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Política

Bianco propõe mandato focado em emprego, educação e juventude

Eleito com 1.065 votos, vereador do PC do B é o décimo primeiro entrevistado pelo ACidade ON

| ACidadeON/Araraquara

Guilherme Bianco (PC do B) foi eleito com 1.065 votos para seu primeiro mandato como vereador (Foto: Divulgação/Câmara)
 

Um mandato preocupado em reconectar as pessoas com a política e levantar as bandeiras da geração de emprego, defesa das empresas e dos trabalhadores de Araraquara.  

Esses são os princípios que devem guiar o vereador Guilherme Bianco (PC do B), que também promete transformar seu mandato em "uma trincheira de resistência antibolsonarista e antifacista".  

Eleito com 1.065 votos, o cientista social, de 25 anos, cumpre seu primeiro mandato na Câmara de Araraquara. Oriundo do movimento estudantil, Bianco foi diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE).  

Na Câmara, apesar de ter sido eleito pela base de partidos que apoia Edinho Silva, o parlamentar afirma que seu mandato está pautado em um plano apresentado aos eleitores durante as eleições.  

Bianco é o décimo primeiro entrevistado, de 18 vereadores que responderão aos mesmos questionamentos. As entrevistas serão publicadas de segunda a sexta-feira.  

A ordem das publicações segue a votação recebida por cada um dos parlamentares nas urnas.   

Guilherme Bianco (PCdoB), 25 anos, é cientista social e cumpre primeiro mandato (Foto: Divulgação/Câmara)

Confira a entrevista completa com Guilherme Bianco:

ACidade ON: Na sua avaliação, qual deve ser o papel do Legislativo?

Guilherme Bianco: Na minha avaliação o papel do Legislativo além de fiscalizar as ações da Prefeitura e formular leis, é sobretudo um papel político muito importante. Então, estão condensadas na Câmara de Vereadores de Araraquara as diversas opiniões políticas, opiniões de entendimento de mundo e a forma que devem se organizar as coisas que existem na nossa cidade, que por muitas vezes são divergentes e que devem conviver democraticamente, de forma tranquila, que dentro do debate político a gente deve fazer avançar um projeto de Araraquara, não para agora, mas para os próximos anos. Conseguir debater os problemas estruturais que existem na nossa cidade e também na nossa sociedade. Então, eu acho que o papel do Legislativo para o próximo período, dever ser primeiro, compreender o recado que as urnas nos deram em 2020, essa necessidade de renovar a prática política, de fazer os grandes debates, de entender o que acontece na sociedade e retornar o protagonismo político. Fazer um amplo processo de formulação de políticas públicas para combater as desigualdades e garantir os direitos do povo. Acho que isso é bem importante e a Câmara de Vereadores vai ter que se debruçar em cima desses problemas para conseguir construir um projeto de Araraquara mais amplo, menos desigual e com mais oportunidades.  

ACidade ON: No que se identifica e porque está em seu partido?  

Guilherme Bianco: Antes de estar como vereador eu sou militante do Partido Comunista do Brasil. O PC do B vai completar 100 anos agora em 2022 e apresenta um Programa Nacional de Desenvolvimento muito claro, que é de um Brasil absolutamente brasileiro, que consiga ser socialmente justo, economicamente desenvolvido, com desenvolvimento livre e independente, que tem sua soberania nacional muito clara, que consiga ser ambientalmente sustentável e radicalmente democrático. Então, nesse momento que o Brasil passa, de tantas dificuldades o PC do B aponta como direção a constituição e a construção de uma frente ampla democrática, para derrota do fascismo no Brasil, para garantia das liberdades democráticas, as liberdades individuais, liberdades políticas, defesa da ciência, defesa do SUS, da Universidade, escola pública e defesa dos direitos sociais. O Partido Comunista do Brasil tem uma ligação muito forte com os trabalhadores, os oprimidos e com aqueles mais precisam. Então, eu me identifico muito com programa do PC do B e sou muito orgulhoso de fazer parte desse partido centenário, que é o partido mais antigo em atividade no Brasil.  

ACidade ON: Quais serão suas bandeiras neste mandato?

Guilherme Bianco: A gente tem trabalhado para reconectar as demandas das pessoas à Câmara de vereadores. Eu compreendo que as bandeiras que devo puxar no próximo período primeiro é conseguir gerar emprego e renda, defender as empresas e os trabalhadores de Araraquara, além de conseguir combater a miséria e a pobreza na nossa cidade. Além disso, nosso mandato tem muita ligação com a educação e com a juventude, pelo meu histórico, pelo meu trabalho, mas muito também pela necessidade que existe da gente ter um cuidado especial com a educação com a juventude no próximo período, seja pelo período pandêmico e pelas questões que a juventude tem passado agora durante a pandemia da covid-19, mas pelas necessidades históricas que a juventude e a educação têm, da conseguir debater o passe livre, a educação integral para todos, debater um plano de carreira melhor para os professores, reinventar a escola, acho que tudo isso faz vai fazer parte do nosso mandato. Então, geração de emprego e renda, recuperação econômica, juventude e educação são as nossas prioridades nesses próximos anos.  

Além disso, a gente tem buscado construir uma ampla frente de combate ao fascismo e defesa da democracia. A gente compreende nesse momento de ataques tão violentos à democracia e as liberdades que são protagonizadas pelo presidente Jair Bolsonaro é importante que o nosso mandato se configure como uma trincheira de resistência dentro da Câmara de Vereadores. Que consiga combater violência, a anticiência, o fascismo e esse ódio que tem ganhado tanto terreno na política do Brasil e também aqui em Araraquara. Então fazer um mandato que seja antibolsonarista, antifacista, aberto ao diálogo, que consiga construir e costurar essa frente ampla e democrática em Araraquara é uma das nossas tarefas 

ACidade ON: O ano de 2021 ainda deve sofrer os impactos da pandemia, com filas na saúde e crescimento do desemprego e empobrecimento da população. Na sua avaliação, como a Câmara pode contribuir para amenizar estes impactos?

Guilherme Bianco: A primeira questão que a gente deve colocar para conversar sobre esse assunto, é justamente compreender que essa crise do desemprego, do empobrecimento, os problemas da saúde não estão só na nossa cidade. Não é só de Araraquara, mas um contexto pandêmico nacional e um contexto, inclusive, internacional. Compreendo que a Câmara pode contribuir muito. Primeiro construindo junto com o setor produtivo, os trabalhadores e empresários, junto com a Universidade e com Executivo uma agenda de desenvolvimento regional para gerar emprego e renda aqui para nossa região e também para Araraquara. Existem experiências no Brasil e no mundo de desenvolvimento regional que conseguem gerar emprego, renda e conseguem garantir com que as empresas se mantenham e não fechem o que é importante. Além disso, conseguir olhar para o pequeno empreendedor, o pequeno empresário que fica nos bairros, e são os que mais têm sofrido durante a pandemia, são grandes responsáveis por movimentar a economia e geram quase 80% dos postos de trabalho na cidade. A Câmara, além disso, pode constituir um amplo debate acerca da saúde pública, ver as maneiras de combater a pandemia, o plano de vacinação e como conseguir distribuir a vacina para população o mais rápido possível, conseguir debater muito a questão da Estratégia da Saúde da Família para haver um processo de redução de filas na saúde. Além disso, os vereadores têm o expediente de trazer as emendas parlamentares dos deputados federais e estaduais para cidade, ajudando numa estruturação seja na própria infraestrutura da cidade, mas também em outras áreas, políticas públicas e programas sociais que a Prefeitura e os vereadores julgam como importantes. Então eu compreendo que a Câmara pode sim ser um fator de transformação no combate ao desemprego, do empobrecimento, de debate da saúde e do SUS nesse próximo período.  

ACidade ON: Na última legislatura 82% das leis de autoria dos vereadores foram para dar nome próprios públicos e promover inclusões no calendário de eventos do município. Qual sua opinião sobre isso e acredita ser possível mudar essa realidade? Se sim, como?

Guilherme Bianco: Faz parte da função do Legislativo dar nome aos bens públicos e também promover inclusão no calendário. Mas acho que esse dado onde 82% das proposituras vão neste sentido é o resultado da crise que o legislativo de Araraquara passava. Então veja, quando o Legislativo passa pelo que a Câmara de Vereadores de Araraquara passou, que é um desligamento quase que total do movimento social, se distanciando das pessoas, dos bairros, não ter política, uma agenda propositiva, isso acaba acontecendo. Porque aí você pega o vereador e faz com que a função dele seja quase que exclusivamente zeladoria, nomear bem público e calendário. Compreendo que a mudança que as urnas pediram em 2020 na Câmara de Araraquara, foi justamente um pedido da sociedade para que a maneira de fazer política e que a pauta política mudasse. Então acho que é possível sim mudar essa realidade, acho que essa mudança vai se dar na capacidade dos vereadores de compreensão da crise que o Brasil vive, crise econômica, sanitária e política que a gente vive e conseguir construir uma agenda política que pensa Araraquara não para agora, mas um projeto de Araraquara, qual a cidade que a gente quer para os próximos dez e vinte anos, conseguir pautar os grandes temas, debater os problemas estruturais da nossa sociedade e da nossa cidade. Acho que isso consegue desvendar esse mistério de como fazer com que os vereadores não se reduzam, não reduzam seu papel a zeladoria, a questão de inclusão no calendário e a nomeação de bens públicos e ruas. Mesmo que isso seja parte da ação do Legislativo ele não pode só fazer isso, deve debater grandes temas, política pública, deve chamar a sociedade civil, a academia para debater, deve ser um propositor da transformação social e fundamentalmente um grande agente político. Então a gente tem 18 mandados esses mandatos junto com a instituição junto com a Instituição Câmara de Vereadores pode sim e deve sim retomar o protagonismo político da cidade. Então eu acho que isso é bem importante para o próximo período, justamente para transformar essa realidade e transformar o jeito que as pessoas olham para o Legislativo.  

ACidade ON: Como deve se posicionar na Casa de Leis? Será base governista, oposição ou terá uma postura independente e por quê?

Guilherme Bianco: O mandato vai ser norteado e baseado no programa de campanha que foi apresentado, junto com o programa do PC do B. É óbvio que a gente interpreta que o Edinho tem feito um bom governo e o resultado das urnas nos demonstra isso. Então vamos buscar trabalhar muito com o Governo, mas não significa um apoio Incondicional. Tenho me colocado ao debate e também me apresentado como um interlocutor da sociedade junto ao Governo para debater os temas, debater as questões e temos procurado construir junto com o Governo as proposituras políticas e as saídas para a crise. Mas isso não significa que eu sou um apoio incondicional, nem que vou votar no que não concordo. Vou fazer um mandato independente e democrático.

CURIOSIDADES SOBRE O VEREADOR:  

Ídolo: Nelson Mandela. Acho que o Mandela consegue sintetizar a figura que a gente deve se basear nesse período tão obscuro que o mundo passa, de ataques as instituições, de ódio e violência. O Mandela ficou preso por 27 anos pelo regime terrorista do apartheid e saiu da cadeia sem ódio, movido por muito amor. Unificou a África do Sul, derrotou aquele regime terrorista que vigorava, e conduziu seu país em um processo de Desenvolvimento Social e econômico muito importante. O Mandela é um ídolo, consegue sintetizar a questão do homem público que se move por amor as coisas, pelo bom e pelo justo.  

Inspiração política: Tenho como inspiração política o presidente João Goulart. O Jango nos mostrou como deve ser um governante, um político que tem amor ao povo, aos trabalhadores, que prezava pelo diálogo com o movimento social, que entendia o momento político que o Brasil vivia e fez os sacrifícios que deveriam ser feitos em prol da coletividade. O Jango é uma inspiração política para todos aqueles que sonham com Brasil livre e soberano.  

Time do coração: Sou afeano e Palmeirense. Sou acima de tudo um apaixonado por futebol, acho que é um patrimônio da humanidade, nunca será só um esporte e como diz o nosso hino da Ferrinha: "o povo está feliz tem futebol".

Livro de cabeceira: Meu livro de cabeceira com certeza é "Minha Razão de Viver: Memórias de um Repórter", de Samuel Wainer.  

Estilo musical: Gosto de brasilidades, sou um apaixonado pelo samba, pelo forró e pela MPB. Sou um apaixonado pela Cultura Popular Brasileira.  

O que não pode faltar no mandato, em uma palavra? Coragem.


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