risco desses lugares é a quantidade de pessoas em um mesmo ambiente, sem respeitar o distanciamento social.  

"O que acontece nos ambientes de piscina ou mesmo no mar é que as pessoas se aglomeram mais, ficam mais próximas, falam mais alto, não estão de máscara, e isso, por conta da aglomeração, mesmo em ambiente aberto pode ter sim um risco de transmissão", ponderou Raquel.
A infectologista alerta que a diminuição dos casos de covid-19 não significa que o vírus tenha parado de circular, e que todas as medidas em especial o distanciamento social devem ser respeitadas.  

"Neste período que estamos vivendo, o cuidado é não fazer desta atividade no mar e na piscina um motivo de aglomeração e de estar muito próximo com aquelas pessoas que não fazem parte do nosso círculo de convívio habitual. Então é preciso evitar aglomeração, manter o distanciamento de 1,5 m das pessoas, se não estiver usando máscara esse distanciamento é ainda mais importante, e sempre estar higienizando as mãos", complementa.  

Por fim, a infectologista aconselha que, enquanto a doença não é controlada de forma definitiva, o recomendando é evitar lugares aglomerados, em especial aquelas pessoas que pertencem ao grupo de risco para a covid-19.


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