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"Ele tirou minha vida, ela era a minha vida", diz avó de Hemilly, que foi morta pelo tio

A garota de 14 anos foi espancada pelo tio no último sábado (10) e acabou morrendo no hospital; família relata histórico de violência e medo

| ACidadeON/Araraquara

 
"Eu quero que esse monstro fique preso para sempre. Ele tirou a minha vida, minha neta era a minha vida", diz a dona de casa Cleusa de Jesus Oliveira, de 56 anos, avó de Hemilly Brenda Gonçalves de Oliveira, de 14 anos, que foi espancada até a morte pelo tio, no último sábado (10), em sua casa, no bairro Maria Luiza, em Araraquara.  

Cleusa tinha a guarda de Hemilly desde quando a menina nasceu. Segundo ela, o filho Washington Samuel Gonçalves de Oliveira, de 27 anos, tio da garota e acusado de ter cometido o crime, sempre foi uma pessoa violenta. "Ele bebe e fica fora de si. Já tinha me agredido e agrediu a esposa dele. Eu consegui colocar ele na cadeia duas vezes, mas ele fica dois meses e sai. Medida protetiva não adianta nada. Estamos em uma terra onde a Justiça é muito lenta", reclama.  

A avó conta que o acusado chegou na casa dela, no sábado a tarde, dizendo que a garota estava namorando com um moço mais velho, que era traficante. "Eu não sei se é verdade. Ele chegou dizendo isso. A Hemilly não tinha me contado nada e o tio tinha muito ciúmes dela, então não sei dizer o que é real", afirma.  

Depois disso, o homem começou a bater na menina. A avó tentou separar, mas não conseguiu, então ela gritou por socorro. O avô estava na garagem e quando entrou, a menina já estava desmaiada. Foi então, que a família socorreu Hemilly para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). "Eu vi que o estado dela era muito grave, mas nunca imaginei que essa tragédia fosse acontecer", diz o avô, Divino Donizete, de 56 anos, que é tratorista.  

Avó de Hemilly, dona Cleusa, lamenta a tragédia (Foto: Amanda Rocha)

Cleusa conta que a menina era muito carinhosa e que o relacionamento dentro de casa era bom. Já o filho sempre foi uma pessoa violenta. Eles moravam juntos, mas por causa deste comportamento, ela pediu para que ele se mudasse. O acusado estaria morando com a mulher, em uma casa próxima de onde ocorreu a tragédia.  

A menina foi criada pela avó. A mãe que tinha envolvimento com drogas e foi embora assim que a garota nasceu. O pai mora em Guariba e visitava a filha, mas não estava no dia do crime. "A Hemilly era minha vida", finaliza a avó.

Entenda

Hemilly morreu no começo da tarde de domingo (11), internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa de Araraquara. Ela tinha passado por uma cirurgia, mas não resistiu.  

No sábado (10), a garota foi espancada pelo tio. O motivo seria um namorado. A menina foi socorrida para a UPA Central pela família, que também acionou a polícia.  

Em buscas pelo bairro, os policiais conseguiram prender o acusado em flagrante. Ele estava escondido em uma mata. Na delegacia ele alegou que a menina caiu no chão e bateu a cabeça. O tio já foi preso por bater na esposa e na mãe. Ele está na cadeia pública de Santa Ernestina. 

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