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Apeoesp considera que não há condições de retomada das aulas

Professores das escolas estaduais não concordam com anúncio do Governo para reinício das aulas em setembro

| ACidadeON/Araraquara

Uma das preocupações dos professores é o distanciamento dos alunos em sala de aula (Foto: arquivo/Pixabay)

Em meio à pandemia do novo coronavírus e o anúncio de um plano do Governo do Estado, nesta quarta-feira (24), com protocolos para a retomada gradual das aulas em escolas públicas e particulares em São Paulo no mês de setembro, representantes dos professores da rede estadual consideram que não há condições de garantir a segurança de estudantes e trabalhadores.  

Segundo a conselheira estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) Neuza Ribeiro, não há condições para retomada gradual porque ainda há um pico significativo da covid-19 nas cidades do interior e as escolas não possuem estrutura física para receber os alunos.  

"Os professores que estão nas escolas no dia a dia sabem que não tem estrutura suficiente de limpeza, higiene e espaço para receber os alunos nessa retomada gradual. Ela não é segura, é muito perigosa, representa um risco imenso a saúde dos alunos, dos professores e da população em geral. São medidas preocupantes e por isso que a Apeoesp já se posicionou contra essa retomada gradual", afirma.   

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Na análise da liderança regional da Apeoesp, um dos pontos críticos para a retomada gradual é a infraestrutura das unidades de ensino. Outro elemento apresentado por Neuza Ribeiro é o número elevado de alunos matriculados em cada sala de aula, podendo chegar a até 45 por turma, impossibilitando o distanciamento de 1,5 metro proposto no plano do Governo.  

"Vão ter que dividir os alunos em sala de aula, em duas, três vezes na semana, porque nós temos salas com 45 alunos, com 38, 40. Então por aí você vê como esses alunos ficarão a 1,5 metro de distância. São escolas que não tem papel higiênico, então tem uma série de medidas que eles colocam lá [no plano] que não tem como garantir a segurança dos alunos, nem a higiene e segurança desse distanciamento, sendo uma medida preocupante para todos", diz.  

Entre os pontos apresentados pelo Governo de São Paulo para o retorno gradual das aulas estão rodízio de estudantes e a combinação de aulas presenciais com a manutenção do ensino a distância. Segundo a proposta, as escolas poderão reabrir nas cidades que estiverem na fase amarela do Plano São Paulo, que prevê flexibilização da quarentena.  

"O ensino a distância foi implantado pela secretaria da Educação sem consultar ninguém e não oferece aprendizagem significativa para os alunos, já há uma pesquisa da Apeoesp também que o acesso a ele é mínimo e o professor é insubstituível. Mas, a gente vive uma pandemia no mundo, não é só no nosso Estado, nem no nosso País", ressalta.   

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No caso das escolas particulares, o protocolo de funcionamento prevê suspensão atividades coletivas, redução do número de alunos em sala de aula e aferição de temperatura. Além disso, as instituições preveem também uma avaliação do nível de aprendizado dos alunos, ampliação da jornada diária e reposição das aulas aos sábados e em turnos alternados.  

Para a Federação dos Professores do Estado de São Paulo (FEPESP), órgão que representa professores das escolas particulares, a retomada das aulas deve ocorrer somente quando houver o controle ou redução drástica dos casos de covid-19. "Não haverá volta às aulas sem redução drástica da pandemia e sem garantia de segurança sanitária para a comunidade escolar", diz nota em seu site oficial.  

A previsão do Estado é de que o plano comece a ser cumprido a partir de 8 de setembro. Até lá, as aulas seguem sendo ministradas no sistema remoto. Questionada sobre como foi o treinamento dos profissionais da educação para essa realidade, Neuza Ribeiro afirma que não houve suporte por parte da secretaria da Educação em relação ao EAD.  

"O professor teve que se adequar com seus recursos, aqueles que tem com o seu computador, o seu celular. Tivemos até uma reportagem com uma professora da nossa subsede que alegou desespero da cobrança grande, de ter que realizar as atividades e o computador de tanta coisa queimou. Ela foi orientada a ir na escola buscar um emprestado. Não foi dado suporte, muitos professores não estavam preparados para essa realidade tecnológica", finaliza.

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