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Cotidiano

Homens têm o dobro de chances de morrer de Covid em São Carlos

Mais da metade das vítimas fatais tinha cardiopatia; já a letalidade dentre pacientes com mais de 90 anos é 30%, segundo a Fundação Seade

| ACidadeON/São Carlos

Homens são maioria entre as vítimas fatais de Covid-19. Foto: Divulgação/Prefeitura
Homens têm o dobro das chances de morrer por Covid-19 na comparação com mulheres em São Carlos. Os dados foram elaborados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e compilados em boletim divulgado pelo governo estadual.

Segundo o órgão do governo do Estado, a taxa de letalidade feminina em São Carlos é de 0,8 para cada cem indivíduos, enquanto que moradores do sexo masculino é de 1,7%. Numa comparação com a média por gênero estadual, o índice fica em 2,3% entre mulheres e 3,6% entre homens.
 
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A desvantagem dos homens no enfrentamento da Covid-19 reflete-se na proporção de vítimas entre os dois gêneros. Eles são 65% e elas, 35%. Em São Paulo, a proporção é 57% e 43%, na ordem. De acordo com o médico epidemiologista e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Bernardino Alves Souto, desde o início da pandemia verificou-se a prevalência masculina entre os mortos.

"Existem algumas diferenças biológicas que podem contribuir para diferenças de gravidade da doença entre homens e mulheres", afirma e prossegue: "Podemos destacar, por exemplo, o fato da exposição, quem sai mais para a rua, movimenta mais no comércio, essas coisas todas são pessoas que têm o risco aumentado de adoecer da Covid e aí a proporção de mortes entre essas pessoas pode ser maior, pois estão mais expostas".

Os dados estatísticos da Fundação Seade representam as proporcionalidades de São Carlos quando o número de mortos estava em 122. No último boletim divulgado pela Prefeitura local, o total de mortos pela doença estava em 137.

Na comparação entre as faixas etárias, em São Carlos, a letalidade, proporção de mortos entre os doentes, chega a 30,2% entre pacientes com Covid com mais de 90 anos. A partir daí vai decrescendo para 15,6% para quem tem de 80 a 89 anos; 9,3% para 70 a 79 anos, 3,5% para 60 a 69 anos. Infectados com 50 a 59 anos têm 0,7% de taxa de letalidade, 0,3% dentre 40 e 49 anos, e 0,1% de 30 a 39 anos. Para quem tem menos de 30 anos, a taxa apresentada pela Fundação Seade é próxima a zero.

Na média do território paulista, feita a comparação com São Carlos, percebe-se que a há maior risco de morte entre os mais velhos, mas também os mais jovens têm índice maior.

A taxa de letalidade é maior entre pacientes com mais de 90 anos: 37,8%. Entre os octogenários, chega a 29,8%. Já os septuagenários, 16,9%; sexagenários, 7,6%; quinquagenários, 2,5%. Para quem tem entre 40 e 49 anos, a taxa estadual é o triplo da local: 0,9%. E entre 30 e 39 anos, chega a 0,4%. Pacientes com menos de 30 anos, a taxa é de 0,1%.

O perfil etário das vítimas de Covid-19 em São Carlos mostra que pacientes com mais de 60 anos, os idosos, são 86% dos que morreram. Já os pacientes na faixa etária de 30 a 59 anos somam 13,9% dos que faleceram e os com 29 anos ou menos, 0,1%.

No Estado, a proporção dos idosos entre os mortos é menor, com 77%. A faixa etária de 30 a 59 anos representa 21,9% dos mortos. Os que têm menos de 30 anos são 1,1% das vítimas fatais.

De acordo com a Fundação Seade, 56,6% dos mortos por Covid-19 em São Carlos tinham algum tipo de cardiopatia. Outros 31,1% das vítimas fatais tinha diabetes e 13,1% pneumopatia. Obesos (2,5%), doença renal (7,4%), imunodepressão (8,2%), asma (2,5%) e doença hepática (1,6%) completam o quadro. Como alguns pacientes têm mais de uma enfermidade, o percentual ultrapassa 100.

"As pessoas com mais de 60 anos e as com doenças crônicas, principalmente se tiverem descontroladas são as que têm maior risco de morrer por Covid-19", relata.

O órgão do governo estadual também possibilita o cruzamento de dados para a obtenção de informações do perfil do paciente diagnosticado com Covid-19. As estatísticas mostram, inclusive, uma prevalência da contaminação entre os mais jovens, mesmo que as vítimas fatais sejam de faixas etárias mais maduras.

Os que têm até 19 anos representam 9,2% dos positivados. Outros 76,7% dos diagnosticados com Sars-CoV-2 tinham entre 20 e 59 anos. A partir daí, os mais velhos têm menor representação entre os pacientes, com 14% do total, apesar de serem 86% dos mortos pela doença.

Neste ano, nove dos pacientes que morreram de Covid-19 tinham menos de 60 anos. O relaxamento da população em relação à quarentena, com jovens se reunindo e tendo a vida praticamente retornando à normalidade, pode aumentar a prevalência dos não idosos entre os mortos por Sars-CoV-2.

"O que se tem comentado mais recentemente é que tem sido mais comum agora do que já foi no começo da pandemia a ocorrência de Covid entre as pessoas mais jovens, inclusive com mais jovens também entre eles". "Isso está sendo levantado e analisado, mas o fator de exposição tem grande probabilidade de ser influente nisso. Os mais jovens têm se exposto mais intensamente ao risco de adquirir o vírus por meio de festas, baladas, reuniões", conclui o epidemiologista.


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