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Veja como está o caso da morte do Cabo Matias um ano depois

Família e amigos lamentam a tragédia e relembram o quanto alegre era o policial Elias Matias Ribeiro; acusados estão presos

| ACidadeON/Araraquara

Cabo Elias Matias foi morto em 04 de junho de 2019 (Foto: Rede Social)
"Ele queria viver, ele só pensava em viver, viver e viver. Ele não perdia uma festa. Quando estava de folga, queria passear, ir para lanchonete, bar e viajar. Ele era divertido, brincalhão e não tinha quem não gostasse dele. E é assim que quero me lembrar dele", afirma Geraci Antônia Ribeiro, de 63 anos, irmã do policial militar, Cabo Elias Matias Ribeiro, morto a marretadas há um ano.  

Família e amigos lamentam a tragédia e relembram o quanto alegre era o policial
Com a foto do irmão sempre presente na bolsa e no balcão de sua loja, Geraci recorda que Matias tinhas planos planos de celebrar seu aniversário de 50, de reformar a casa após a aposentadoria e de curtir a vida. Mas os sonhos foram interrompidos bruscamente.  

Ela afirma ainda que a família aguarda por Justiça, mas acima de tudo, espera a Justiça de Deus. "Eu perguntei no Fórum sobre o caso e disseram que o caso seria resolvido neste ano, mas, devido ao coronavírus, está tudo parado. Entregamos na mão de Deus e estamos esperando a Justiça Divina. Nós não podemos fazer nada com nossas mãos, só Deus sabe como foi, o porquê de tudo. O rancor e raiva só impede as bênçãos do Senhor na nossa vida. Você deseja vingança, mas isso te faz mal. Elas erraram? Erraram, mas a gente erra também. Temos nosso jeito de errar e do mesmo jeito que Deus irá nos julgar, irá julgar quem cometeu o crime também".   

 

O DIA DO CRIME

Ainda era madrugada do dia 4 de junho de 2019 quando a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros de Araraquara foram acionados para a via de acesso à Rodovia Antônio Machado Santana (SP-255), na divisa entre Araraquara e Américo Brasiliense. 

No meio do canavial, um veículo em chamas chamava a atenção e por isso muitas ligações no 190. Ao chegar no local, os policiais depararam com um veículo conhecido e logo receberam a triste notícia, dentro do carro estava o corpo de um irmão de farda.  

Elias Matias Ribeiro, de 49 anos, era cabo da Polícia Militar e motorista do então comandante do13º batalhão de Araraquara, o Coronel Adalberto José Ferreira.  



MAIS QUE AMIGO, IRMÃO
Coronel Adalberto, hoje na reserva, lembra com carinho do amigo/irmão, tido por ele como alguém extrovertido e divertido. "Foi uma tristeza muito grande. Aquele ano, para o nosso batalhão, não foram três dias ou uma semana de luto, nós ficamos o ano inteiro de luto. Nos primeiros dias dei muitas entrevistas, pois além de ser um amigo, era um policial do batalhão ao qual eu comandava. Foi muito complicado para mim, eu tiver que conter a emoção e usar da razão", conta o coronel.  

Adalberto explica que conheceu Matias em 1995, em Matão. Trabalharam juntos por dois anos e meio e depois acabaram se separando. "Quando fui para São Carlos, como Major, reencontrei o Matias e ele perguntou se poderia trabalhar conosco no policiamento. Ele gostava de conhecer as coisas e conhecer as pessoas, mas eu estava prestes a ser promovido e logo mudaria para Ribeirão Preto. Quando retornei ao Batalhão de Araraquara, Matias voltou a pedir para trabalhar no policiamento. Mas ele nunca havia trabalhado no policiamento. Acabei trazendo ele para dirigir para mim e lhe dei duas missões: conduzir bem a equipe e trazer alegria para o quartel".  

"Mais um evento, Matias! Mais um evento, comando".
MAIS UM EVENTO
"Mais um evento, Matias! Mais um evento, comando".  
O velho jargão usado pelos irmãos de farda era usado no dia a dia. De acordo com o coronel, tudo começou com uma brincadeira. "Para compor nossa equipe, trouxe mais um policial, que trabalhou na Força Tática e Rádio Patrulhamento, o cabo Parisi. Quando íamos fazer algo, nós divulgávamos os eventos em vídeo e com o velho jargão. O cabo Parisi era fanático por novelas e quando tinha algum evento eu falava 'hoje tem mais um evento' e o Matias já ria, pois o Parisi ficava bravo - no bom sentido. Aos poucos outras pessoas foram falando o jargão sem saber que tudo começou com a gente tirando sarro da carranca do Parisi", conta o coronel Adalberto.      
 
O CRIME
Matias foi morto enquanto dormia na casa da namorada, Jaciane Maria, de 41 anos. Segundo a investigação, o autor das marretadas fatais seria Genivaldo Silva, mas o crime teria sido encomendado pela sua sobrinha Jaciane, que era namorada de Matias, e a filha mais velha dela, Larissa Marques, de 23. As duas teriam descoberto o envolvimento do cabo com outra filha de Jaciane, uma jovem de 21 anos.

Larissa e Jaciane são acusadas de terem matado o cabo Matias (Foto: Rede Social)
De acordo com o depoimento dos acusados, no dia do crime, o policial teria ido para casa de Jaciane, no bairro Victório De Santi, onde ele acabou dormindo. Neste momento, Larissa teria ido buscar Genivaldo para dar um susto em Matias.  

Genilvaldo chegou e deu cinco golpes de marreta na cabeça da vítima. Em seguida, o corpo de Matias foi enrolado em um colchão e colocado no banco traseiro do veículo do policial, uma Hundai Tucson. A namorada teria dirigido o veículo até o canavial e lá, com a ajuda da filha e do tio, atearam fogo. 

Os três fugiram em uma Eco Sport que pertencia à Larissa e foram as marcas de pneu deste veículo que levaram a polícia até os acusados. 

A delegacia de Investigações Gerais de Araraquara (DIG) prende mãe e filha no mesmo dia do crime, já o tio foi encontrado no dia seguinte.   

 

ATUALIZANDO
O crime ainda não tem previsão de julgamento, devido ao pedido de recurso feito pelo advogado de defesa, Ariovaldo Moreira, e a própria pandemia da covid-19. Os três acusados seguem presos elas na Penitenciária de Guariba e o tio na no Anexo de Detenção Provisória (ADP) da penitenciária de Araraquara.  

Advogado Ariovaldo Moreira entrou com recurso no TJ (Viviane Abreu/EPTV Brasília)
"Eles foram pronunciados por homicídio triplamente qualificado motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Chegamos a fazer um pedido de habeas corpus, para que respondessem em liberdade, mas não foi aceito. Agora entramos com recurso para afastar algumas qualificadoras e estamos aguardamos a decisão do juiz", explica Moreira.  

QUEM FOI MATIAS
Cabo Matias era nascido em Araraquara, mas fez carreira fora. Tinha voltado para ser motorista do tenente-coronel Adalberto José Ferreira. 

Antes disso, o cabo tinha se dedicado ao Corpo de Bombeiros em São Carlos, onde chegou a ser escolhido bombeiro do ano. 

Matias era filho de Francisco Ribeiro e Abigail de Oliveira Ribeiro. Era divorciado e pai de cinco filhos.

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