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Seu animal pode estar sofrendo de uma doença psicológica

Os animais domésticos podem desenvolver doenças por estresse, falta de atenção ou carências não atendidas. Mas quais são essas doenças e como acontecem?

| ACidade ON

Infelizmente, nem os animais de estimação estão ilesos às doenças psicológicas.
Os animais domésticos podem desenvolver doenças por estresse, falta de atenção ou carências não atendidas.
Mas quais são essas doenças e como acontecem?
Existem diversos transtornos psicológicos que afetam a vida das pessoas em sociedade, mas isso todo mundo já sabe. O que talvez você não saiba é que alguns desses transtornos podem atingir também os animais de estimação.  



Os problemas mais comuns são a gravidez psicológica (ou pseudociese), a lambedura por estresse, distúrbios relacionados à agressividade canina e, em alguns casos, a roedura de móveis e paredes.

Gravidez Psicológica  

Pode ocorrer com relativa frequência em cães, especialmente nos de pequeno porte.
A veterinária Edna Sayuri Matsuoka explica que a pseudociese acontece normalmente 2 meses depois do cio, havendo ou não o cruzamento com um macho. Os sintomas variam muito, e podem incluir o aumento do volume do ventre, produção de leite e alterações no comportamento, como irritação e agressividade, como se a fêmea estivesse protegendo seus filhotes.

Aliás, o animal não apenas protege essas "crias" (que podem ser objetos de qualquer natureza, como garrafas pet ou sapatos), mas adota e cuida desses objetos como verdadeiros filhotes, levando-os para o ninho e os amamentando. "Caso esses episódios tornem-se frequentes, é recomendável castrar a fêmea para evitar o risco de hiperplasia do endométrio e piometra, que são quadros graves se não forem diagnosticados a tempo", explica Edna.
Hiperplasia do endométrio é o aumento do volume do tecido que reveste o útero e permite que o óvulo se prenda e cresça como embrião, e piometra é um quadro infeccioso, em que o útero é contaminado por bactérias e passa a acumular secreção purulenta.

Tais quadros, se não diagnosticados a tempo, podem comprometer a integridade física do animal. "Nesses casos, o tratamento é cirúrgico, ou seja, consiste na retirada do útero e dos ovários, portanto a recomendação é a da castração preventiva, a fim de não submeter o animal a uma cirurgia de emergência", completa.

A lambedura por estresse  

A lambedura por estresse também é frequente nos dias de hoje. Ocorre em cães já que, ao contrário dos gatos, são animais muito agitados e não suportam o tédio facilmente. "A escolha inadequada de uma raça por parte das pessoas, muitas vezes, é um fator determinante", comenta a veterinária.

A recomendação é de que sempre se pesquise sobre as características do cão antes de adquiri-lo, de modo que os mais bagunceiros, como labradores ou beagles, não sejam adotados por pessoas com pouca disposição ou tempo para dedicar aos animais. Afinal, enquanto filhotes, todos os pets são fofos e meigos, porém somente mais tarde mostram seu verdadeiro perfil. Cães de caça e pastores são agitados, cães de companhia têm a necessidade da presença do dono e cães grandes precisam de muito espaço.

Dependendo do que estiver faltando ao cachorro, seja atenção, algo para se ocupar ou espaço, ele pode desenvolver a síndrome. "Eles acabam se mutilando ao se lamber e formam feridas que não cicatrizam, muitas vezes no intuito de chamar a atenção do proprietário, ou mesmo levados pelo próprio tédio", diz a veterinária.
Ao ver que o animal apresenta feridas que não fecham, recomenda-se que um veterinário seja consultado antes de qualquer decisão, para que outras patologias (tais como dermatites) sejam excluídas ou diagnosticadas e tratadas.

Há ainda muitos outros transtornos, como a agressividade canina (que pode decorrer de problemas em sua criação e sociabilização, ou mesmo da sua índole), a perseguição da própria cauda (normalmente associada a algum processo doloroso ou de coceira intensa) e a roedura de móveis (que pode ser uma deficiência nutricional ou um indicativo de estresse, tédio ou carência).

Situações em que você deve ficar atento 

É importante prestar sempre muita atenção ao animal, perceber quais são seus hábitos normais e quando há algo de errado.
Se um cão passa a latir mais, ou se um gato passa a miar com mais frequência, deve-se entender quais são as razões.
E sempre que houver feridas ou qualquer alteração física ou comportamental, é indispensável procurar um veterinário.

Você pode facilitar a vida do seu pet. Por isso, é importante conhecer as características de uma animal, antes de adquiri-lo.

Tudo isso evita que ele desenvolva patologias decorrentes da falta de atenção ou de necessidades não atendidas, além de favorecer um melhor relacionamento com os pets.

  

foto: Leila Penteado

Texto: Luisa Dentello

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