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Infestação de gafanhotos na Argentina: O que precisamos saber.

Esses gafanhotos têm como característica serem migratórios e de se deslocar em bandos.

| ACidade ON

A nuvem de gafanhotos que paira sobre o céu argentino e pode se deslocar rumo ao Rio Grande do Sul não é um fenômeno novo. Na literatura, há relatos de acontecimentos como esse em diversos locais do mundo, inclusive aqui no Brasil.  

Quem são esses insetos?

A espécie de gafanhoto é a Schistocerca cancellata (Serville, 1838). As grandes tendências migratórias desse Orthoptera deixam margem para dúvidas sobre o seu estado real de distribuição. Registros apontam que S. cancellata é adaptada às regiões áridas e semiáridas da Bolívia e Paraguai. Quando da existência de condições climáticas favoráveis ocorre a procriação bem-sucedida, seguida da formação de nuvens que podem migrar para regiões de cultivo.  

S. cancellata é bem conhecida por formar surtos na Argentina, tanto que os artigos que aparecem são exatamente sobre isso, inclusive desde 1990.   

A espécie pode voar cerca de 150 quilômetros por dia e depositar no solo de 80 a 120 ovos. Esses gafanhotos têm como característica o fato de serem migratórios. Soma-se a isso o comportamento gregário, ou seja, de se deslocar em bandos. 

(Gafanhoto - Schistocerca cancellata) Foto: Claudio Alejandro Maureira Rosales. Todos os direitos reservados.
Esse gregarismo é uma resposta a características da genética da espécie, interagindo com aspectos do ambiente e do clima. O fato de possuírem uma mandíbula muito robusta lhes permite consumir uma folha em questão de segundos. Os S. cancellata podem medir de quatro a seis centímetros, no caso dos machos e fêmeas, respectivamente. 

Os gafanhotos normalmente completam uma ou duas gerações por ano. Raramente as chuvas de inverno caem e estendem as condições favoráveis, permitindo três gerações por ano. Os surtos sempre apresentaram quedas e se normalizaram após tempos de estações secas, podendo levar de dois a cinco anos para toda a população desses gafanhotos se normalizar.  

A espécie já invadiu o Sul do Brasil em 1938, 1942 e 1946, causando grandes prejuízos à agricultura (cerca de dois milhões de toneladas de cereais foram perdidos). Para o Ministério da agricultura, o máximo que deve acontecer é isso: prejuízo na agricultura.  

A previsão do MAPA (Ministério da Agricultura e Abastecimento) é de que os insetos não vão afetar os estados do Sul. O MAPA também divulgou um manual técnico de orientações sobre as ações de controle da praga adaptado às condições do Brasil e respaldado por dados científicos, com a devida capacitação dos agentes envolvidos em um eventual surto da praga no país.  

Há riscos?  

Podemos ver a maioria das pessoas com medo desses gafanhotos, porém esses indivíduos não possuem ferrão, não são venenosos e só mordem se forem importunados. Apesar de não oferecerem perigo à saúde humana, os gafanhotos são altamente prejudiciais às lavouras. Eles são vorazes pelos alimentos vegetais e colocam em risco, principalmente, as lavouras permanentes de oliveiras, as hortaliças e, eventualmente, plantações de trigo, aveia e cevada.  

Outro fato importante é que uma frente fria chegou recentemente ao Rio Grande do Sul, e como os gafanhotos são adaptados a climas secos e quentes, as chances de a nuvem chegar ao Brasil diminuíram ainda mais.  


 

Bibliografia consultada:
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/monitoramento-indica-que-nuvem-de-gafanhotos-nao-entrou-no-brasil/copy_of_Manualcontrolegafanhotos.pdf  

Michel Lecoq. Gafanhotos do Brasil: Natureza do problema e bibliografia 1991, Embrapa.
Hunter & Cosenzo 1990. The origin of plaguesand recent outbreaksofthe South American locust, Schistocerca cancellata (Orthoptera: Acrididae) in Argentina. BulletinofentomologicalResearch 1990, 80, 295-300.
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