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Argentina ressuscita na Copa e pega a França nas oitavas

No sufoco, zagueiro Rojo marca gol da vitória argentina nos minutos finais da partida contra a Nigéria e garante a classificação do time

| Folha Press

Rojo comemora com Lionel Messi o gol salvador contra a Nigéria (Foto: Michael Sohn / Associated Press / Estadão Conteúdo)
 

De todos os 23 convocados por Jorge Sampaoli para a Copa do Mundo na Rússia, nenhum era tão pouco candidato a herói quanto Marcos Rojo. Discreto, questionado e reserva no Manchester United, ele talvez nem devesse estar na Rússia.  

Mas foi o zagueiro quem, aos 41min do segundo tempo da partida contra a Nigéria e com a Argentina então eliminada da Copa do Mundo, fez um gol de centroavante. Messi pulou em suas costas, não acreditando, na comemoração. O gol de Rojo decretou a vitória sul-americana por 2 a 1.  

Como um defensor que foi sacado do time após a estreia se transformou no artilheiro salvador é uma história que resume um Mundial que é improvável para a Argentina, que agora enfrenta a França no sábado (30), às 11h, em Kazan, pelas oitavas de final.  

A Argentina entrou em campo com um plano de jogo. Isso já era mais do que tinha mostrado até agora na Copa. Com a presença de Banega no meio-campo, Messi tinha alguém com quem tabelar, embora tenha passado boa parte do primeiro tempo aberto pelo setor direito do ataque.  

Quase tudo o que aconteceu de bom para a Argentina nos primeiros 45 minutos foi pela presença de Banega em campo. Pela primeira vez no Mundial a seleção sul-americana tinha um volante capaz de passar a bola com qualidade de distribuir o jogo. Foi de Banega o passe que achou Tagliafico na área para o lateral chutar para fora.   


Foi o meia que azeitou as jogadas em profundidade com que Di María e Tagliafico incomodaram a marcação de Balogun, que recebeu cartão amarelo após lançamento de Banega deixaria Di María sair na cara do gol se o zagueiro nigeriano não tivesse cometido a falta.  

Mas, principalmente, foi o armador do Sevilla quem fez o passe que permitiu a Messi ser Messi pela primeira vez na Copa do Mundo da Rússia. O domínio em velocidade e o chute forte com a perna direita fizeram explodir os milhares de argentinos no estádio em São Petersburgo.  

A Nigéria esperou demais. Acreditava que os erros de passes e o nervosismo do rival dariam chance para acionar a velocidade de Musa nos contra-ataques. As saídas de bola equivocadas da Argentina aconteceram, mas os africanos não tiveram competência para incomodar o gol do estreante Franco Armani.  

A preocupação das duas seleções estava também em torcer para a Croácia contra a Islândia e os torcedores se perguntavam o placar do confronto em Rostov.  

A Argentina poderia até ter ido para o vestiário mais relaxada com o seu placar em São Petersburgo, e menos tensa com o que a Islândia poderia fazer, se a falta cobrada por Messi não tivesse batido na trave.  

O problema era que a equipe de Messi, na Copa do Mundo, parecia ser o boxeador com queixo de vidro. No momento em que alguma coisa dava errado, se desfazia em campo. Isso aconteceu aos cinco minutos do segundo tempo, quando o árbitro turco Cuneyt Çakir marcou pênalti de Mascherano sobre Balogun. Moses converteu.  

Com a velocidade de Musa, a Nigéria ameaçava fazer o segundo e a Argentina se desesperou. Sampaoli não ajudou em nada ao deixar Di María em campo por tempo demais. No segundo tempo, ele se escondeu em campo. Em vez de tirá-lo para a entrada de Pavón, o treinador sacou Enzo Pérez. A seleção ficou desequilibrada.  

Quando Di María saiu, não foi para a entrada de Dybala, como se imaginava. Mas de Meza. A Nigéria perdeu uma chance incrível com Ighalo. A Argentina devolveu com Higuaín chutando por cima do gol sozinho na área, em mais um lance perdido para a lista do atacante em jogos decisivos.  

Mas mais do que isso, a Argentina procurava Messi e só Messi. E nem Messi parecia capaz de evitar a eliminação precoce. Até que apareceu Marcos Rojo. 

Arte: Gaspar Martins / A Cidade

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