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A emboscada voluntária que o Atlético-MG se enfiou

Entretanto, no final das contas, a culpa não é de Jorge Sampaoli, mas de quem atende seus pedidos como se fossem ordens de uma majestade

| ACidadeON/Araraquara

Thiago Neves atuando pelo Cruzeiro em clássico contra o Atlético-MG. (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C) 

A emboscada voluntária que o Atlético-MG se enfiou durante essa semana ao tentar contratar Thiago Neves, jogador que não só foi campeão pelo lado azul de Minas Gerais, mas que também zombou os atleticanos diversas vezes e se tornou símbolo do momento mais trágico da história do Cruzeiro, mas desistir de selar o acordo por pressão dos seus torcedores quando o fato se tornou público, revela outra faceta da crise estrutural do futebol brasileiro que a alta performance em campo e a chancela de um treinador estrangeiro são capazes de escamotear.  

Quando procurou Thiago Neves, a direção atleticana estava respondendo a uma demanda de Jorge Sampaoli, que pediu a contratação do meio-campista, depois de já ter feito o clubes gastar mais de 100 milhões de reais em reforços. Em agosto, antes das chegadas de Eduardo Sasha e Everson, o argentino ameaçou deixar o Galo se mais jogadores não fossem contratados, o que seria a condição para que se montasse um time competitivo capaz de brigar pelo título do Campeonato Brasileiro. A busca por Thiago Neves revela que a chantagem fez efeito.  

Coincidentemente, um dia depois de ter pedido para que o Atlético-MG encarecesse sua folha salarial para ter um jogador identificado (positivamente e negativamente) com seu maior rival, mais uma vez em tom de ameaça, o treinador argentino cogitou ir embora do clube, caso os dois meses de vencimentos dos jogadores, que estão atrasados, não fossem quitados. Fato que evidencia como o Atlético-MG não tem condições de fazer os aportes financeiro exigidos pelo treinador, mesmo que os faça. 

No Santos, a história se repetiu. No alvinegro praiano, as contratações de Sampaoli custaram ao clube 64 milhões de reais, incluindo gastos de 15 milhões com Aguilar, de 26 milhões com Cueva e de 5,5 milhões com Uribe. Os dois primeiros já deixaram o clube, enquanto o atacante colombiano foi até à CBF para conseguir sua recisão contratual, exigindo ainda uma indenização no valor de 15 milhões de euros. Em 2020, o Santos não tem conseguido arcar com os salários e os direitos de imagem dos seus jogadores, o que possibilitou a Eduardo Sasha conseguir liberação na justiça para sair de graça e acertar, justamente, com o Atlético-MG. 

Ninguém em sã consciência discute a capacidade de Jorge Sampaoli em fazer com que seus times joguem bem e sejam competitivos em alto nível, tornando seus jogadores melhores do que já são. Contudo, a trama aqui descrita fala sobre clubes desestruturados, desesperados por resultados em curtos prazos, que em busca de conquistas redentoras, entregam as chaves da instituição na mão de um "super-treinador" sem calcular qual será o preço final da gastança quando a festa acabar. Mesmo com títulos, esse caminho nunca contará a história de um projeto vencedor.  

Entretanto, no final das contas, a culpa não é de Jorge Sampaoli, mas de quem atende seus pedidos como se fossem ordens de uma majestade.

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