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'Nova' Câmara de Araraquara terá dois vereadores negros

Não há levantamento histórico da representação, porém, a partir de 2021 serão dois representantes

| ACidadeON/Araraquara

 

Câmara Municipal de Araraquara elegeu três negros a menos que em 2016 (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Não há um levantamento histórico de representatividade negra no Legislativo de Araraquara. Mas, a partir de 1º de janeiro de 2021, a Câmara terá dois vereadores negros - três a menos do que na atual legislatura.  

Na eleição de 2016, Édio Lopes (PT), Toninho do Mel (PT), Zé Luiz (Cidadania) e Pastor Raimundo (Republicanos) se declaram pardos, além de Thainara Faria (PT) autodeclarada preta. O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) entende por negro a junção dos pretos e pardos.  

Faria será mais uma vez uma destas vozes em 2021. Vereadora mais votada, com 1.838 votos, ela justifica que eleger mulheres, negros ou LGBT não significa defender as mesmas pautas.  

"A Câmara Municipal passada, com a composição que vai até 31 de dezembro deste ano mostrou isso. Quantidade não é qualidade, mas precisamos de representatividade. E na representatividade não basta apenas ser negro. Precisamos defender as pautas raciais, lutar contra a discriminação, pela ampliação de direitos, porque nós temos e vivemos em um país com mais de 380 anos de escravização do povo negro, com uma abolição que nos levou as periferias, os subempregos, e isso se reflete nos nossos dias com o preconceito", afirma.  

Outra voz é a de João Clemente, eleito com 1.127 votos. O tucano afirma que a sociedade araraquarense e a comunidade negra da cidade devem trabalhar para criar candidaturas e mandatos comprometidos com a questão racial no Brasil e na cidade.  

"Tenho repetido que não sou o começo de nada, mas sou a continuidade de tantos outros trabalhos e projetos que existem em Araraquara nesse sentido. Logo, se a Câmara Municipal existe para representar os anseios dos munícipes, a questão racial também é um atributo que precisa ser levado em consideração na hora do voto, porque ela dá voz e vez a uma demanda que existe na sociedade", opina.  

Thainara Faria ressalta que ter João Clemente no Legislativo deve contribuir com o combate a discriminação racial e, com isso, a Câmara ganha. "Nós precisamos ampliar, pensar uma Câmara onde nós tenhamos apoio nos momentos em que precisarmos votar questões voltadas a pauta racial", ressalta.  

OS DESAFIOS
Questionada sobre os desafios para ampliar a representatividade na política, Thainara afirma que "as lutas serão grandes". "Estamos apontando para um 2022 onde as eleições nacionais terão mais uma vez um presidente racista, lgbtfóbico e machista concorrendo, e precisamos de Câmaras Municipais capazes de combater esse tipo de discurso", justifica.  

Já João Clemente ressalta que há uma necessidade de se continuar incentivando outras candidaturas. Segundo ele, há mazelas por causa da questão racial e avanços que não podem ser descuidados, mas ampliados.  

"Eu repito, não sou o começo de nada, sou a continuidade de vários outros trabalhos que já aconteceram em Araraquara, inclusive na legislatura atual que se encerra. E isso nos dá esperança de falar com outras pessoas com outras perspectivas de poderem ocupar também um lugar na sociedade", finaliza.  

NAS URNAS
Nas eleições 2020, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 435 pedidos de registros de candidaturas em Araraquara 11,72% dos postulantes se declararam pretos, enquanto 14,71% se declararam pardos - 73,56% declaram ser brancos.

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