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Lista de contatos 'roubados' por 'Hacker de Araraquara' tinha Neymar, Galvão Bueno e William Bonner

ACidadeON teve acesso a parte do material exposto pelo hacker que inclui artistas, esportistas e políticos

| ACidadeON/Araraquara

A cada contato espiado outros inúmeros apareciam para a lista de telefones extraídos de maneira ilegal pelo hacker de Araraquara, Walter Delgatti Neto, o Vermelho, apontado pela Polícia Federal (PF) como a cabeça pensante em toda a organização criminosa presa nesta semana na Operação Spoofing. Ele já admitiu em depoimentos aos agentes federais ter sido o único responsável por descobrir como ter acesso a conta do Telegram de centenas de milhares de pessoas em todo o Brasil. E, atrás do computador, por curiosidade, passou a ter também telefones de famosos sem que eles tivessem conhecimento. 

Em conversa com uma pessoa de Araraquara, cujo conteúdo o ACidadeON/Araraquara teve conhecimento com exclusividade, iniciada no dia 15 de junho e avançada no dia 16, em que a fonte acreditava ser uma brincadeira de Vermelho [conhecido por buscar sempre contar uma história a mais], além dele sugerir a invasão ao celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de propor a venda de um conteúdo extra contra os procuradores da Lava-Jato a ser oferecido a membros do Partido dos Trabalhadores , ele também diz ter contatos de artistas.   

Vermelho envia contatos de globais, entre eles, Pedro Bial

Em meio ao bate-papo desconexo, em que um pergunta algo e outro responde apenas o que lhe convém, a pessoa de Araraquara garante ter perguntado ironizando: "Pega de algum artista pra gente pegar número dele". Um minuto depois, Vermelho responde "Vou te mandar". "Pedro Bial". E já avisa: "Tem todo mundo". "Toma". E envia um arquivo em PDF que seria a agenda do jornalista e apresentador Pedro Bial [adquirida ilegalmente e sem conhecimento de Bial]. O colega via mensagem aparentemente assusta: "Aff Vc não é gente".   
Vermelho diz ter o telefone do jogador Neymar
O bate-papo prossegue o colega de Araraquara pergunta se tem mais gente e sugere dois nomes: Eliana e Patrícia Abravanel. Ele diz que não tem, mas vai pegar [no entanto, não responde se conseguiu]. O interlocutor pergunta sobre Neymar. Vermelho responde imediatamente: "Hahahaha tenho da Europa". O amigo pede: "Manda". Logo depois, a surpresa: ele envia os contatos obtidos irregularmente com o que seriam os números dos telefones celulares do jogador do PSG e da Seleção Brasileira, Neymar Junior. E avisa: o telefone do Brasil e da Europa.  
Vermelho então passa ilegalmente os contatos 'roubados' de Neymar
Em seguida, envia uma imagem com alguns nomes da sua lista telefônica ilegal, entre eles, Galvão B, que seria o narrador esportivo Galvão Bueno, da Rede Globo. Durante as conversas, Walter Delgatti Neto, o Vermelho ainda manda uma série de fotos, talvez, fotos que fez com seu próprio celular e envia aos montes.  
Vermelho também teria conseguido irregularmente o contato de Galvão Bueno
Ali, o nome e os telefones de algumas outras pessoas que nunca falaram com ele, entre elas, o jornalista e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, o comentarista esportivo Casagrande e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL).  
Willian Bonner também teria tido o telefone captado de maneira irregular por Vermelho por meio da agenda de terceiros
Na conversa, 'Vermelho' não diz se invadiu a conta de todas essas pessoas, apenas envia as imagens dos números adquiridos de outros lugares sem nunca ter conversado com qualquer uma das pessoas que tiveram a sua privacidade invadida. O que ele mostra, no entanto, são as agendas de Pedro Bial e do ator Gregório Duvivier, que ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e por ser um dos criadores dos esquetes da série Porta dos Fundos. De Duvivier, Vermelho vasculhou, pegou fotos e elogiou: "esse gregorio tem todo mundo."  
As ligações 
A PF já revelou que foram feitas 5.616 ligações para acessar Telegram de autoridades. E o próprio Vermelho admitiu em seu primeiro depoimento dado aos agentes federais que todos os contatos ocorreram entre março e maio deste ano e só armazenou o conteúdo das contas de Telegram dos membros da Lava-Jato do Paraná, pois teria constatado atos ilícitos nas conversas registradas [tanto que, posteriormente, reativou seu Twitter e passou a fazer campanha sobre o tema]. O que fica evidente ser mentira com base no conteúdo obtido com exclusividade pelo ACidadeON/Araraquara.     

No Twitter, 'Vermelho' deu uma dica sobre as mensagens vazadas; uma pista que pode ter levado a polícia até ele (Reprodução)
Até em razão da complexidade e do volume de alvos, na sexta-feira, dia 26, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, determinou a prorrogação da prisão temporária de Walter Delgatti Neto, e dos três amigos presos na operação [e que ele já informou não terem ligação com as invasões]. No despacho, o juiz "alega que a prorrogação da medida é necessária para o aprofundamento das investigações das invasões de contas do aplicativo Telegram vinculadas a diversas autoridades públicas, bem como da prática de fraudes bancárias e golpes financeiros realizados por meio da Internet ou de ligações".    

A investigação

A investigação da PF relacionada a Operação Spoofing não deu um tiro no pé como muito se imaginava depois da prisão de quatro pessoas de Araraquara, nesta terça-feira, dia 23, em mandados de busca e apreensão cumpridos em Araraquara, Ribeirão Preto e São Paulo. Ao longo desses quatro dias, foi traçado um perfil de cada um dos suspeitos e tudo recaia para um mesmo nome: Walter Delgatti Neto, o Vermelho, apontado como o hacker, a cabeça pensante em toda a organização criminosa. E, apesar dos números surreais de quase seis mil ligações e mais de mil vítimas, acreditem: a PF estava certa. 'Vermelho', é o hacker.  

Walter Delgatti, o Vermelho, ao chegar na PF, em Brasília. (Mateus Bonomi/Folhapress)
Nesta sexta-feira, dia 26, o G1 publicou o primeiro depoimento dado por 'Vermelho' aos agentes federais na terça-feira, dia 23. Ali, ele dá detalhes de chegou aos alvos e principalmente o caminho para ter acesso aos contatos, mensagens e arquivos pessoais das maiores autoridades do País [veja mais abaixo].

Em meio a esse amontoado de informações, o ACidadeON/Araraquara [que deu a primeira notícia envolvendo o teor da operação] obteve na sexta-feira, com exclusividade, uma conversa de 'Vermelho' com uma pessoa da cidade, no dia 15 de junho deste ano. Ali, ele falava da fraude, expunha as vítimas e tirava sarro se gabando da própria inteligência e capacidade de driblar o sistema. O nome de 'Vermelho', que era, 'Vermei', foi alterado na agenda da fonte para 'Estados Unidos' porque a conversa era no chip americano dele.  

Walter Delgati Neto, o Vermelho, mostrava o dinheiro em uma conversa com amigo
Naquele mês, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, atendeu a uma ligação de um número igual ao dele tocando no seu celular. Isso permitiu o acesso ilegal ao aplicativo Telegram, que ele não usava mais. Ele desativou a linha, mas era tarde. Do outro lado era Vermelho. Ainda em junho, o site The Intercept Brasil afirmou ter recebido um pacote de mensagens atribuídas justamente ao ministro que foi o responsável por várias condenações judiciais quando ainda era juiz federal durante a Operação Lava-Jato.  

Vermelho começa a conversa com a pessoa de Araraquara já ironizando Moro (ACidadeON/Araraquara)
Desde 9 de junho, o site passou a divulgar as conversas privadas no Telegram apontando uma colaboração entre o então juiz e o procurador responsável pela Força Tarefa, Deltan Dallagnol, ainda em Curitiba. Iniciava, ali, a busca da PF por quem teria vazado com as informações. Com a prisão de Vermelho, tudo ficou mais claro. O que imaginava ser uma grande conspiração acabou-se por revelar uma falha tecnológica. No material em que o ACidadeON/Araraquara teve acesso, o hacker de Araraquara chama uma pessoa, no dia 15 de junho, às 22h14. Manda uma boa noite e uma figurinha de Moro aparentemente chorando.  

'Vermelho' envia as figurinhas dando a entender do assunto ACidadeON/Araraquara)
Já na madrugada do dia 16, 'Vermelho' e essa pessoa de Araraquara começam a conversar inicialmente em um papo informal. O interlocutor pergunta como ele está e se está fora do Brasil [haja vista que Vermelho costumava viajar aos Estados Unidos e mandava imagens com dólares aos colegas em fotos via aplicativos]. Esse colega chega a perguntar que se estivesse fora, qual seria o valor de um relógio para trazer ao País. Às 2h07, do dia 16, Vermelho passa a entregar as informações pedindo para salvar as fotos e dá uma risada.  

'Vermelho' envia as figurinhas dando a entender do assunto ACidadeON/Araraquara)
Do nada, de uma só vez, ele envia quatro figurinhas de Moro, duas do jornalista Glenn Greenwald, do site Intercept Brasil e três de Deltan Dallagnol, seguida de uma risada. Em seguida, outros arquivos. Ao ACidadeON/Araraquara, a fonte disse que tinha visto na imprensa os vazamentos das conversas entre Moro e Dallagnol, mas como 'Vermelho' tinha a fama de sempre contar vantagem deu corda na conversa achando ser uma brincadeira.

Na troca de conversas naqueles poucos minutos da madrugada do dia 16 de junho, 'Vermelho' envia uma série imagens aparentemente captadas do próprio computador. A pessoa de Araraquara, então, comenta de alguns nomes e Vermelho diz ter dados [fotos, mensagens e arquivos] de alguns. Fala também sobre o vazamento das mensagens postadas pelo Intercept Brasil, mas não deixa explícito que fora ele [apesar do indicativo no início da conversa com as figurinhas dos três personagens: Moro, Glenn e Dallagnol]. (veja mais abaixo como 'Vermelho' acessou todas as contas e criou essa confusão toda).   

Walter Delgatti, o Vermelho, ao chegar na PF, em Brasília. (Mateus Bonomi/Folhapress)
Walter Delgatti Neto, o 'Vermelho', que antes de ser preso esta semana pela PF estava sendo procurado pela Justiça paulista por duas condenações [estelionato e falsificação de documentos], durante o papo, se gaba por ter acesso a tantas informações e diz que está mais estudado. Ele cursou apenas o primeiro ano do curso de Direito [quando foi aluno, fez Boletim de Ocorrência contra os colegas que o chamaram de hacker]. No papo, afirma estar bem por dentro da legislação. 
O ACidadeON/Araraquara, já havia adiantado que Vermelho caminhava para ser o verdadeiro hacker desta história toda [apesar de a PF ainda estar colhendo os depoimentos]. O que ele contou na terça-feira é surreal, mas na fala de hoje o também ritmo teria sido alucinante. E, ao contrário do que se imaginava, ao menos nos indicativos da conversa e dos depoimentos prestados por ele até o momento, apesar da ideia de obter algum interesse financeiro, as invasões em sua maioria se tornaram tão simples que viraram diversão.  

Bolsonaro comentou sobre a invasão ao celular em sua conta no Twitter (Reprodução)
Além do ministro Sérgio Moro, ainda na fase inicial da investigação aparecia um desembargador, um juiz federal e dois delegados. Hoje, sabe-se que foram mais alvos. Já foi confirmada a invasão ao Telegram do presidente Jair Bolsonaro, e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram vasculhadas as conversas dos presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ); do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio de Noronha; e da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O ACidadeON também mostra outros alvos que ainda não tinham sido divulgados.

Venda ao PT?

Durante a conversa, Vermelho não consegue articular um assunto por vez e vai emendando um tema em cima do outro de maneira desorganizada. Às 2h22, diz ter encontrado o contato de um político. Sem sequencia, o interlocutor manda um vídeo da deputada estadual Márcia Lia, do PT, que é de Araraquara dela fazendo uma série de críticas em sessão na Assembleia Legislativa. Um minuto depois, Vermelho faz uma proposta: buscar negociar a venda do conteúdo relacionado aos procuradores da Lava-Jato para o Partido dos Trabalhadores.

Esta proposta, inclusive, segundo Gustavo, o DJ, Vermelho teria comentado sobre essa tentativa de venda ainda antes da Operação. No conteúdo em que o ACidadeON/Araraquara teve acesso, ele diz o nome da fonte e emenda: "A gente lucra. E ganha moral ainda", diz Vermelho dizendo qual o grau hierárquico dentro de um partido político a pessoa poderia chegar caso a repercussão fosse positiva [a questão é que o colega do hacker ouvido pelo ACidadeON/Araraquara não é político profissional].  

Bate-papo parte para a proposta de venda das mensagens
O interlocutor teria dito que tentaria o contato com alguém influente, entre outros assuntos desconexos. Em seguida, Vermelho manda um áudio: "Agora é a hora certa porque se a gente fala mês passado, o pessoal fala: ah, tá mentindo, não tem! Agora que explodiu na mídia, ai é fácil". E dá o recado: "Vou deixar na sua mão. Já queria falar com você antes, mas ninguém ia acreditar", diz Walter Delgatti Neto, o Vermelho, citando que após a divulgação das conversas entre Moro e Dallagnol ficará mais difícil negociar o conteúdo.

Ele posta uma reportagem da revista Veja, ironiza a fala do presidente Jair Bolsonaro de que 100% de confiança só em pai e mãe [declaração foi dada exatamente no dia 15 de junho, depois de novos vazamentos de conversas de Moro, quando juiz da Lava Jato em Curitiba] e fala em tom mix de lamentação e risos: "Agora que explodiu, ninguém vai comprar" [já preso, esta semana, Vermelho admitiu que cedeu, de graça, o conteúdo ao Intercept].

Mas, na conversa com a pessoa de Araraquara, ele dá uma informação que ainda não apareceu nos depoimentos. "Tem 10 cópias já ahahahaha. Em tudo. Com amigo de confiança."  
 
Vermelho diz que tem cópias do material distribuída com amigos
O Perfil

Pelo perfil de Vermelho e com base nos depoimentos prestados, as versões começam a fazer mais sentido, ao menos, até o momento. Vermelho e o empresário e ex-DJ, Gustavo Henrique Elias Santos, o Guto Dubra, 28, teriam discutido porque Vermelho invadiu o aparelho do colega e tirou um sarro. Apesar de terem sido próximos no passado [Vermelho chegou a ser preso em Santa Catarina ao lado de Gustavo e Suelen Priscila de Oliveira], o relacionamento entre os dois não era mais o mesmo.

Ao contrário de Danilo Cristiano Marques, amigo de infância de Vermelho e que pode ter sido preso simplesmente porque era o locatário do apartamento em que o hacker vivia em Ribeirão Preto. A Justiça autorizou a prorrogação da prisão dos quatro de Araraquara mais cinco dias. O advogado de defesa do casal, Ariovaldo Moreira, já tinha adiantando que as provas contra 'Vermelho' eram robustas o que deve isentar os outros três.

Em seu depoimento à PF, no dia 23, ou seja, quando foi preso, Vermelho deu detalhes importantes, conforme a informação trazida nesta sexta-feira pelo Portal G1. Ele contou que, em março deste ano, fez uma ligação para o seu próprio número e percebeu que teve acesso ao correio de voz. Como sempre utilizou os serviços de VOIP (voz sobre IP), pesquisou e contratou a empresa que julgou ter o melhor preço. Ligou para o médico fazendo um teste e descobriu que poderia conseguir os códigos do Telegram e acessar as mensagens.

O teste prático, ou seja, a primeira vítima foi mesmo o promotor de Justiça, Marcel Zanin, de Araraquara, que o denunciou em um processo de tráfico de drogas [porque ele mantinha medicamentos como Alprazolam e Clonazepam que são proibidos, mas ele toma regularmente, e falsificação de documentos]. Disse ter encontrado material contra o promotor e não publicou o conteúdo "tendo em vista que morava em uma cidade pequena e era conhecido por ter conhecimento avançados em informática."  

Walter Delgatti Neto, o Vermelho, também está preso pela PF; amigo dele é quarto detido; foto antiga mostra ele se exibindo com arma
Em nota, o Ministério Público de São Paulo informa que "já requisitou o compartilhamento de provas à Polícia Federal no caso da invasão criminosa à comunicação privada de que foi vítima o promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, a fim de tomar as medidas legais cabíveis. Informa ainda que o promotor havia oferecido denúncia contra Walter Delgatti Neto por tráfico de drogas e falsificação de documento, no mais estrito cumprimento de seu dever funcional." 
Pela agenda do promotor teve acesso ao número de um procurador de república, que não recorda o nome, mas que participava de um grupo "Valoriza MPF". Ali, encontrou vários contatos, entre eles, do deputado federal Kim Kataguri. Pelo Telegram de Kim obteve o número do ministro do STF, Alexandre Moraes. De Moraes, achou o contato de Rodrigo Janot obtendo, então, os telefones de membros da Força Tarefa da Lava-Jato, ou seja, de Deltan Dallagnol, Orlando Martello Junior e Januário Paludo.

À PF, Vermelho informou que todos os contatos ocorreram entre março e maio deste ano e só armazenou o conteúdo das contas de Telegram dos membros da Lava-Jato do Paraná, pois teria constatado atos ilícitos nas conversas registradas [tanto que, posteriormente, reativou seu Twitter e passou a fazer campanha sobre o tema. Chegou até a dar uma dica dizendo que os arquivos ficavam armazenados no cache]. Pela agenda de Dallagnol, teve conhecimento do número de Moro, gerando a partir dali outra lista de pessoas.  

Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, foi um dos alvos do hacker (Foto: Jorge Araújo / Folhapress)
Ainda no depoimento vazado pelo G1, Vermelho confirmou ter procurado Glenn, no dia das mães para enviar o conteúdo das contas do Telegram dos procuradores. Resolveu procurar o jornalista por saber de sua atuação nas reportagens relacionadas ao vazamento de informações do governo dos EUA, conhecido como o caso Snowden [acusado de espionagem].

Disse, ainda, ter conseguido o telefone de Glenn através da ex-deputada federal e ex-candidata a vice-presidente Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) [o que ela confirmou em sua rede social], e que pegou o número dela a partir da ex-presidente Dilma Roussef [que conseguiu por meio do telefone do ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão]. Na prática, ele mesmo ligou para Manoela e falou sobre o conteúdo e pediu o contato do jornalista. Pouco depois, ele e Glenn estavam conversando sobre o assunto. Como o material era volumoso, criou uma conta em nuvem para que os arquivos fossem baixados.
 
Entenda o histórico do caso, o dia da prisão e perfil dos presos clicando aqui  

Em nota enviada à imprensa na quarta-feira à noite, antes das informações sobre o vazamento, o Intercept Brasil disse que, assim como a melhor imprensa mundial, não comenta assuntos relacionados à identidade de suas fontes anônimas. Afirmou também que a operação deflagrada pela Polícia Federal "não muda o fato de que a Constituição Federal garante o direito do Intercept de publicar suas reportagens e manter o sigilo da fonte, mesmo direito garantido para toda a imprensa brasileira".

Bloqueio

Ainda nesta sexta-feira, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, determinou o bloqueio de ativos que os investigados pela Operação Spoofing tiverem em carteiras de criptomoedas. Além disso, informou sobre a necessidade de obter senhas e chaves das carteiras de criptomoedas do casal Gustavo Henrique e Suelen Priscila [o casal do Jardim Roberto Selmi Dei, em Araraquara, disse que os quase R$ 100 mil apreendidos em seu apartamento, em São Paulo, eram provenientes de negociações financeiros deste modelo]. Então, a PF quer entender se é verdade tudo isso.



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