Paula está sem 'Bolsa Família' e não tem como comer e pagar as contas

Família vive com R$ 197 pagos pelo benefício, que foi cortado; Prefeitura diz que vai regularizar a situação

    • ACidadeON/Araraquara
    • Fernanda Manécolo
Da reportagem
Paula está sem o Bolsa Família (Foto: Amanda Rocha)

 

Paula Tania de Lima Costa tem 31 anos e está desempregada. O marido é pedreiro e também não tem emprego. Ela, ele e as duas filhas – uma de quatro e outra de oito anos - estão precisando de ajuda. A família teve o benefício do Bolsa Família (R$ 197) cortado e agora, estão sem ter como comprar comida e pagar as contas da casa.

Paula diz que ficou sem o benefício, porque a Prefeitura demorou para realizar a atualização cadastral dela. Há quatro meses ela veio de Ibaté tentar uma vida melhor em Araraquara. Em julho, quando começou o recadastramento, ela procurou o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) do seu bairro, mas conseguiu concluir o recadastramento apenas em setembro.

“Eles me remarcaram várias vezes, agora falam que falta um documento, mas não faltou nada. Levei tudo o que pediram. O resultado disso é que fiquei sem o benefício”, diz ela.

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Paula diz que demorou para conseguir fazer o recadastramento (Foto: Amanda Rocha)

 

Paula quer que seu cadastro seja atualizado com urgência, para que ela volte a ter a ajuda. “O Bolsa Família me ajuda muito, pois eu e meu marido estamos sem trabalho. Na semana passada vieram cortar a energia elétrica, preciso pagar a conta urgente e não tenho dinheiro. Não temos dinheiro para comprar as coisas para casa e muito difícil essa situação”, diz ela.

O que a Prefeitura diz
Em nota, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social informa que a equipe do Cras do Maria Luiza está acompanhando o caso da Paula Tania de Lima Costa. Ela mudou-se de Ibaté com o Cadastro Único com atraso de atualização que deveria ter sido feito em setembro de 2016. No CRAS, foi feito o cadastro e agendado uma data para a atualização do Cadastro Único.

Na data marcada, embora com todas as orientações, ela compareceu ao CRAS sem os documentos necessários. Foi marcada uma nova data e, novamente, ela não levou os documentos necessários para a atualização. Na terceira tentativa foi necessário remarcar por conta de um problema de saúde da funcionária responsável pelo Cadastro Único no CRAS.

“No dia 1º de setembro, o Cadastro Único dela foi atualizado, porém havia divergências nas informações em relação ao cadastro do CRAS. Quando isso acontece, o procedimento padrão é a responsável pelo CRAS realizar uma visita técnica à casa da pessoa. Essa visita foi agendada para o dia 19 de setembro. A responsável do CRAS tentou entrar em contato com a solicitante via telefone celular, porém encontrava-se desligado. Uma nova visita será agendada para conferir os dados e a previsão é que ela volte a receber o benefício em outubro”, diz a nota.

Situação de Araraquara
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, em Araraquara há 3.180 famílias beneficiárias do Bolsa Família. Essas famílias beneficiárias equivalem, aproximadamente, a 4,01% da população total do município, e inclui 429 famílias que, sem o programa, estariam em condição de extrema pobreza. No mês de julho de 2017 foram transferidos R$ 438.754,00 às famílias do Programa e o benefício médio repassado foi de R$ 137,97 por família.

A cobertura do programa é de 60,95% em relação à estimativa de famílias pobres no município. Essa estimativa é calculada com base nos dados mais atuais do Censo Demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município está abaixo da meta de atendimento do programa. “O foco da gestão municipal deve ser na realização de ações de Busca Ativa para localizar famílias que estão no perfil do programa e ainda não foram cadastradas. A gestão também deve atentar para a manutenção da atualização cadastral dos beneficiários, para evitar que as famílias que ainda precisam do benefício tenham o pagamento interrompido”, diz o Ministério.
 


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