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A Ferroviária não precisa de um "sugar daddy"

No mínimo, Saul Klein deveria se afastar da gestão da Ferroviária e só voltar quando as investigações terminassem, com sua inocência sendo comprovada

| ACidadeON/Araraquara

Saul Klein é acusado de estupro e aliciamento por 14 mulheres. (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)
Ontem (22), a perplexidade tomou conta da cidade de Araraquara, quando descobrimos que Saul Klein, herdeiro das Casas Bahia e dono da Ferroviária, foi acusado de estupro e aliciamento por 14 mulheres (inclusive, menores de idade). O absurdo está no fato em si, mas também pelo poço sem fundo que a Locomotiva -- descarrilhada -- acabou se enfiando desde que a MS Sports comprou o clube.  

Sobre as acusações, a defesa de Saul Klein, conduzida pelo advogado André Boiani e Azevedo, argumenta que o acionista majoritário da Ferroviária, na realidade, é um "sugar daddy", termo criado para definir homens ricos e mais velhos que pagam mulheres jovens para que sejam dependentes financeiramente, estabelecendo uma relação de submissão em troca de relações afetivas e sexuais. Portanto, nem mesmo o advogado de Klein têm vergonha de contar ao mundo que seu cliente enxerga as mulheres como um pedaço de carne, um objeto de compra e venda, um mero instrumento para a satisfação dos seus prazeres.

Nesse sentido, com a própria perversidade sendo assumida, os relatos nauseantes que contam sobre as relações sexuais sem consentimento e em situações humilhantes se tornam mais do que verossímeis.

Em se tratando de uma acusação, evidentemente, precisamos esperar que a Justiça apure a denúncia e reestabeleça a verdade. Contudo, no nosso país que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2018, uma mulher foi estuprada a cada 11 minutos, eu nunca vi um homem branco e bilionário ser preso por violência sexual. A liberdade de André de Camargo Aranha e seu estupro sem intenção de estuprar, no caso Mari Ferrer, não nos deixa mentir.

Em relação à Ferroviária, o clube acaba ter uma mancha em sua imagem que em nada diz respeito à sua história. Nesse sentido, se torna uma contradição insuportável que um dos clubes mais importantes da história do futebol feminino tenha, como seu dono, um homem acusado de estupro e aliciamento de mulheres e que, além disso, se identifica orgulhoso como um "sugar daddy".

As Guerreiras Grenás não merecem passar por isso; o clube que foi campeão brasileiro com a primeira treinadora mulher na história do futebol feminino, não merece passar por isso; a Ferroviária que sempre se posicionou contra a cultura do estupro e se solidarizou com Mari Ferrer, não pode se submeter a isso.

Desse modo, o ideal seria que a MS Sports sumisse da cidade para nunca mais voltar. Mas, como isso não deve acontecer, no mínimo do mínimo do mínimo, Saul Klein deveria se afastar da gestão da Ferroviária e só voltar quando as investigações terminassem, e se sua inocência for comprovada. Porque, como ficou evidente durante essa temporada, a Locomotiva precisa de planejamento, de uma gestão financeira responsável e uma filosofia de trabalho definida em seu departamento de futebol, mas não de um menino mimado e machista.

A Ferroviária não precisa de um "sugar daddy".


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