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Economia

Ceagesp não deve armazenar açúcar este ano em Araraquara

Sem a commodity, a soja se torna o principal produto estocado; em 2019, foram 19 mil toneladas do grão

| ACidadeON/Araraquara

Silos da Ceagesp estocam parte da produção regional de açúcar, soja e milho (Willian Oliveira/ACidadeON/Araraquara)

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) repetiu o cenário de 2018 e até o momento não fechou nenhum acordo para armazenar açúcar este ano, contrariando a expectativa do próprio órgão.  

O açúcar era o principal produto armazenado e a Ceagesp chegou a estocar mais de 70 mil toneladas anualmente.
O chefe regional da armazenagem, Carlos Roberto Espírito Santo, explica os motivos para a falta de procura das usinas.  

"O que aconteceu foi que as usinas  não só aumentaram um pouco a sua capacidade de armazenagem, mas principalmente porque vários grandes grupos de açucareiros, do setor sucroalcooleiro instalaram terminais de transbordo de açúcar direto para o Porto. Então eles nem armazenam, levam das usinas para os terminais, inclusive tem um grande aqui em Itirapina, onde já coloca e faz o transbordo para o trem e vai embora, ou seja, buscam a otimização dessa logística",

Espírito Santo afirma que o cenário econômico também influencia na decisão das empresas em armazenar ou não o açúcar. E que, mesmo sem o produto, a Ceagesp não fica com espaço ocioso.  

"Todo ano é um ano. Em um ano está mais armazenador, no outro não está, no caso do açúcar principalmente.  E isso também depende da política de cada grupo sucroalcooleiro, pois você tem grupos que tem contratos a vencer e precisam entregar, tem grupos que não, que dá pra esperar o melhor preço, mais para o fim do ano. Então isso depende muito e o que nós fazemos é nos colocar sempre a disposição pra estar armazenando açúcar excedente ou aquele que precisa esperar pra um  preço melhor, mais pro fim do ano. As vezes o que acontece é que eu não uso toda a minha capacidade, mas a gente está sempre movimentando alguma coisa", explica.

Sem o açúcar, a principal commodities que movimenta a Ceagesp hoje é a soja. A companhia começou a estocar e tratar soja em 2017, quando recebeu 13 mil toneladas do grão.  

Em 2018, foram 21 mil toneladas. E este ano, 19 mil toneladas. Segundo a companhia, a queda foi por causa do clima nos meses de janeiro e fevereiro. A expectativa da Ceagesp para 2020 é de um aumento de 20% no recebimento dos grãos.  

"Na verdade curva é uma tendência de subir. Ela tem as vezes alguma variação anual por algum problema específico, como por exemplo, o clima, uma safra que ocorreu algum problema, mas, em geral, a curva é de aumento de recebimento de soja".

Apesar disso, a soja movimenta só o primeiro semestre. Porém, para Carlos Roberto Espírito Santo, chefe regional da armazenagem da Ceagesp, o movimento da soja na região é benéfico para a companhia, e para todo o setor agrícola.  

"Os produtores estão vendo  na soja uma alternativa  interessante em termos de ganhos de receita e produtividade.  Um produtor que há muito tempo está na cana e que está vendo a possibilidade de fazer a reforma do seu canavial com soja sabendo que é muito lucrativo, as próprias usinas vendo que a reforma da área delas é interessante também fazer com soja, logo depois que você planta a soja e planta cana, a cana aumenta sua produtividade, tem estudos sobre isso. Então todo mundo sai ganhando com a soja na reforma de canavial. Como normalmente as usinas fazem a reforma de 20% de suas áreas, você tem  toda a área reformada em 20% com soja".

A soja armazenada na Ceagesp vem de mais de 100 produtores. Um cenário diferente, se comparado com o do açúcar.  

"As usinas hoje detém grande parte das terras que elas produzem, que são terras das usinas. Mais de 50% dos casos. Os produtores participam pouco, porque poucos produtores hoje tem capacidade mesmo técnica e financeira para produzir cana. O retorno da cana nos últimos anos não foi satisfatório para os produtores e fornecedores. Então tudo isso faz com que sobre pouco, apenas aqueles que tem condição de continuar neste setor", finaliza.

90% da produção de soja e de cana da região têm destino certo: o Porto de Santos e, depois, a exportação.  Nessa logística, Araraquara tornou-se rota importante do agronegócio, por estar no caminho da escoação do produto e por ter um dos maiores armazéns do Estado: a Ceagesp.  

A companhia é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Em Araraquara a capacidade de armazenamento é de 165 mil toneladas de grãos e açúcar. Além de 1,8 mil toneladas de outros produtos.  

E nesse local, os grãos são limpos, secos, beneficiados e depois estocados até a comercialização. Uma operação que movimenta milhões de reais todos os anos e que também gera empregos. Um exemplo é de que, segundo a Ceagesp, no período da safra da soja o número de contratados chega a dobrar.

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