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Eleições

'O centro da tática eleitoral é a eleição de Lula para presidente', defende Edinho Silva

Prefeito de Araraquara defende candidatura a presidente, confirmada no último sábado em convenção nacional do PT; candidatura é imersa a dúvidas, afirma especialista

| ACidadeON/Araraquara

Edinho Silva defende a candidatura de Lula como saída para PT defender legado nas urnas. (Amanda Rocha/ACidadeON)
 

Com a confirmação da candidatura a presidente de Luiz Inácio Lula da Silva, durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores, no último sábado (04), o prefeito de Araraquara e ex-ministro Edinho Silva (PT), em entrevista exclusiva ao ACidadeON, avaliou a conjuntura política criada com o lançamento da candidatura do ex-presidente, preso há quatro meses, em Curitiba.  

De acordo com o líder araraquarense, o centro da tática eleitoral do partido deve ser a defesa irrestrita da candidatura do ex-presidente até as últimas consequências. Ele afirma ainda que não enxerga um plano B para o partido, a não ser a defesa do projeto construído pela legenda nos últimos anos no País.  

"É preciso utilizar o espaço da eleição para que Lula possa se defender e ter o espaço necessário para contradizer todas as acusações que foram feitas contra ele. Além disso, é preciso defender o legado de oito anos de Governo Lula e quase seis anos de Governo Dilma, que foi interrompido com o golpe institucional", afirmou Silva.  

Para Edinho, que foi ministro no Governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o espaço das eleições é privilegiado e é preciso ir para o embate jurídico necessário para a manutenção da candidatura do ex-presidente Lula. "O espaço eleitoral é privilegiado e espero que ele [Lula] possa defender o projeto de País que implementou em oito anos de Governo e também fazer a defesa de sua inocência", finalizou o líder petista em Araraquara.  

Candidatura imersa em dúvidas, afirma cientista político Bruno Souza da Silva
A confirmação da candidatura de Lula à presidência está imersa em dúvidas. Até mesmo os apoiadores sabem que a possibilidade de logo ser impugnada é um dado da realidade. Trata-se apenas de uma questão de tempo. O dilema dentre os correligionários e apoiadores do ex-presidente é de outra ordem: quem indicar como substituto em tempo hábil às vésperas das eleições? Haddad é indicado como favorito, embora os partidários saibam que o processo de transferência de votos não é tão simples assim. Insistir no nome de Lula faz sentido quando se olha não para a presidência, mas para os palanques nos estados e a composição dos legislativos estaduais e federal.   

O xadrez político envolve múltiplas jogadas que exigem forte coordenação partidária. Realizar uma campanha com o nome colado à Lula tem o bônus da sua popularidade (embora muito desgastada, mas ainda forte em vários lugares). Em alguns contextos é a única alternativa para o partido manter o seu tamanho a nível nacional. Em 2016 a quantidade de prefeituras perdidas, a evasão de membros do partido e a diminuição na casa de milhares de vereadores pelo país já mostrou o grande desafio que teria à frente, agora em 2018. Desde 2002 o partido veio em processo de crescimento.  

Hoje, é um dos que possui maior bancada na Câmara dos Deputados, tempo de rádio e televisão para propaganda eleitoral e fatia do Fundo Eleitoral e Fundo Especial de Financiamento de Campanhas. Manter-se grande é muito difícil em um contexto pós-Lava Jato. Aos prefeitos do partido espalhados pelo país e lideranças, resta defender Lula e apoiá-lo. É o preço de não se ter desenvolvido uma nova liderança eleitoralmente forte ao longo dos últimos anos. Mas isso não é exclusividade do PT. Basta olharmos para o quadro de postulantes à presidência para logo iniciarmos a tarefa de achar uma agulha no palheiro.