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Cineclube do CDCC apresenta obras de Charles Chaplin em maio

As sessões acontecem em todos os sábados do mês e são gratuitas

| ACidadeON/São Carlos

Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP em São Carlos

 
Com sessões gratuitas aos sábados, às 20 horas, o Cineclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP, em São Carlos, promoverá no mês de maio de 2018 o Ciclo: Chaplin após Carlitos.

Charles Chaplin ficou mundialmente conhecido por seu personagem Carlitos. No entanto, em seus últimos filmes o ator britânico abandonou o "Vagabundo" para dar espaço aos filmes falados, em que criticava abertamente a sociedade. Tal atitude provocou seu exílio dos EUA e o cineasta se viu obrigado a concluir seus dois últimos filmes na Inglaterra.

Esse Ciclo programado pelo Cineclube CDCC é dedicado aos últimos quatro longas dirigidos por Chaplin, que cobrem duas décadas de sua carreira (1947 a 1967), mostrando uma face diferente do habitual palhaço.

05/05 MONSIEUR VERDOUX  

Monsieur Verdoux, EUA, 1947, Comédia, 124 minutos
Direção: Charles Chaplin  
Elenco: Charles Chaplin, Martha Raye, Mady Correll  

Após trabalhar por 35 anos em um banco francês, Henri Verdoux viu-se desempregado em meio à mais grave crise econômica mundial, a Grande Depressão. Com uma mulher cadeirante, um filho pequeno e prestes a perder tudo o que tem, ele encontra uma solução: liquidar mulheres de posse. Monsieur Verdoux seduz mulheres ricas de meia-idade, casa-se com elas e depois assassina-as, ficando assim com toda a herança. Parte do dinheiro é usado para manter sua família e pagar sua casa, e a outra parte é investida em ações. Entre as dificuldades enfrentadas está a polícia, que desconfia de assassinatos em série. Outro desafio é manter as falsas histórias contadas para cada esposa e evitar que elas se encontrem, arruinando assim seu golpe.  

Esta obra de Charles Chaplin foi baseada na história do francês Henri Desiré Landru (1869-1922), um lendário assassino que escolhia suas vítimas, mulheres viúvas ou separadas, através de anúncios em jornais, atraindo-as com a intenção de casar-se. Landru foi considerado culpado por roubo e assassinato de 10 mulheres, mas passam de 200 o número de vítimas. Chaplin também aproveitou esta figura polêmica para denunciar o sistema capitalista da época que, em nome do lucro máximo, penaliza a população.  

O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1948, mas perdeu para The Bachelor and the Bobby-Soxer de Sidney Sheldon. Ganhou também cinco prêmios: Melhor Filme em Língua Estrangeira no Blue Ribbon Awards e no Kinema Junpo Awards em 1953; Melhor Filme Americano no Bodil Awards em 1949; Melhor Filme dos EUA e Top Ten Filmes no National Board of Review em 1947.  

Mariana Castro de Souza
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Humor negro

12/05 LUZES DA RIBALTA  

Limeligth, EUA, 1952, Drama, 137 minutos
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Claire Bloom, Buster Keaton  

Londres, 1914. Calvero, um palhaço de muito sucesso no passado, vive um momento de decadência em sua carreira achando-se engraçado apenas quando bebe. O palhaço alcoólatra agora sonha em voltar aos palcos, e reconquistar os risos de seu público. Em um fim de tarde, ao chegar na pensão onde mora, bêbado, sente um forte cheiro de gás vindo de um dos quartos. Ao arrombar a porta do quarto, encontra a jovem Thereza "Terry" Ambrose inconsciente. Calvero então a leva para seu quarto, chama um médico e faz de tudo para que a moça se recupere. Quando a jovem desperta, é questionada quanto à tentativa de suicídio. Terry é uma bailarina que sente pânico de se apresentar, o que leva suas pernas a ficarem paralisadas. Doente e deprimida por não conseguir dançar, decide então pôr fim a sua vida. Do auxílio mútuo nasce um romance, embora Calvero se preocupe com a grande diferença de idade. O casal tem a chance de voltar aos palcos juntos no mesmo espetáculo. Enquanto Terry têm um talento promissor, o palhaço precisa retomar a autoconfiança do passado.
Charles Chaplin produziu Luzes da Ribalta em um momento conturbado da sua vida, sofrendo com ataques do governo e imprensa americanos. Com a falta de apoio dos EUA, Chaplin fez apenas exibições particulares e também uma premiére em Londres.  

Embora sua produção tenha sido em 1952, o longa-metragem foi lançado nos EUA apenas em 1973. Concorrendo com O Poderoso Chefão, Trama Diabólica e outros, o filme ganhou o Oscar de Melhor Canção Original. 

Com o visto anulado e impedido de voltar aos EUA, Chaplin foi morar na Europa, onde produziu mais dois filmes, retornando à América do Norte apenas para receber o prêmio da Academia.  

Mariana Castro de Souza
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Vida artística   

Mês de maio é dedicado à obra de Charles Chaplin no Cineclube do CDCC em São Carlos
 
19/05 UM REI EM NOVA YORK  

A King in New York, Reino Unido, 1957, Comédia, 110 minutos
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Maxine Audley, Jerry Desmonde  

Durante a tensa era do Macarthismo, o fictício reino europeu de Estróvia passa por uma revolução popular. O rei deposto Igor Shahdov consegue fugir do pequeno país, com o tesouro nacional, para Nova Iorque. A causa da revolução, aparentemente, se deve a alguns planos propostos pelo rei sobre a utilização de fontes nucleares como energia alternativa e sua negativa em usar esses meios para fazer armas. A intenção de Shahdov é apresentar esses planos para o Comitê de Energia Nuclear e criar uma utopia. No entanto, logo que chega à América, o monarca descobre que teve todos os seus bens roubados por seu primeiro-ministro, e é obrigado a morar no luxuoso quarto de hotel em que estava hospedado com seu embaixador Jaume. Shahdov é muito bem recebido pelos americanos e fica chocado com as peculiaridades da vida em Nova Iorque. Para se sustentar, ele logo começa a participar de propagandas publicitárias, em uma das quais ele conhece Rupert, um jovem filho de comunistas, que mudará drasticamente o destino do rei.  

Charles Chaplin, além de ser, talvez, o cineasta mais conhecido do cinema, foi uma das mais famosas personalidades prejudicadas pela política conhecida como Macarthismo. Durante a Guerra Fria, os EUA resolveram combater internamente qualquer forma de divulgação do Comunismo, levando a prisão vários simpatizantes do regime.  

Enquanto viajava pela Europa divulgando seu filme Luzes da Ribalta, Chaplin, que tinha uma tendência claramente socialista, perdeu o visto americano e não pôde mais voltar para aquele país. Longe de Hollywood, o cineasta dirigiu Um Rei em Nova York, seu último longa como protagonista, que é claramente uma crítica satírica da política americana. O idoso Chaplin que vemos quase não lembra o intérprete do Carlitos, a que estamos acostumados. O humor, no entanto, é inconfundível e mesmo sendo um filme falado, o que mais se destacam é a comédia pastelão e a expressão física do ator, que são seu ponto forte.  

Felipe Augusto Hencklain
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Política

26/05 A CONDESSA DE HONG KONG  

A Countess from Hong Kong, Reino Unido, 1967, Comédia Romântica, 108 minutos
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Marlon Brando, Sophia Loren, Sydney Chaplin  

Infelizmente, na visão de muitos, Charles Chaplin não conseguiu fechar sua carreira com chave de ouro. A Condessa de Hong Kong, último filme do diretor, traz muitas inovações ao seu estilo, mas a premissa é muito batida.
Após a Revolução Bolchevique de 1917, muitas famílias nobres foram destituídas de todos os seus bens e tiveram que fugir da até então Rússia. Algumas jovens dessas famílias foram parar na cidade emancipada de Hong Kong, onde, para sobreviver, acabaram se tornando prostitutas e usando de seus títulos nobres para atrair clientes. Entre essas jovens está Natascha, que resolve começar uma nova vida após conhecer Ogden Mears, petroleiro e político americano. Depois de uma noite da qual nenhum dos dois se lembra bem, Ogden, já a bordo de um navio para os EUA, descobre que a moça se escondeu em sua cabine com a intenção de começar uma nova vida na América. A princípio Mears é hostil com Natascha mas, com o tempo acaba se apaixonando por ela.  

A Condessa de Hong Kong tinha uma verdadeira constelação em seu elenco. Os protagonistas, Marlon Brando e Sophia Loren, estavam no auge de suas carreiras, e o diretor era ninguém menos que Charles Chaplin. Mas esse talvez tenha sido um dos erros na produção do filme. Há relatos de que houve um choque entre os egos de Brando e de Chaplin nos bastidores. Para mim, no entanto, o maior erro é o próprio argumento. A história de um homem e uma mulher que começam hostis um ao outro, mas acabam se apaixonando é tão batida em comédias românticas, que não há nenhuma surpresa no desenrolar do filme. Os bons momentos estão, como sempre, nos traços mais, digamos, chaplinianos, como o humor pastelão de Sophia Loren ou até mesmo a breve aparição do diretor no filme.  

Felipe Augusto Hencklain
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Relações conjugais


O CDCC fica na Rua Nove de Julho, 1227, Centro.

Mais informações:
Tel.: (16) 3373-9772

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