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Espaço do leitor: Há 69 anos nascia Associação Ferroviária de Esportes

Rodrigo (Soró), torcedor apaixonado da Locomotiva, fala sobre o aniversário da Locomotiva Grená

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Ferroviária conquista o acesso em Guaratinguetá, em 2015. (Foto: Arquivo Tetê Viviani)


Em 1950, um grupo de engenheiros e demais servidores da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) reuniu-se no salão de festas do Clube 22 de Agosto. O encontro havia sido articulado pelo engenheiro Antonio Tavares Pereira Lima. Era sua intenção fundar um clube esportivo de empregados da EFA.  

À Pereira Lima se deve a fundação do clube e o nome "Associação Ferroviária de Esportes" (O seu distintivo ficou sendo o mesmo da EFA, porém com as letras ao contrário: AFE). Ele desejava para a AFE as mesmas cores utilizadas pela seleção carioca de futebol (azul "guanabara" e branco). Foi uma confusão danada, já que Pereira Lima encontrou reação à sua idéia.  

Por isso, venceu a combinação grená e branco, idêntica à do Clube Atlético Juventus. Não houve confusão, mas debates a respeito do que melhor poderia representar o clube e venceu, por sugestão de Silvio Barini, a cor grená porque era semelhante àquela que distinguia as locomotivas da EFA.  

Talvez por isso, quando mais tarde fundou a Associação Desportiva Araraquara (ADA), Pereira Lima não abriu mão das suas cores preferidas. Pereira Lima adotou as cores azul e branca para a ADA, resultado da fusão do Paulista FC e do São Paulo de Araraquara, porque são as cores da cidade e era a cor da camisa da Associação Atlética Araraquara que existiu de 1927 a 1930. 

Na mesma reunião que decidiu a cor da camisa, foi aclamada também a Diretoria provisória da Ferroviária, assim constituída: Presidente, Antonio Tavares Pereira Lima; Vice, Hermínio Amorim Júnior; Primeiro Secretário, Jacob Martins; Segundo Secretário, Ciro Campos; Primeiro Tesoureiro, Augusto Campos e Segundo Tesoureiro, Lázaro Ferreira de Almeida Júnior. Obtida a área de terreno, foi iniciada a construção do estádio de futebol, que mais tarde levaria o nome "Estádio Doutor Adhemar de Barros", em homenagem ao conhecido político. Hoje, popularizou-se chamar o estádio da "Fonte Luminosa".  

Time da Ferroviária, Tri Campeão do Interior, em 1969. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 1951, logo no ano seguinte ao de sua fundação, a Ferroviária já disputou a sua primeira competição oficial. Foi o Campeonato Paulista da Série A2, onde ficou em 3° lugar de 11 clubes que disputavam o grupo da Zona Central, não conseguindo a vaga para a próxima fase.  

Mas em 1955, o sonho araraquarense enfim se torna realidade. Depois de liderar seu grupo na 1ª fase, a Ferroviária disputou a 2ª Fase com mais 7 times já no ano de 1956. No dia 16 de abril de 1956, a Ferroviária goleou seu maior rival, o Botafogo de Ribeirão (2° colocado) por 6 a 3, num jogo histórico realizado na Fonte Luminosa lotada. Com esse resultado, a Ferroviária garantiu o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista e conquistou seu primeiro título na história. Inaugura-se um novo capítulo na história do time grená.  

Entre os anos de 1967 e 1969, a Ferroviária viveu talvez a maior era de sua história. Na época, o jornal Folha de S. Paulo premiava a melhor equipe do interior no Campeonato Paulista com um troféu. E a Ferroviária conquistou a taça durante 3 (três) vezes consecutivas (1967-1968-1969), tornando-se tricampeã do interior e ficando com a posse definitiva do valioso troféu. Na campanha de 1967 (6º lugar no Campeonato Paulista), os maiores resultados foram as vitórias dentro da Fonte sobre o São Paulo, por 1 a 0, e sobre o Palmeiras, por 2 a 0.  

Na campanha de 1968 a AFE terminou o Campeonato Paulista em 3º lugar, atrás apenas de Santos e Corinthians. Foram 11 vitórias, 8 empates e 7 derrotas no Paulistão. Na campanha histórica, venceu 2 (duas) vezes o São Paulo: 2 a 1 fora e 3 a 1 em casa. Também goleou o Palmeiras, por 3 a 0 na Fonte, e o Corinthians, por 4 a 1 dentro do Pacaembu. Para coroar o feito, em amistoso realizado na cidade de Araraquara em 09/06/1968, a Ferroviária massacrou o Nápoli da Itália, goleando por 4 a 0. A conquista definitiva do Troféu Folha de S. Paulo veio em 1969, com o tricampeonato do interior. Na ocasião, a Ferroviária terminou na 6ª colocação, passando por cima de todos os 4 (quatro) grandes de São Paulo na Fonte Luminosa, durante a campanha: 1 a 0 no São Paulo, 2 a 1 no Palmeiras, 2 a 1 no campeão Santos e 2 a 1 sobre o Corinthians.  

No ano de 1980, a Ferroviária não fez uma campanha brilhante no Campeonato Paulista, terminando a competição na 13ª colocação. O grande resultado da campanha foi a vitória sobre o Palmeiras por 2 a 0 dentro do Parque Antártica. Todavia, foi justamente em 1980 que a Ferroviária disputou pela primeira vez uma competição nacional oficial, qual seja, o Campeonato Brasileiro da Série B (denominado na época de Taça de Prata).  

Em 1983 disputou a série A do Campeonato Brasileiro de 1983 e ficou entre as 8 melhores e assustou o Brasil.
Já em 1985, a camisa grená novamente brilhou, desta vez no Campeonato Paulista. A Ferroviária terminou o 1º turno em 10º lugar, com direito a uma importante vitória sobre o Corinthians, por 2 a 1, na Fonte Luminosa. Já no 2º turno, a Ferroviária terminou na honrosa 3ª colocação, tendo ganho do Santos por 1 a 0, na Fonte Luminosa. No somatório dos dois turnos, a Ferroviária terminou em 4º lugar, carimbando o passaporte para a semifinal do Paulistão e deixando a cidade de Araraquara em festa. Na primeira semifinal, o São Paulo acabou passando pelo Guarani. Já na segunda semifinal, o confronto era entre Portuguesa e Ferroviária. No jogo de ida, com a Fonte Luminosa lotada, a Ferroviária empatou com a Lusa em 2 a 2. Já no jogo de volta, no Canindé, a Portuguesa venceu a Ferroviária por 2 a 0, acabando com o sonho do título paulista e encerrando a "Era de Ouro" da Ferroviária.   

Museu do Futebol 'guarda' as conquistas da Ferroviária (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Se o fato de disputar a Série A2 em 1997 parecia o fundo do poço para a Ferroviária, mal sabia a torcida que o pior ainda estaria por vir. Após uma péssima campanha na segunda divisão do estadual, onde terminou na última colocação de seu grupo, a Ferroviária acabou sendo rebaixada para a Série A3 - a terceira divisão do futebol paulista. Em 1998, na Série A3, após ter conquistado o 1º lugar de seu grupo, a Ferroviária não conseguiu o retorno para a segunda divisão, ficando em 3º lugar no quadrangular decisivo, vencido pelo Taubaté, que conquistou o acesso. Em 1999, a Ferroviária chega ao quadrangular final da Série A3 mais uma vez, novamente sem sucesso, ficando no 4º lugar do grupo, vencido pelo Oeste de Itápolis.  

O ano de 2007 pode ser considerado como um ano de sucesso para a Ferroviária. Na Série A3 do Campeonato Paulista, a Ferroviária, durante a primeira fase, fez a melhor campanha dentre as 20 equipes, classificando-se para o quadrangular final. Duelando contra Olímpia, Linense e XV de Piracicaba, a Ferrinha, ao contrário do ano anterior, não deixou escapar o acesso, retornando à Série A2 do Campeonato Paulista após 9 anos.  

Na Copa do Brasil de 2007, a Ferroviária duelou na primeira fase contra o Juventude (RS), equipe que, à época, disputava a Série A do Campeonato Brasileiro. Mesmo diante da defasagem financeira entre as duas equipes, em um jogo memorável, a Ferroviária venceu o Juventude por 3 a 1 dentro de Araraquara. No duelo de volta, em Caxias do Sul, o Juventude venceu por 2 a 0, eliminando a locomotiva pelo critério do gol marcado fora de casa.  

Já na Copa FPF de 2007, a Ferroviária novamente fez grande campanha e, por pouco, não conquistou o bicampeonato. Após eliminar o rival Botafogo de Ribeirão nas quartas de final, a equipe araraquarense foi eliminada na semifinal pelo Linense e ficou nestes anos disputando a série A2 e Copa Paulista.Em 2017 foi bicampeã da Copa Paulista e em 2016 e 2018,Bi Vice Campeã.  

No ano de 2015, o Campeonato Paulista da Série A2 novamente foi disputado sob o sistema de pontos corridos, com 20 equipes. Em um regulamento que premia a regularidade, a Ferroviária realizou uma campanha que beirou à perfeição.
Sob o comando do técnico Milton Mendes, o esquadrão grená terminou o campeonato na 1ª colocação, somando 44 pontos, com 14 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Foram 08 pontos de frente sobre o 2º colocado.   

Ferroviária campeã da Copa Paulista 2006. (Foto: Arquivo Pessoal)

O sucesso da locomotiva resgatou a paixão da torcida de Araraquara pelo time, tendo a Arena da Fonte recebido grandes públicos nos jogos contra o Novorizontino (16ª Rodada - 8.605 pagantes) e contra o Guarani (última rodada - 13.660 pagantes).  

O acesso ocorreu em 18/04/2015, em jogo válido pela 17ª Rodada, após uma vitória por 1 a 0 contra o Guaratinguetá, no estádio Dario Rodrigues Leite.  

O gol de pênalti marcado pelo atacante Tiago Adan colocou a Ferroviária na primeira divisão do futebol paulista após um jejum de 19 anos. No dia do acesso, uma grande festa tomou conta das ruas de Araraquara.  

De quebra, a melhor campanha rendeu à Ferroviária o tricampeonato da Série A2 do Campeonato Paulista (1955-1966-2015). 

A ideia da criação de uma empresa para a exploração das atividades de futebol da AFE nasceu no gabinete do Prefeito Municipal de Araraquara, Edinho Silva e foi pauta de várias reuniões entre o Sr. Prefeito e diversos simpatizantes e torcedores de futebol da Gloriosa AFE, que queriam ver o clube brilhar ainda mais. Em 11 de novembro de 2003 realizou-se a Assembléia Geral de Constituição que declarou formalmente constituída a Ferroviária Futebol S.A., elegendo o Conselho de Administração da Empresa, que a seguir elegeu a primeira diretoria, com mandato até Abril de 2004. O contrato foi registrado na Junta Comercial do Estado em 03/12/2003. 

Edinho Silva, patrono da Ferroviária SA. (Foto: Arquivo Pessoal)

O primeiro corpo administrativo da Ferroviária S.A. ficou assim definido: Valdir Massucato (Diretor Presidente), Waldemar Paschoalino Júnior (Diretor Vice-presidente), Bruno José Ópice de Mattos (Diretor Administrativo/Financeiro) e Osmar Alberto Volpe (Diretor de Futebol).  

No início da constituição da S.A., algumas parcerias foram fundamentais para o sucesso do clube-empresa. É importante destacar ações conjuntas entre S/A e empresas como Lupo, Unimed, Patrezão, Empresa Cruz, Usina Maringá, Uniara, Viação Paraty, entre outras que de forma direta ou indireta participaram do ressurgimento da querida Ferroviária de Araraquara.
Em 2009 inaugurou-se a moderna Arena do Estádio da Fonte Luminosa substituindo o antigo estádio que já era da Ferroviária e em 2006 fez um busto em vida para Olivério Bazani Filho, o maior jogador e ídolo do time.  

A Ferroviária tem maior rivalidade com os times de Ribeirão Preto, devido a pouca distância para Araraquara e, principalmente, pela tradição dos clubes envolvidos. São disputados os tradicionais clássicos Come-Ferro e Bota-Ferro.  

Hoje, a Ferroviária está na Série A1 do Campeonato Paulista, após campanha vitoriosa na Série A2 2015 pelo quarto ano consecutivo e esteve este ano em 2019 entre as 8 melhores do estado e disputará ainda em 2019 a série D e a Copa Paulista e é presidida por Carlos Alberto Salmazo e o diretor de futebol é o Roque Junior e disputa também as competições das categorias de base da Federação Paulista de Futebol no masculino e feminino e disputar o campeonato paulista e foi campeã da Taça Libertadores da América em 2015,da Copa do Brasil e do Brasileirão em 2014 e tetra campeã paulista.