Com renda comprometida e sem emprego, consumidor não quer gastar

Pesquisa mostra que população está insegura diante do momento econômico e político

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Da reportagem
Consumidores estão 'tímidos' quando o assunto é gastar dinheiro


Com a renda comprometida e muitas vezes sem emprego, o consumidor de Araraquara não está querendo gastar. É o que mostra o primeiro resultado do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), pesquisa inédita que começa a ser realizada pelo Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara).

A economista Délis Magalhães explica que o índice varia de 0 a 200 pontos, sendo que a partir dos 100 é identificado otimismo entre os consumidores e abaixo dos 100 significa pessimismo.

Em abril, o ICC ficou em 93,3 pontos, ou seja, abaixo da linha de otimismo. Em maio, o índice caiu para 85,1 pontos, uma redução de 8,7% com relação ao mês anterior. O principal motivo dessa piora foi uma queda no índice de expectativas futuras, que diminuiu 12,3% em relação ao mês anterior, caindo de 115,5 pontos para 101,3.

“O resultado demonstra que o consumidor está inseguro diante das mudanças econômicas e políticas no Brasil. As propostas de reforma na legislação trabalhista e previdenciária representam um dos principais motivos para gerar a queda na confiança”, afirma Délis.

A percepção da população sobre suas condições econômica atuais manteve-se praticamente estável nas duas medições e foi o que mais influenciou para puxar o ICC para baixo. Em abril, a pontuação foi de 59,9 e em maio 60,9. “A maioria das famílias permanece com a renda comprometida. A dificuldade em conseguir emprego é um dos principais fatores que compromete o avanço do índice, uma vez que interfere diretamente na renda familiar. Uma recuperação da confiança só ocorrerá por meio de uma melhora efetiva no poder de compra do consumidor”, analisa a economista.

Pesquisa
A pesquisa é segmenta por sexo e renda e o cálculo do índice considera duas variantes importantes, que são as condições econômicas da população no presente e as expectativas que ela tem para o futuro. A partir de agora, a pesquisa será feita todo mês pelo Núcleo de Conjuntura do Sincomércio.

“O comerciante já instalado na cidade, assim como o empresário que quer investir aqui, precisa conhecer a realidade local, as características econômicas e as condições da população. O índice traz a análise do cenário local ao mostrar se o consumidor está retraído ou intencionado ao consumo. Isso permite que o empresário faça uma condução positiva do seu negócio. É uma ferramenta importante tanto para o poder público quanto para a iniciativa privada”, diz Antonio Deliza Neto, presidente do Sincomércio.


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