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O autoabraço é o reconhecimento de si mesmo e demonstração de amor em tempos de pandemia

Dia 22 maio é o Dia do Abraço. Adapte o seu gesto com um autoabraço, um abraço virtual ou abraçando uma causa ou uma entidade

| ACidade ON - Circuito das Águas -


Abrace a si mesmo. Uma das formas de se comemorar o Dia do Abraço, em 22 de maio. Foto: Wayhomestudio/Freepik com efeito do site funny.pho.to
Meus braços entrelaçando o meu corpo e o apertando. Acolhimento de autocuidado, de amor a mim mesma e de autoconhecimento. Feito ora embalado por música ora pelo silêncio exterior até que eu consiga silenciar meus pensamentos. Mais do que um gesto físico, o autoabraço é um reconhecimento de quem eu sou e uma reativação da memória dos abraços de minha mãe, de meu pai e de meu irmão Rei, já falecidos. Quanto a parentes e amigos vivos, aguardo a liberação das recomendações sanitárias da pandemia de Covid-19 para fazer isso pessoalmente.

Amanhã, dia 22 de maio, é o Dia do Abraço. Vale tudo para mostrar o nosso amor fraternal, desde o abraço virtual até abraçar uma causa ou uma instituição social. Mas, antes de tudo, é preciso também abraçar a si mesmo. Amar-se! Reconhecer-nos e nos aceitar, seja pelos quilinhos a mais que ganhamos na pandemia ou pela explosão diante de uma pergunta simples; afinal, não somos perfeitos, precisamos admitir que necessitamos de ajuda algumas vezes e não ter vergonha disso.

Mas, por que precisamos tanto do abraço? A psiquiatra Carmen Sylvia Ribeiro, com especialização em neurociência e membro do Departamento Científico de Psiquiatria e do Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), explicou que "estudos demonstram que um abraço que dura em torno de 30 segundos traz um profundo benefício terapêutico sobre o corpo e a mente". Eu a convidei a escrever sobre a importância do abraço e do autoabraço e, para a minha felicidade, ela "abraçou" o pedido. 

Psiquiatra Carmen Sylvia Ribeiro, com especialização em neurociência e membro do Departamento Científico de Psiquiatria e do Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC). Foto: Divulgação
"A partir do vigésimo segundo, acontecem diversas reações neurofisiológicas no cérebro. A mais importante delas é a liberação de um hormônio chamado ocitocina, conhecido também como hormônio do Amor, produzido pelo hipotálamo", disse Carmen, referindo-se ao abraço. "É como se abraços representassem sucessivas vitórias contra o estresse, promovendo a boa saúde, uma vez que ocitocinas e endorfinas atuam beneficamente sobre os sistemas cardiovasculares, imunológicos e emocionais."

E quanto ao autoabraço? "Usufrua da maravilhosa sensação de ser acolhido por si mesmo, de cuidar de si amorosamente, lembrando-se de manter este abraço por 20 segundos. Aproveite para fazer afirmações positivas a seu respeito. O seu cérebro entenderá o recado e irá agir a seu favor, liberando os tão desejados hormônios do bem-estar", explicou Carmen. "Vale autoabraçar em qualquer lugar, mas para sua autopercepção ser mais ampla, aproveite os momentos do banho e antes de se deitar para dormir. Seu corpo todo agradecerá por isto!", recomendou.

Autoabraços compartilhados durante live

Segundo a psiquiatra Carmen, neste Dia do Abraço, nada impede de se combinar abraços com as pessoas vivendo no mesmo ambiente e com os cuidados que o momento exige, com autoabraços, que também podem ser "compartilhados à distância nas lives com familiares e amigos". Ficou curioso e quer ler na íntegra o depoimento da psiquiatra Carmen? Clique aqui

Apesar de nada substituir o abraço em outra pessoa, como me confidenciou a advogada Clara Toledo Corrêa, que atua na área de propriedade intelectual, o autoabraço nos proporciona o reconhecimento de nossos valores e da pessoa que somos. "Ele traz o autoconhecimento", afirmou. Por isso, para ela, o autobraço deve ser feito, mas sem se esquecer da importância do abraço. "Neste momento, faz-se necessário o distanciamento social, para no futuro podermos abraçar quem amamos." 

A advogada Clara Toledo Corrêa, que atua na área de propriedade intelectual e estuda temas ligados à emoção. Foto: Dibulgação
"Ao nos entregarmos ao outro, temos a sensação olfativa, a mais antiga entre os cinco sentidos e que é processada diretamente ao nosso sistema límbico (parte do cérebro onde se concentram as memórias e surgem nossas emoções). Por isso, essa memória é mais intensa do que as produzidas pelos outros sentidos", explicou Clara, que adora estudar sobre temas ligados às emoções. "Quando abraçamos, nos mergulhamos na outra pessoa."

"Em época de pandemia, o autoabraço é o reconhecimento do milagre que cada um é", disse Clara. Segundo ela, existem outras formas também de se buscar a mesma sensação do abraço, como a balasana, a postura da criança, muito comum nas aulas de yoga. "Colocar música na casa e sair dançando também nos dá leveza", sugeriu. "Mas, realmente, nada como um abraço, especialmente nesse momento em que a depressão está aumentando." Por isso, caso não possa abraçar, pratique o autoabraço.

Em minhas pesquisas, descobri que a Natura fez o "Guia do autoabraço: como reinventar demonstrações de carinho". Reproduzo aqui um trecho do texto do blog da empresa: "Ressignificar a maneira como interagimos é uma forma de cuidado, conosco e com o próximo. Porque o distanciamento social não vai nos fazer abrir mão do afeto. Por isso, nós, aqui da Natura, convidamos você a experimentar o autoabraço, um gesto acolhedor, de afeto e amor, e que nos mostra um novo jeito de estarmos perto, mesmo longe." No blog, a Natura elenca três formas de autoabraço. Quer conhecer essas formas? Clique aqui para conhecê-las. 

Abraço virou selo de ONG

O abraço é tão poderoso que, este ano, o Grupo Primavera resolveu colocá-lo em seu selo de 40 anos. Como está na descrição de seu Facebook, são "quatro décadas de trabalho dedicado e amoroso com crianças e jovens representadas por um coração ternamente abraçado." Fundada por três voluntárias em 1981, a ONG desenvolve programas de educação complementar para meninas de 8 a 18 anos, atuando em Campinas, no Jardim São Marcos, bairro marcado pela violência.  

Menino veste camiseta com o selo de 40 anos do Grupo Primavera: um coração sendo abraçado. Foto: Divulgação

Esse símbolo do coração sendo abraçado foi escolhido quando a direção do Grupo Primavera olhou para seus funcionários e voluntários, "que abraçam a causa e dedicam-se a uma rotina incessante de amar e fazer o máximo pelo próximo". E também ao constatar que seus parceiros empresas e doadores "são fundamentais para essa caminhada plena de gratidão!"

E, principalmente, segundo a entidade, esse abraço surge também quando vislumbra as crianças e os adolescentes atendidos, "bem como suas famílias que enfrentam desafios diários e sabem que estamos aqui, sempre prontos a acolhê-las e ajudá-las". Para falar sobre o abraço e o autoabraço, convidei Ruth Maria de Oliveira, gestora executiva do Grupo Primavera, que me enviou o vídeo abaixo. 


Live sobre a importância do abraço  

"A importância do abraço, do contato e da busca pela felicidade" é tema de live a ser realizada pelo Grupo SOnHe - Sasse Oncologia e Hematologia às 18h desta sexta (21). Ela será feita em comemoração ao Dia do Abraço, celebrado amanhã, 22 de maio. Os convidados da live serão o médico Jamiro da Silva Wanderley, professor de Clínica Médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e a bióloga e contadora de histórias Suely Marques Lopes.

Os moderadores são os oncologistas Grupo do SOnHe, André Deeke Sasse, CEO do Grupo, e Vivian Antunes de Vasconcelos. "Hoje, o simples ato de abraçar está proibido, mas o amor e o carinho podem ser expressos sempre em qualquer lugar, mesmo que cada um esteja em sua casa. O abraço pode ser virtual. O importante é a demonstração do afeto", afirmou Sasse, por meio de assessoria de imprensa. A live será realizada na página do Facebook do Grupo SOnHe: https://www.facebook.com/gruposonhe/. Participe! 

Card de divulgação da live "A importância do abraço, do contato e da busca pela felicidade"







 


Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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