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Prefeitura de SP procura macaco hidráulico para içar ponte que cedeu na marginal

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo pretende construir dez estacas de ferro na base de sustentação do viaduto que cedeu na marginal Pinheiros na última quinta-feira (15). A medida é necessária para criar um pilar de sustentação secundário na estrutura para que possa ser içada com a ajuda de macacos hidráulicos. O método é chamado de macaqueamento. De acordo com o secretário municipal de Obras, Vitor Aly, a obra será feita a partir de um contrato emergencial ainda a ser negociado e sem valores definidos. "Precisamos ainda buscar no mercado o macaco hidráulico necessário para a obra."O viaduto que cedeu passa sobre os trilhos da linha 9-esmeralda da CPTM. O local é rota de acesso à rodovia Castello Branco e próximo ao shopping e ao parque Villa Lobos, a 500 m da ponte do Jaguaré.As causas da ruptura, que criou um "degrau" de cerca de dois metros na pista, seguem desconhecidas e, como há risco de colapso da estrutura, a prefeitura tem pressa para içá-la. Por causa da queda do viaduto, a prefeitura decidiu interditar 20 km da pista expressa da marginal Pinheiros, no sentido Castello Branco, entre as pontes Transamérica e do Jaguaré, sob argumento de que a interdição de um trecho curto provocaria afunilamento.O secretário de Transportes, João Octaviano, prevê ao menos dez intervenções na marginal Pinheiros nos próximos 20 dias para liberar acessos à via expressa. A primeira obra está sendo feita na altura do presídio de Pinheiros. A ideia, segundo o secretário, é abrir canteiros e novas faixas para facilitar o escoamento do trânsito. O rodízio de veículos também foi suspenso por tempo indeterminado no trecho da marginal Pinheiros, sentido Castello Branco, entre a av. dos Bandeirantes e a ponte dos Remédios.A marginal Pinheiros é a segunda via mais movimentada de São Paulo, atrás apenas da Tietê, e liga a cidade a diferentes rodovias e avenidas. Em apenas uma hora, no pico de tráfego, 13 mil veículos passam pelas oito faixas da marginal, incluindo a pista local. Cinco dessas faixas estão agora interditadas. Em um dia comum, trafegam 450 mil veículos nos dois sentidos da marginal Pinheiros.As áreas mais atingidas dentro dos bairros são as vias da zona oeste, entre a marginal Pinheiros e o centro. Um esquema especial orienta o trânsito nos eixos das avenidas Faria Lima, Pedroso de Morais, Professor Fonseca Rodrigues e a Doutor Gastão Vidigal. Essas avenidas servem de alternativas à interdição da pista expressa na marginal -na Pinheiros, somente a via local segue liberada para veículos.A prefeitura também orienta que os motoristas vindos das rodovias Anchieta, Imigrantes e Régis Bittencourt peguem o Rodoanel e a rodovia Castello Branco até alcançar a marginal Tietê. Outras opções para quem sai do litoral são as avenidas do Estado e Salim Farah Maluf.A expectativa é de altos índices de congestionamento nas vias próximas ao viaduto a partir desta quarta-feira (21), quando os paulistanos voltam ao trabalho e às aulas após um período de seis dias de feriado prolongado. Nesta segunda-feira, pela manhã, o trânsito fluiu normalmente na via local da marginal Pinheiros. Era possível atingir a velocidade máxima permitida de 50 km/h em boa parte da marginal no sentido Castello Branco. Um ponto de parada ficou restrito a cerca de 1 km do local do acidente, onde os motoristas curiosos reduzem a velocidade para ver o viaduto interditado. A prefeitura instalou tapumes na grade que protege os baixos do viaduto para evitar justamente esse tipo de comportamento.AUTORIZAÇÃONesta segunda-feira, o prefeito Bruno Covas (PSDB) informou que irá pedir autorização ao TCM (Tribunal de Contas do Município) para abrir um contrato emergencial para a realização de laudos de engenharia para fazer a manutenção de 185 pontes em viadutos da cidade. "O monitoramento [dessas estruturas] é incompleto", disse o prefeito. Essa avaliação das pontes e viadutos tem sido feita de forma visual pelos funcionários da secretaria de Obras, de acordo com o prefeito.Covas afirmou ainda que a gestão tucana havia encomendado estudos de monitoramento em 33 pontes e viadutos que apresentavam problemas visíveis. Com o incidente na marginal, a medida será estendida a todas as estruturas viárias da capital. Os anúncios foram feitos na manhã desta segunda-feira (19) após reunião do comitê de emergência formado por secretários municipais, realizada logo cedo na sede da prefeitura. A reunião começou por volta das 7h e durou mais de duas horas. Foi a primeira reunião presencial do comitê que vinha conversando por conferências.Neste ano, a gestão Bruno Covas (PSDB) gastou apenas 5,3% do valor previsto para recuperação e reforço de pontes e viadutos em São Paulo. A administração municipal reservou R$ 44,7 milhões para recuperação e reforço de viadutos e pontes no Orçamento deste ano. No entanto, a menos de um mês e meio do final do ano, gastou até agora apenas R$ 2,4 milhões.A Prefeitura de São Paulo é alvo de cobranças há mais de uma década para reformar pontes e viadutos que requerem manutenção preventiva e reparos. A situação se arrasta por pelo menos quatro prefeitos -Gilberto Kassab (PSD), de 2006 a 2012, Fernando Haddad (PT), de 2013 a 2016, João Doria (PSDB), de 2017 a abril de 2018, e Bruno Covas (PSDB)- sem que uma ampla ação efetiva tenha sido realizada.Segundo o Ministério Público, a maioria das pontes e viadutos da cidade foram erguidos entre as décadas de 1960 e 1970 e, desde lá, não passaram por manutenção adequada nem receberam atenção de prevenção a contento. A falta de atenção rotineira às instalações também acabou por inflar os valores das obras.Neste fim de semana, as ações se concentraram em erguer as hastes de metal para escorar a estrutura afetada. Foram instaladas 120 metros de estacas para segurar os 200 metros das pistas que cederam. O processo foi finalizado na madrugada deste domingo (18).Com isso, neste domingo, a circulação de trens na linha 9-esmeralda da CPTM, que passa sob o viaduto que cedeu, foi retomada com velocidade reduzida, após a prefeitura avaliar que a estrutura ficou estabilizada.Os trens passam a 20 km/h -a velocidade média é de 60 km/h- entre as estações Jaguaré e Cidade Universitária por tempo indeterminado, para evitar que as vibrações movimentem o viaduto. A linha 9-esmeralda é a segunda mais movimentada da CPTM, com cerca de 600 mil passageiros em dia útil, e se conecta a duas linhas de metrô e outra da própria CPTM.

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