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Grávidas tem até três vezes mais complicações por covid-19

Entenda os riscos que mulheres grávidas têm se contaminadas pela covid-19

| ACidadeON/Araraquara

 

Grávidas entraram  para o grupo prioritário da vacinação (Foto: Reprodução/TV Brasil)

Desde o começo da pandemia de covid-19 no ano passado, estudos no mundo todo buscam medir os impactos e determinar quais são os grupos que mais correm risco se contraírem a doença. 

Recentemente, o Ministério da Saúde pediu que as mulheres adiassem, se possível, a gravidez até que a pandemia apresentasse uma melhora. 

O pedido levantou algumas dúvidas sobre os riscos que mulheres grávidas têm se forem contaminadas pelo novo coronavírus. 

Segundo a ginecologista e obstetra Tatiana Provasi Marchesi, o número de complicações em gestantes é cerca de duas a três vezes maior se comparado às mulheres não grávidas da mesma faixa etária. 

Contudo, esse aumento de risco não é tão grande em números absolutos. 

"A verdade é que quando uma grávida se infecta com alguma doença, as chances de complicações sempre são maiores do que se ela não estivesse grávida. Inclusive, temos outros vírus conhecidos há mais tempo e potencialmente muito mais graves para esse grupo, como citomegalovirus, Zika Vírus ou H1N1", explica. 

COMPLICAÇÕES MAIS COMUNS
De acordo com os dados divulgados pelo Up to Date uma ferramenta de atualização médica de prestígio as complicações mais comuns em grávidas que se infectam com o novo coronavírus são: 

- Taxa de admissão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é 2,5 vezes maior em grávidas (1%), se comparada às mulheres não grávidas (0,4%) da mesma faixa etária; 

- A necessidade de intubação orotraqueal é 3 vezes maior em gestantes (0,3%), se comparada às mulheres não grávidas (0,1%); 

- A mortalidade também sofre aumento de 0,12% para 0,15%, considerando 1,5 em cada 1000 para mulheres grávidas e 1,2 em cada 1000 para mulheres não grávidas) 

- A prematuridade aumenta em 3%, sendo 13% para mulheres grávidas infectadas contra 10% de mulheres não grávidas também contaminadas; 

- Já a trombose apresenta aumento de 0,47%. 

CUIDADOS REDOBRADOS
Entretanto, segundo a médica, mesmo que os números absolutos não sejam tão intimidadores, é importante que as mulheres grávidas redobrem os cuidados e se protejam durante a gestação e no puerpério. 

"De acordo com os estudos, por 40 dias após o parto, ainda se considera uma maior suscetibilidade às complicações da doença", diz. 

VACINAÇÃO PARA GRÁVIDAS
Nesta semana, o Ministério da Saúde encaminhou uma nota técnica para orientar os estados a incluir todas as grávidas e mulheres no período pós-parto no grupo prioritário para receber a vacina contra a covid-19. 

A recomendação é que as mulheres deste grupo que tenham doenças pré-existentes sejam vacinadas em primeiro lugar. 

"Ainda que a segurança e eficácia das vacinas não tenham sido testadas nesse grupo, imunizantes de vírus inativos e partículas virais já são utilizadas por mulheres grávidas no calendário comum.  

A iniciativa também considera levantamento de evidências sobre recomendações nacionais e internacionais de vacinação em gestantes, puérperas e lactantes, com grandes órgãos defendendo a imunização desse grupo", explica. 

A médica esclarece ainda que a vacinação deverá ser feita independentemente da idade gestacional e o teste de gravidez não deve ser pré-requisito. Além disso, lactantes vacinadas não deverão interromper o aleitamento. 

Para consultar o calendário de vacinação do Estado de São Paulo, acesse o site www.vacinaja.sp.gov.br.


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