30 de maio de 2024
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Quem foi Carolina de Jesus? Escritora faria 110 anos

Carolina de Jesus foi reconhecida por escrever e contar sua história em “Quarto de despejo”

Carolina Maria de Jesus na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo. (Foto: CCSP)

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais. Se estivesse viva, completaria 110 anos nesta quarta-feira (14). A escritora é conhecida pelo seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma favelada” e deixou um legado importantíssimo de se reconhecer; confira.

Quem foi Carolina de Jesus?

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora, notória por sua obra “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”. Como o próprio subtítulo de seu livro antecipa, Carolina foi moradora de favela e trabalhava como catadora de papel. A vontade de ser escritora, no entanto, a movia em direção à escrita e ela passou a registrar seu cotidiano.

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Muito do que se pesquisa sobre a autora parte do conhecimento extraído dos textos publicados. Porém, é importante lembrar que a lógica editorial, empregada para selecionar quais recortes entrariam ou não para a publicação, interfere e deixa lacunas sobre sua vida. Não há, por exemplo, anotações publicadas do dia 14 de março, seu próprio aniversário.

Resgates históricos tentam contornar essa ausência e, a partir deles, a complexidade da figura de Carolina tornou-se evidente, uma mulher consciente do poder de representação da escrita, além de elegante, orgulhosa e politizada.

Além de seu título mais famoso, a autora lançou em vida os títulos “Casa de Alvenaria” (1961), “Pedaços de Fome” (1963) e “Provérbios” (1963). Há ainda o autobiográfico “Diário de Bitita”, publicado em 1986, após a morte da autora, em 1977, de complicações da asma.

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Importância histórica

Os debates acerca de vida e obra da autora ocorrem, mesmo após 110 anos de seu nascimento, por sua relevância no entendimento da desigualdade no Brasil. Carolina era consciente da existência de um separatismo entre brasileiros ricos, aqueles que viviam na “sala de estar”, as cidades, e os pobres, que estavam no “quarto de despejo”, a favela.

Testemunho ou literatura, seu texto consolida o papel não reconhecido da autora enquanto intérprete do Brasil. Seu reconhecimento só não é maior porque, como protestou a autora ao longo da vida, “É próprio dos ditadores não gostar da verdade e dos negros”.

Novas homenagens

O Instituto Moreira Salles lançou nesta quinta-feira uma página com material sobre a vida e obra de Carolina (Clique aqui para acessar). Está disponibilizado na íntegra um dos dois cadernos manuscritos do original “Um Brasil para os brasileiros” que, após ser editado e publicado na França, se tornaria o “Diário de Bitita”.

Há ainda cartas enviadas e recebidas pela escritora, fotografias e reportagens. Uma linha do tempo apresenta a trajetória de Carolina, começando pela sua ancestralidade, com o nascimento do avô da escritora, Benedicto José da Silva, em 1862, 26 anos antes da abolição da escravatura. É possível ver em vídeo a autora no sítio em Parelheiros, no extremo-sul da capital paulista, comprado com o dinheiro conseguido pelo trabalho como escritora.

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Segundo a filha da escritora, Vera Eunice, segue em negociação a criação de um memorial em homenagem a Carolina, em Sacramento (MG). Para Vera, o novo espaço poderá acolher melhor o acervo da escritora que está na cidade mineira. De acordo com ela, o local que abriga atualmente parte dos manuscritos de Carolina não tem condições adequadas para preservar o material e permitir o acesso ao público.

“A gente já está lutando faz muitos anos pra poder tirar a Carolina da prisão. Ela está na prisão, né? Eles falam que é um arquivo, mas está na prisão”, ironiza Vera sobre o prédio onde atualmente está o acervo, que é uma antiga cadeia.

O IMS (Instituto Moreira Salles) e o Museu Afro Brasil, na capital paulista, também guardam parte do material relativo a vida e obra da autora.

*Com informações de Agência Brasil

**Sob supervisão de Marcos Andrade

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Janaína Boaventura, com supervisão da redação
Estagiária no Tudo EP e no ACidade ON, é graduanda em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Adentrou no Grupo EP em 2024 e atua nos conteúdos digitais, enfaticamente com a parte textual.
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