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Empresas devem se adequar à nova lei de proteção de dados

Empresas que possuem banco de dados com registros pessoais de clientes ou de funcionários, por exemplo, precisam se adequar para evitar o vazamento de informação

| ACidadeON/Araraquara

Lei Geral de Proteção de Dados serve para dar mais segurança às empresas (Foto: Reprodução)
 
Quando deixamos alguns dos nossos dados pessoais em lojas ou empresas, você já se perguntou o que é feito com elas? Será que estão seguras e quais os riscos, por exemplo, dessa informação cair nas mãos de criminosos? Para tentar oferecer proteção ao cidadão, entrou em vigor no Brasil a Lei Geral de Proteção de Dados.

Na prática, empresas e órgãos públicos de todo o País terão que oferecer segurança digital necessária para o armazenamento dos dados dos clientes e, em alguns casos, até pedir autorização para acessá-los.

Como hoje a maioria das informações são cedidas de forma digital, empresas que possuem banco de dados com registros pessoais de clientes ou de funcionários, por exemplo, precisam se adequar aos dispositivos da nova lei para evitar vazamento de informação. De acordo com a advogada Alice Ferreira, especialista em direito digital, a nova lei significa um avanço.
 
"É uma evolução, porque antes estas informações era terra de ninguém, hoje com essa lei, as empresas precisam ter uma série de controle com estas informações", explica.

Segundo Alice, todas as empresas que de alguma forma coletam informações pessoais de cliente precisam buscar, rapidamente, a adequação da tecnologia do negócio às diretrizes da Leis de Proteção de Dados. Na prática, as empresas passam a ter mais responsabilidade sobre as informações coletadas.

Com a nova lei, o titular dos dados passa a ter direitos. O compartilhamento de dados pessoais, de forma intencional ou por meio de vazamentos, terá multas pesadas podendo chegar até 2% do faturamento ou até R$ 50 milhões.
 
"Se um laboratório, por exemplo, vazasse informações minhas, de uma doença, este laboratório não sofria punições nenhuma> Hoje com a lei de proteção de dados, a empresa é responsabilizada", explica. 


ATAQUE DE RÔBOS 
Fernando Belletti é estudante do curso de segurança da informação na Fatec de Araraquara e junto com o companheiro de sala, Junior Campos, criaram uma startup para assessorar empresas na adequação às novas obrigações legais.

Belletti explica que o maior risco está no vazamento da informação por ataques de robôs criados por hacker para roubar dados e praticar crimes digitais. Em um dos clientes da startup houve 75 mil tentativas de invasão para roubar informações só no mês passado. Tudo foi bloqueado pela tecnologia implantada.

"Além da gente adequar as empresas, também cuidamos da parte de segurança das empresas e vemos por exemplo, dados sendo usados para abrir empresas em nome de laranja, entre outros crimes", diz ele.

Escritórios contábeis e empresas da área da saúde são negócios com mais potencial de risco às penalidades de houver desrespeitos à Lei de Proteção de Dados.

"Entre a área que precisa ter maior cuidado é a área da saúde, que lida diretamente com dados sensíveis. Toda empresa que trabalha com dados precisa ter segurança", reforça.

A lei brasileira é abertamente inspirada na lei da União Europeia e começou a vigorar no último dia 18. No entanto, as punições em caso de desrespeito à lei não estão valendo ainda. As empresas têm até agosto de 2021 para se adequarem.