Cinco meses após incêndio, templo de Umbanda é demolido

Familiares do antigo líder do espaço não têm interesse em reconstruir o terreiro

    • ACidadeON/Araraquara
    • Willian Oliveira
ACidade ON - Araraquara
Mais de 60 imagens foram destruídas (Willian Oliveira/ACidadeON/Araraquara)

 

O templo de Umbanda, queimado em um incêndio criminoso em setembro do ano passado, começou a ser demolido esta semana, no distrito de Bueno de Andrada. A construção simples ficou bastante danificada pelas chamas e de acordo com a Defesa Civil não tinha mais condições reunir pessoas.

“A Vigilância Sanitária também veio aqui questionar porque construção vazia e abandonada causa incômodo em todo mundo e nós não queremos confusão. Estamos demolindo, vamos tirar o entulho e conservar limpo”, disse Valdir da Silva Santos, genro do líder espiritual do terreiro, Hermínio Marques, de 86 anos, que morreu pouco antes do incêndio.

Embora o distrito tenha muitos fiéis ligados a umbanda, parte da família, que não segue a mesma religião, diz que o terreiro não será reconstruído. “Nós não temos dinheiro para isso e esse terreno aqui pertence agora aos quatro herdeiros do seu Hermínio então, nós estamos esperando uma decisão deles”, explica o genro.

ACidade ON - Araraquara
Espaço não será reconstruído (Willian Oliveira/ACidadeON/Araraquara)

 

A maioria dos familiares mora em Santa Gertrudes e não acompanharam de perto o caso. Segundo a justiça, um homem começou a frequentar o espaço e se interessou por uma das moçasque sempre estava lá. No dia 10 de setembro do ano passado ele foi até uma das reuniões e como estava descontrolado, foi colocado para fora. Testemunhas disseram que ele ameaçou a mulher de morte e disse que colocaria fogo nela e no centro de umbanda.

Na mesma noite o terreiro pegou fogo. O Corpo de Bombeiros tentou conter as chamas, mas já era tarde demais. Mais de 60 imagens foram quebradas, e o incêndio destruiu o que restava do prédio onde eram realizadas cerimônias da umbanda e do candomblé. Uma testemunha disse em depoimento que viu o acusado cortar o alambrado com um alicate e arrombar a porta do Centro que tem mais de 60 anos de história.

O rapaz sempre negou autoria do crime entretanto, no fim do ano passado ele foi condenado a quatro anos de prisão pelo incêndio e mais três meses por ameaçar uma das fiéis. Ele cumpre a sentença em regime semiaberto.

Seu Valdir acredita na inocência do rapaz: “eu acho que foi uma acidente porque esse lugar sempre ficava cheio de velas acesas. Eu não encontrei sinais de arrombamento que nem todos falam. Essa é minha opinião, baseada no que eu vi” reforça ele.

O trabalho de demolição deve terminar até o fim de semana, segundo a família.
 


22 Comentário(s)