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"Tem dias que não temos o que comer", diz Mariana, mãe de cinco

Calcula-se que 11,3 mil famílias de Araraquara vivem em situação de extrema pobreza; Edinho defende Bolsa Cidadã

| ACidadeON/Araraquara

Joice e Mariana são da mesma família e dependem da ajuda de programas sociais (Fotos: Amanda Rocha)
Mariana Novaes Navarro tem 25 anos e está desempregada. Ela e o marido têm cinco filhos, sendo que um deles nasce nos próximos meses. O marido sofreu um acidente e não consegue trabalhar. Ela, grávida, também está sem emprego. Por mês, eles ganham R$ 160 do Bolsa Família, programa do Governo Federal, mas a ajuda mesmo vem da sogra, que com a aposentadoria de um salário mínimo sustenta mais de 10 pessoas que moram em uma casa de três cômodos no bairro Jardim Das Hortênsias, Zona Leste de Araraquara.

Assim como eles, segundo o prefeito Edinho Silva (PT), calcula-se que outras 11,3 mil famílias, o equivalente a 45 mil araraquarenses, vivam em situação de extrema pobreza e possam ser incluídas em um Programa Municipal de Transferência de Renda e Incentivo à Inclusão Produtiva, chamado de Bolsa Cidadania. O projeto, que propõe o pagamento de um valor que pode chegar a R$ 663 ao mês para famílias mais vulneráveis, foi enviado para avaliação dos vereadores e ainda não tem data para ser votado.  

Porém, Edinho promete defender com todas as suas forças a ideia e, inclusive fez uma transmissão ao vivo no facebook sobre o assunto. "Estas 11 mil famílias estão no cadastro único e hoje só sobrevivem com a ajuda de programas sociais. São famílias extremamente vulneráveis que precisam de ajuda. Precisamos urgente de uma política social que enfrente o empobrecimento das pessoas", rebate Edinho no vídeo.  

A proposta é que tenha acesso ao valor máximo do Bolsa Cidadania, equivalente a R$ 663, famílias com renda per capita de até 15% do salário mínimo. Em Araraquara calcula-se que 4.612 mil famílias estejam nesta situação.  
 
 
"Temos mais de 2,3 mil crianças e adolescentes vivendo em situação de extrema pobreza no município e quem anda pelos bairros periféricos da cidade sabe do que eu estou falando. São adolescentes trabalhando para o tráfico, meninas na prostituição, tudo isso para conseguir levar dinheiro para dentro de casa. É uma política social para estas pessoas que estamos propondo", defende o prefeito.  

Segundo Edinho, o aumento da pobreza, causada principalmente pelo desemprego da população tem imposto para a Prefeitura um aumento do esforço financeiro no enfrentamento à exclusão social. "Já existe um significativo aumento das despesas com a alimentação das famílias vulneráveis. Estamos distribuindo mais cestas básicas, por exemplo, desde o segundo semestre do ano passado".  

Críticas
Alvo de muitas críticas, o vídeo que Edinho fez teve 2,9 mil visualizações e quase 90 comentários. Tamanha repercussão rendeu ainda um artigo feito pelo prefeito, defendendo a ideia.  

"A iniciativa do Bolsa Cidadania enviada para a Câmara Municipal, para apreciação dos vereadores e vereadoras, é uma reposta à grave situação social que estamos vivenciando. Infelizmente, por mais que seja doloroso constatar, tem uma parcela importante da população de Araraquara vivendo em extrema vulnerabilidade, não tendo o mínimo para o sustento familiar. São famílias literalmente passando fome. E fome é agressiva e humilhante. É algo que ninguém consegue esperar.", diz o artigo.  

Entenda
Com o Bolsa Cidadania, a Prefeitura de Araraquara pretende criar um programa com objetivos e metas. "Queremos principalmente, criar a chamada "porta de saída" para o desemprego com oferecimento de cursos de requalificação profissional. Além disso, o programa irá exigir a frequência escolar dos filhos dos beneficiados e obrigatoriedade na inserção dos mesmos nos programas municipais de fortalecimento dos vínculos familiares", explica Edinho.  

O Bolsa Família deve ser um cartão onde os beneficiários poderão gastar em supermercados da cidade. "Além de ajudar as famílias, o Bolsa Cidadania significará mais recursos circulando no comércio local, já que hoje, por conta dos processos licitatórios, as empresas fornecedoras de cestas básicas nem do município são", reforça.  

Os beneficiários serão escolhidos após uma avaliação feita por técnicos da rede de Assistência Social, como funcionários dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de cada região. Entre os critérios utilizados para o recebimento desta renda estão pessoas em situação de desemprego e a falta de qualificação profissional.   

Bolsa Cidadã propõe um salário para famílias de extrema pobreza (Fotos: Amanda Rocha)
Sonhos
Mariana Novaes Navarro, de 25 anos, pensa que um auxílio vindo do Governo vai ajudar sua família. "Dormimos em um quarto na casa da minha sogra. Todos dormindo em uma cama e tem dias que não temos o que comer. O dinheiro não dá", diz ela.  

Joice Aparecida Mendes, de 19 anos é estudante e mora na mesma casa que Mariana. Ela tem um filho de dois anos, que não tem vaga na creche. Ela também não tem trabalho. "Mais do que um dinheiro do Governo eu quero trabalhar, quero uma casa para morar com meu filho, quero poder comprar comida, hoje tudo é muito difícil", finaliza.   

Veja vídeo: 



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