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FaroFino: Trabalhadores pressionam e vencem 'primeiro round' de crédito para viabilizar Estrela

Em sessão tumultuada na Câmara, funcionários do DAAE se mantiveram firmes para impedir que proposta fosse apreciada pelos vereadores; confira tudo o que ocorreu

| ACidadeON/Araraquara

 

Primeiro round
Com gritos de ordem como "o DAAE unido, jamais será vencido", trabalhadores travaram uma espécie de duelo com vereadores na sessão ordinária desta terça-feira (07) na Câmara de Araraquara e saíram vitoriosos com a suspensão dos trabalhos no Legislativo. O encontro dos vereadores teve diferentes momentos de tensão e foi encerrado pelo presidente Jéferson Yashuda Farmacêutico (PSDB) às 00h59 já na quarta-feira (08), por falta de segurança.

O estopim
A confusão teve início quando o líder do Governo na Câmara, Paulo Landim (PT), após o encerramento da Tribuna Popular, solicitou a inversão de pauta e a apreciação do item número cinco como o primeiro ponto de discussão. Tratava-se do projeto enviado pela Prefeitura de Araraquara que prevê a abertura de crédito no orçamento do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE), no valor de R$ 6,8 milhões de reais. A alteração e o ingresso do projeto caiu como uma bomba no plenário.

Temperatura subiu
Com as galerias lotadas e presença numerosa de trabalhadores da autarquia, pouco a pouco a temperatura subiu, sendo necessária a primeira suspensão da sessão. A cada orador que tentava defender sua posição não conseguia falar, travando em Elton Negrini (PSDB) que seria o terceiro inscrito. O público presente, ciente de que poderia ter manobra para encerrar a discussão mesmo expediente usado na sessão do dia 17, quando o projeto entrou na pauta e foi aprovado sem debate dos vereadores , por meio do artigo 229 do Regimento Interno da Casa, fez de tudo para impedir que os inscritos pudessem fazer uso da palavra.

Teve PM e Guarda Municipal

Por causa do clima tenso entre vereadores e funcionários, a Guarda Municipal foi acionada para prestar apoio, além de um destacamento da Polícia Militar. Os guardas locais se dividiam nas galerias e entrada do público, já os militares ficaram o tempo todo no corredor dos vereadores e na porta do plenário para garantir que não houvesse acesso de nenhum dos manifestantes.

Vistas, suspensão e encerramento

Sucessivos pedidos de encerramento da sessão foram encaminhados e votados. Ao todo foram quatro pedidos, colocados em apreciação ao plenário e negados. Depois disso, apelou-se para pedidos de vistas do projeto. Primeiro de dez dias, depois cinco, quatro e três. Todos rejeitados pelo placar de 11 a 6. A sessão também foi suspensa para que os vereadores pudessem dialogar cinco vezes, sendo a última pausa, iniciada às 22h46 e encerrada somente as 00h56.

Boquinha
Neste meio tempo, pausa para a pizza. Funcionários do DAAE fizeram uma vaquinha e pediram dez pizzas para aguardarem o desfecho da sessão. Enquanto alguns vereadores discutiam a polêmica da noite, outros acompanhavam os trabalhadores na boquinha. Ao retornar, nova tentativa de fala do vereador Elton Negrini, sem sucesso. Com isso, a sessão foi encerrada, por falta de segurança.

Diálogo
Ao final da sessão, o presidente da Câmara, Jéferson Yashuda Farmacêutico (PSDB), afirmou que tentou de todas as formas garantir que os vereadores tivessem autonomia para discutir e votar o projeto. Ele afirmou ainda que está no regimento a possibilidade de esvaziar o plenário, porém, não teria usado do instrumento em respeito aos trabalhadores. "A gente tentou de todas as formas garantir que a sessão pudesse transcorrer e os vereadores tivessem autonomia para poder efetuar o seu voto. Interrompemos várias vezes a sessão, vim e conversei com os manifestantes pedindo para que eles respeitassem a fala dos vereadores e infelizmente não houve possibilidade", afirmou.

Convite
A todo momento os funcionários chegaram a convidar os vereadores para ir até o DAAE conferir a situação da autarquia. O presidente da Casa, afirmou que deve ir nesta quarta-feira (08) acompanhar o trabalho realizado no local. "O que foi pedido a mim é que eu fosse até o DAAE acompanhar com eles como é o dia-a-dia e eu vou para lá para conhecer a realidade e reivindicação deles. O que eles pediram é que nós pudéssemos ouví-los, visualizar a situação da autarquia e as condições de trabalhos deles. É no diálogo que pretendemos encaminhar o processo", defendeu Yashuda.

Buzinaço
A sessão ordinária terminou em comemoração, alegria e buzinaço. Em plena madrugada, no Centro de Araraquara, ao sair da Câmara, os trabalhadores comemoravam o fim da sessão e a vitória parcial com uma espécie de buzinaço pelas ruas centrais, próximo ao Legislativo.