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Dia da Visibilidade Trans é um convite ao debate que pode salvar vidas

Dossiê revela que 2020 teve o maior número de assassinatos de travestis e mulheres trans negras desde o início desse tipo de levantamento de dados no país

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Hoje, 29 de janeiro, é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. | Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
A personagem Ivana, que se torna o homem trans Ivan na reprise da novela "A Força do Querer", da Rede Globo, traz novamente a possibilidade de a gente discutir a visibilidade, a identidade e o combate à transfobia. Fico imaginando como é ter esse sentimento de não pertencimento; esse sofrimento associado à não adequação ao sexo do nascimento. Por que não conseguimos respeitar o outro e aceitá-lo? E pior: por que temos de promover um genocídio de pessoas trans no País? Hoje, 29 de janeiro, é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Te convido a falar sobre o assunto.

A expectativa média de vida de um trans é de 35 anos, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Ontem, 28 de janeiro, a Antra fez a entrega simbólica do dossiê dos assassinatos e da violência contra travestis, mulheres e homens trans, pessoas transmasculinas e demais pessoas trans brasileiras em 2020 ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e à Embaixada da Noruega no Brasil. O resultado: "a necro-Trans-política seguiu em pleno funcionamento, se consolidando como o ano com mais assassinatos de travestis e mulheres trans negras desde o início desse tipo de levantamento de dados no país." Esse trecho é da matéria da UNFPA. Confira a entrega do dossiê no vídeo abaixo.  Clique aqui para ler o dossiê.

 Respeito é tudo 

O respeito à identidade trans e o enfrentamento à transfobia é, no mínimo, uma questão de educação e civilidade. A negação da identidade a essas pessoas é o mesmo que apagar a existência delas, de rotulá-las e torná-las invisíveis. Enfim, na minha avaliação uma atitude discriminatória e preconceituosa. É como se o "eu da sociedade" tivesse razões absolutas, mesmo que embasadas em teses, especialmente, as religiosas distorcidas, já que nunca vi qualquer religião ensinar a odiar, a rejeitar e a matar o seu próximo.  


Precisamos caminhar na direção de relacionamentos baseados no respeito, na ética e na cidadania, sem disfarces e subterfúgios para validar atos preconceituosos e até criminosos. O problema é que a sociedade contemporânea continua a oferecer tensões e mortes "na tentativa de expurgar", como disse no vídeo acima Bruna Benevides, secretária de Articulação Política da ANTRA e autora do Dossiê dos Assassinatos e da Violência contra Pessoas Trans Brasileiras em 2020.   

Precisamos caminhar na direção de relacionamentos baseados no respeito, na ética e na cidadania, sem disfarces e subterfúgios para validar atos preconceituosos e até criminosos. | Imagem de Kat Love por Pixabay

Por isso, a data é de extrema importância, na minha avaliação. Temos avanços, como a vitória de pelo menos 27 pessoas trans nas urnas, eleitas para as câmaras municipais nas eleições de 2020. Clique aqui para ler matéria da Agência Senado. Só que aí vem a parte triste. Algumas dessas pessoas eleitas passaram a receber ameaças de morte. Leia aqui. Admiro muito quem enfrenta a tudo isso e ainda busca ajudar.

É o caso de Suzy Cristel, idealizadora da Casa sem Preconceitos, que fica em Campinas. O projeto traz "a oportunidade para pessoas trans e travestis deixarem de ter as ruas como lar e vivenciarem a experiência de construir uma casa coletiva, que é o primeiro passo para reconstruírem seus sonhos e planos de vidas". Essa é a descrição da entidade em sua página no Facebook. Assista à entrevista aqui dada por Susy à União Nacional LGBT Campinas (UNA LGBT Campinas), divulgado no Instagram da entidade.  Ela também enviou um depoimento ao Alma Inclusiva. Assista abaixo. 


Trans têm 4 vezes mais sintomas depressivos

A população trans no mundo é estimada entre 0,1 % e 2,7 %, chegando a 1,3% a 2,7% para a faixa etária escolar, segundo a Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão (CDEI) da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). De acordo com informações do Sbem: "Pessoas trans têm quatro vezes mais sintomas depressivos, e maiores taxas de tentativa de suicídio comparadas com a população geral. Esses sintomas têm relação direta com a discriminação e violência sofridas durante a vida. Há relatos de que 35% das crianças e adolescentes trans sofrem violência física, e 12% sofrem violência sexual. (...) Nos últimos 10 anos, foram relatados cerca de 100 a 180 assassinatos de pessoas trans por ano no Brasil". 

Montagem com arte e informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem)
Atividades que ajudam a refletir

- A própria Sbem está com uma campanha pelo Facebook. Clique aqui para acompanhar.  

- O Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz realiza nesta sexta (29), a partir das 10h, um encontro virtual em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans. O evento reforça a necessidade de respeito ao movimento trans e a importância de se promover a cidadania entre mulheres e homens travestis e transexuais. A transmissão será feita pelo canal da VideoSaúde Distribuidora no YouTube. Mais informações: bit.ly/3iQZB0N.  

- O Ministério Público do Trabalho (MPT) realiza nesta sexta (29), das 14h às 18h, o evento online "Diálogos Institucionais: Desafios da população LGBTI+ no mercado de trabalho". Será promovido em parceria com a Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/SP. A série de debates contará com a participação de procuradoras do MPT e de representantes de diversas entidades e organizações ligadas ao mundo jurídico, trabalhista e da diversidade. O evento será transmitido no canal do Youtube TVMPT e no canal do Facebook @diversidadeoabsp, com tradução em Libras.

- O Centro de Referência e Promoção da Cidadania LGBTQI+ da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realiza nesta sexta (29), a partir das 16h, três rodas de conversa sobre as identidades e existências de pessoas trans [que não se identificam parcial ou integralmente com o gênero designado ao nascimento]. As atividades são gratuitas, abertas ao público em geral e on-line, com transmissão pelo canal do Centro de Referência LGBTQI+ da UFJF no YouTube.  

- Prefeitura de São Paulo - Lançamento do Calendário Trans 2021 às 15h desta sexta (29). A organização é do Centro de Cidadania LGBTI Claudia Wonder. Terá a participação do artista e jornalista Jogê Pinheiro. Transmissão pelo Instagram: @casarao_brasil.  

- Sesc São Paulo A série Ideias #EmCasaComSesc fecha a semana, no dia 30/01 (sábado), com o tema "Visibilidade Trans: Cidadania, Saúde, Sexualidade e Inserção Social". A live será transmitida às 16h no canal youtube.com/sescsp.   

Arte de divulgação do Sesc São Paulo

Vidas Trans Importam!  

Fiquei feliz porque a minha terra natal, Corumbá (MS), teve uma programação especial para este dia, com a participação da rádio que mais gosto, a Fronteira FM 106,9. Que esse assunto seja incluído, principalmente nas políticas públicas. Para terminar, posto aqui a apresentação de Helena Vieira, escritora e ativista transfeminista, no TEDxUFRJ. Ela nos apresenta uma visão sobre o protagonismo e ativismo.  






Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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