Aguarde...

ACidadeON São Carlos

SÃO CARLOS
mín. 20ºC máx. 36ºC

Cotidiano

Alunos da USP querem bater próprio recorde na criação de veículos de alta eficiência energética

Segundo cálculos, modelo criado para 2013 poderia cruzar o Brasil com apenas R$ 5. Equipe com cerca de 40 estudantes de São Carlos trabalha em dois carros para 2018

| ACidadeON/São Carlos

Equipe com cerca de 40 estudantes de São Carlos trabalha em dois carros para 2018, um elétrico e um a combustão (Foto: Amanda Rocha/ ACidade ON)
 

Criada em 2006 com o objetivo de incentivar os alunos a colocar os conhecimentos teóricos em prática, a EESCuderia Mileage, formada por cerca de 40 estudantes da Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, é responsável por construir veículos de alta eficiência energética. Projetando ou aperfeiçoando um veículo por ano, a equipe de 2018 resolveu inovar e já está preparando dois carros para o que é a Copa do Mundo na modalidade: a Shell Eco-marathon Brasil.

A maratona consiste em uma competição de fomento à pesquisa energética que desafia estudantes a projetar e construir protótipos que sejam capazes de percorrer a maior distância com a menor quantidade de energia (combustível). Apesar de a disputa ser realizada apenas no final do ano, o trabalho da equipe para aperfeiçoar o veículo elétrico Venturo, que foi produzido em 2017, e dar andamento no projeto etanol, veículo a combustão que está sendo criado do zero, já começou.  

Com experiência na categoria, a equipe alcançou o recorde nacional em eficiência energética em 2013, com o veículo elétrico Faísca protótipo que, segundo cálculos, poderia cruzar o Brasil com apenas R$ 5. Segundo os integrantes da equipe atual, a conquista ainda não foi superada no Brasil. No entanto, se depender deles, o recorde será superado pelo Venturo. 

Para conseguir sucesso na missão, o grupo de estudantes foi dividido em dois, com aproximadamente 20 pessoas trabalhando em cada um dos projetos. Com alunos de diferentes cursos, a equipe acredita que um dos diferenciais do bom trabalho é a diversidade de pensamentos e ideias. "É muito importante essa variedade porque cada um contribui com um conhecimento específico, e a junção de todos os conhecimentos é o que torna possível a gente fazer o Venturo e o projeto etanol", explicou Luís Fernando Lima, de 20 anos, aluno do segundo ano de engenharia aeronáutica e coordenador de marketing da equipe.

Sem conseguir colocar o Venturo na pista de competição no ano passado, por falhas técnicas, os estudantes agora trabalham para melhorar o veículo e não ter surpresas na Shell Eco 2018. "Foi um momento de testar o que dava certo e o que dava errado. Nós tivemos um problema com o banco estrutural, ele era rígido, mas, enquanto a gente dirigia, ele flexionava bastante e torcia a estrutura. Então ficou decidido que a gente iria investir em um chassi e, consequentemente, mudar o desenho do esterço [conjunto de componentes e ligações que permitem o controle da trajetória de um veículo]. Tudo indica que ele será um veículo muito bom, porque ele é mais leve que o faísca e tem um controlador muito mais eficiente", disse Bruna Zambuzi, de 24 anos, arquiteta e urbanista recém-formada na USP, e responsável pelo marketing da Mileage.

Estudantes querem bater próprio recorde na criação de veículos de alta eficiência energética (Foto: Amanda Rocha/ ACidade ON)
Desafio extra

Buscando inovar em 2018, a equipe também está trabalhando em um carro movido a etanol. Os estudantes ainda não sabem se vão levar os dois veículos para a competição, mas essa é a intenção.

"O projeto etanol, nós estamos começando ele do zero. Estamos fazendo chassi, carenagem, esterço e, principalmente, precisamos estudar o motor, que será movido a etanol. Nosso maior desafio será fazer um motor com eficiência considerável para conseguir fazer bonito", afirmou Edmar Servante, de 22 anos, aluno do terceiro ano de engenharia mecânica e coordenador de projeto de direção e frenagem da equipe.

A Shell Eco-marathon Brasil 2018 será realizada de 8 a 11 de outubro no Centro de Convenções Riocentro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.