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Casos de violência contra a mulher chocam araraquarenses

Essa semana pelo menos três casos chamaram a atenção, em todos mulheres ficaram feridas ao serem agredidas por seus companheiros; veja onde procurar ajuda

| ACidadeON/Araraquara

Casos de violência chamam a atenção em Araraquara (Foto: ACIdadeON)
 
A série de televisão Bom dia, Verônica" choca muitas pessoas que assistem. Nela um marido usa de todas as formas de violência com a mulher. Ela tenta pedir ajuda, mas acaba sendo morta.  

O que choca na televisão acontece todos os dias na vida real. Essa semana, os casos de violência contra a mulher chamaram a atenção em Araraquara.  

No último dia 25 de outubro dois graves casos de violência contra a mulher foram registrados na cidade. Em uma situação, o marido esfaqueou a esposa após discussão. Ela ficou gravemente feriada e o homem foi preso em flagrante.  

Em outro caso, um rapaz espancou a mulher na frente da filha de 3 anos. Ele usou corda e também ameaçou a própria filha. Ela conseguiu fugir e pedir ajuda. O homem foi preso.  

E infelizmente, a violência não para por aí. Na última terça-feira (27), uma mulher foi arremessada por seu namorado em um ônibus em movimento, no bairro São José. Ela foi atingida pela roda traseira do ônibus, o que ocasionou ferimentos nas pernas, braços e cabeça, passou por cirurgia e está internada em estado grave na Santa Casa.   

LEIA MAIS: Mulher é arremessada em ônibus pelo namorado em Araraquara

Não importa a idade ou a classe social, a violência contra a mulher existe e dia-a-dia deixa sequelas na sociedade.  

MEDO DA DENÚNCIA
A advogada Carla Missurino atende inúmeros casos de violência e frisa que é muito difícil as mulheres denunciarem os relacionamentos abusivos, seja por medo.  

Relatos de chutes, socos, pontapés, graves ameaças de morte com sequência de ameaça de suicídio estão entre os mais ouvidos pela advogada no mês de outubro, que ainda nem acabou.  

"Devido ao isolamento social, muitas perderam o contato com familiares e amigos e ficam reféns de homens abusadores e violentos, pondo em risco a própria vida e a da família", diz ela.  

"O que mais assusta é cada dia ouço história de violência gravíssima, mas na consulta a própria vítima diz: não vou denunciar. Ouvi outros relatos que o marido tacou álcool no rosto da esposa e só não tacou fogo porque o filho de 12 anos entrou na frente. Tenho vítimas que estão fora das casas escondidas por medo da morte e agressão", lamenta.  

No Brasil, as ligações por violência doméstica para o 190 aumentaram 3,8% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2019 - de acordo com relatório divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

ACABAR COM O CICLO DA VIOLÊNCIA
Carla Missurino reforça que o ciclo da violência é clássico e o caráter do agressor não tende a mudar. Desta forma, mulheres que não denunciam estão correndo risco de vida minuto a minuto.  

"Saia, denuncie. Em muitos relatos a violência está perpetrada há anos em relacionamentos. Muitas tiveram bens e dinheiro confiscados pelo marido para impedir que saiam e tenham independência", conta.  

VIOLÊNCIA QUE PASSA DESPERCEBIDA
A psicóloga Naiara Mariotto diz que muitas vezes a violência passa "despercebida" pela própria vítima por longos períodos, já que o processo de manipulação do abusador faz com que ela acredite que está sendo amada e cuidada.  

"Quando a agressão não é física, fica muito mais complicado conseguir identificar que você está vivendo um relacionamento abusivo. O importante é observar se na maioria das vezes você está sendo controlado, manipulado e chantageado de forma sutil, com privações pequenas, seja pela roupa ou por simplesmente conversar com seus amigos", explica.  

Naiara explica ainda que as principais marcas que essas relações tóxicas podem causar é a desestabilização da saúde mental das mulheres, como o medo constante, a diminuição da autoconfiança, insegurança e depressão.  

"Ficam marcas muito profundas e isso exige um pouco de paciência da vítima, após o fim do relacionamento, para poder lidar com tudo isso. Ela precisa se reconstruir de novo para não ter perigo de levar isso para os outros relacionamentos e repetir todos os padrões que até então ela tinha no relacionamento antigo", diz.  

Ter diálogo e apoio dos amigos e parentes é fundamental nesse processo de entendimento, além de ajuda profissional de psicólogos.

S.O.S E REDES DE APOIO
Ao perceber indícios de violência, familiares, amigos e vizinhos(as) podem denunciar agressões contra a mulher no disk denúncia 180 ou pedir orientação por meio do plantão do Centro de Referência da Mulher de Araraquara (CRM).  

O CRM mantém o serviço de plantão diário 24 horas, através do telefone celular (16) 997620697.  

Delegacia de Defesa da Mulher funciona normalmente na pandemia, além de disponibilizar o Boletim de Ocorrência online (B.O.), em que as mulheres podem fazer a denúncia e até pedir medida protetiva contra o agressor.  

Há também redes de apoio às mulheres vítimas da violência, como o Coletivo Bennu e Promotoras Legais Populares (PLPs).

PROCURE AJUDA AQUI
Delegacia da Mulher

Alameda Rogério Pinto Ferraz 910, Jardim Primavera (16) 3336-4458

Disque- denúncia 180

Delegacia Eletrônica

www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home

Centro de Referência da Mulher

Av. Espanha, 532 - Centro (16) 997620697

Coletivo Bennu

Promotoras Legais Populares de Araraquara


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