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Bandido do PCC é condenado a 52 anos por roubar casa e atirar em pms em Araraquara

Na época, em 2015, Eder sobreviveu a troca de tiros enquanto os três comparsas morreram

| ACidadeON/Araraquara

 
Único sobrevivente de uma intensa troca de tiros com policiais militares que terminou com três bandidos mortos, 2015, após um assalto a residência, no bairro São José, em Araraquara, E. R. F. foi condenado hoje pelo conselho de sentença do Tribunal do Júri, no Fórum da cidade, por três crimes: dupla tentativa de homicídio, roubo e por ser ligado a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A pena é de 52 anos e seis meses reclusão.

No longo processo e julgamento, E. foi condenado pela dupla tentativa de homicídio contra os pms e, por isso, pegou 24 anos de reclusão. Já no assalto, o juiz o sentenciou a 18 anos de prisão e por pertencer a organização criminosa PCC a sanção é de mais dez anos e seis meses. Ou seja, hoje, o detento que já cumpria pena por outro assalto, está condenado a um total de 52 anos e seis meses atrás das grades, apesar do tempo de cumprimento máximo ser de 30, conforme prevê a legislação.

Havia também uma análise da conduta dos pms que na reação mataram três assaltantes e feriram um quarto, agora, julgado. Entretanto, segundo a Justiça, a conduta policial relatada por testemunhas e atestada pelo laudo do local não apontou para o abuso ou a ilicitude na reação. Ao contrário, demonstrou o "estrito cumprimento do dever legal de proteger a população e o legítimo exercício da defesa da vida própria e de terceiros, postas em risco pela resistência armada dos integrantes de facção criminosa".

De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, no dia 5 de junho de 2015, logo no início da tarde, na Rua Carlos Gomes, cruzamento com a Avenida Sebastião Lacerda Correa, bairro São José, em Araraquara, E. e mais três comparsas cometeram a série de crimes. Na época, fazendo uma série de ameaças e armados, eles invadiram uma casa e levaram dinheiro, joias e bijuterias (anéis, brincos, pulseiras, correntinha, relógios), avaliadas em R$ 13.150 de um casal.

Para entrar na residência, E. e um dos comparsas que acabou morrendo na ação criminosa, Tales Eduardo Pivatti Vasques, o Talibã, de 30 anos, renderam o morador logo na entrada e o obrigaram a entrar. Na sequência, um terceiro integrante, Fernando Henrique Nascimento, 23, juntou-se armado ao grupo, conforme demonstram as imagens captadas por câmera de segurança instalada nas proximidades. O material foi exposto no julgamento.
 

Os assaltantes se dividiram e passaram a ameaçar de morte as vítimas. Em plenário, diante do Conselho de Sentença, elas ainda relataram o medo que convivem até hoje. Naquele junho de 2015, consumado o roubo, um dos bandidos, Fernando, avisou aos demais, através de um rádio comunicador HT, que, na época, copiava a frequência da Polícia Militar, que o assalto fora noticiado na rede. Assim, iniciou-se uma fuga atrapalhada.

Todos deixaram a casa e entraram em um carro, um Gol, estacionado na esquina da rua e que daria fuga ao grupo. No volante o quarto integrante do bando: Paulo Salustriano de Oliveira, 40. Quando tentavam escapar, a PM chegou. Inicialmente uma primeira viatura com dois policiais que, atualmente, já estão na reserva da Corporação. Sem hesitar, Eder e os demais integrantes armados abriram fogo contra os policiais. Tiros acertaram a viatura e outro veículo nas imediações. Quem esteve por lá, na ocasião, lembra de ter se escondido para não ser ferido.

Os pms, então, reagiram. Na troca de tiros no meio da rua, Fernando, Paulo e Tales foram baleados e morreram. Eder também foi baleado. Teve ferimentos no braço direito, na clavícula, além de uma perfuração no tórax. E sobreviveu. Agora, fora julgado. Com os bandidos, os policiais apreenderam as armas, HT, celulares e os objetos roubados do casal minutos antes. Para a Promotoria, a condenação é justa porque eles tentaram matar os pms, mas o delito não se consumou por circunstâncias alheias à vontade dos agentes, consistentes no erro de pontaria e a pronta reação dos policiais militares.
 

Eder quando foi socorrido depois de trocar tiros com a PM, em 2015. Hoje, ele condenado a 52 anos de prisão (Arquivo/Tribuna Araraquara)
De acordo com o MP, a investigação posterior a ocorrência factual demonstrou que todos os assaltantes eram egressos ou evadidos do sistema prisional, com antecedentes criminais em crimes patrimoniais violentos e outros, além de integrantes de organização criminosa armada conhecida como PCC. Um dos mortos naquela ação, Tales, que mantinha o apelido de Talibã, tinha várias condenações por roubo.

Já E. R. F., sentenciado hoje a 52 anos e seis meses de prisão, dias antes das infrações praticadas na cidade de Araraquara, em 2015, tivera sua prisão preventiva decretada pela Comarca de Batatais, por roubo e associação criminosa. Além disso, ocupava função relevante na organização criminosa na região e era investigado pela participação em extorsões mediante sequestro juntamente com o coautor Paulo, o Terra Samba, com quem esteve preso e ostentava patrimônio incompatível com sua condição financeira.  
 

 

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