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Economia

Coronavírus 'derruba' expectativa de crescimento do varejo

Vendas em 2019 tiveram aumento de 6% e a expectativa para 2020 era boa, até que a pandemia chegou e boa parte do comércio fechou

| ACidadeON/Araraquara

Comércio fechado, em quarentena, em Araraquara (Foto:Amanda Rocha)
 
A crise provocada pela pandemia global do novo coronavírus deve causar um grande impacto no faturamento do varejo araraquarense em 2020, segundo estimativa do Núcleo de Economia do Sincomércio.  

De acordo com o cenário projetado pela Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) ao final de 2019, a inflação deveria permanecer estável este ano, com tendência de aumento nas vendas locais, que poderiam atingir ganhos reais de até R$ 22,3 bilhões.  

"Projeção seguia a linha de inflação baixa, mas não havia o coronavírus, que mudou totalmente este panorama", diz João Delarissa, pesquisador do Núcleo de Economia do Sincomércio Araraquara.  

Agora, o cenário apresenta o que os economistas chamam de choque de oferta e demanda, que é uma adversidade que afeta a produção e o consumo na atividade econômica.  

"Do lado da produção, a indústria brasileira sofre com a falta de peças, principalmente para dispositivos eletrônicos, enquanto que no lado do consumo a pandemia gera consequências que desfavorecem o comércio e as transações, pois requer isolamento social", comenta o pesquisador.  

Incertezas e ajuda do Governo
Com o elevado nível de incerteza, há a deterioração das expectativas das famílias e dos empresários, que buscam proteção adiando decisões de consumo e investimento, afetando diretamente a economia. Apenas os segmentos que trabalham com produtos básicos, como alimentos, itens de higiene pessoal e medicamentos, devem registrar índices positivos. Os demais devem sofrer redução expressiva nas vendas, como bens duráveis e semiduráveis (roupas, acessórios e eletrodomésticos).  

Dentro desse novo contexto, o papel do setor público deve ser fundamental para a retomada da estabilidade. "O avanço das reformas estruturais proveria maior segurança interna para aumento dos investimentos e a redução do desemprego. Enquanto que medidas temporárias para amenizar os impactos do novo Coronavírus devem ser utilizadas, principalmente auxílios aos grupos sociais mais vulneráveis. Com a dissipação do vírus, essas precauções fariam os níveis de atividade retornar com maior vigor, fomentando o crescimento econômico", acrescenta Delarissa.  
 
Antes da crise, cenário era positivo
Segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, que é organizada pela FecomercioSP, o varejo araraquarense encerrou 2019 com crescimento de 6% em relação a 2018, atingindo faturamento real de R$ 21,12 bilhões. O resultado é apurado com base nos dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e superou as estimativas de crescimento para o período em aproximadamente R$ 1,2 bilhões.  

"Os dados de faturamento mostram que 2019 foi melhor do que esperado. A expectativa era de 5% de crescimento e tivemos um aumento maior", afirma Delarissa.  

Comparando 2019 e 2018, apenas o mês de março teve decréscimo nas vendas. "Todos os meses de 2019 foram melhores, especialmente o último trimestre".  

"Na análise conjunta de todas as atividades, houve crescimento de 27% no período, com destaque para os setores de eletrodomésticos e eletrônicos, supermercados e lojas de vestuário e calçados. Em dezembro, houve faturamento 28% acima da média dos 11 meses anteriores", finaliza Delarissa.

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