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Curadoria Hilst
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    Muito Além do Espetáculo

    "O homem só joga (brinca) quando está no sentido pleno da palavra humano, e é apenas completamente humano quando joga (brinca)." In A Educação Estética do Homem, de Frederico Schiller (c.1795)

    | ACidade ON

    Cultura está na brincadeira da criança (e do adulto), na criação da indústria, no diálogo entre as nações. Uma sociedade saudável protege, produz e usufrui da Arte. A Arte que definirá uma sociedade, um lugar ou uma época, aquela da qual se ouvirá falar ainda daqui a 100 anos, só acontece onde há muita arte sendo criada pela maior quantidade possível de pessoas e sendo usufruída também por uma parcela grande da população.

    Mas o investimento privado em Cultura e Arte no Brasil está altamente concentrado na busca de retorno rápido na ativação de marca e ações de alta visibilidade: grandes espetáculos, exposições blockbuster, grandes shows de música, festas e eventos, filmes de longa-metragem. Por investimento privado, refiro-me inclusive àqueles realizados sob efeito de incentivos fiscais (Lei Rouanet, Lei do Audiovisual, PROAC, etc.).

    Não desmereço essas atividades, nem do ponto de vista artístico ou de qualidade, e muito menos do ponto de vista da multiplicação econômica. Podem ser projetos de altíssima qualidade e atividades intensivas em pessoas, que empregam e geram renda para muita gente. E retorno rápido é bem-vindo, claro.

    Mas investir em Cultura não é só investir na expressão cultural. Não é só Arte. Cultura envolve uma série de valores, manifestações e realizações que dizem respeito à identidade humana. É, como a ciência e a religião, algo que nos diferencia dos animais. E, mais que isso, é algo que nos identifica como grupo. Seja esse grupo um time, organização, comunidade, nação ou toda a humanidade.

    Há Cultura para ser estudada, descoberta, preservada, cultivada, guardada, pois nos diz quem fomos e de onde viemos; há Cultura para se viver, debater, realizar, expressar o que estamos vivendo; e há Cultura para inovar, desejar, sonhar nosso futuro.

    Faz-se necessário, portanto, que o investimento privado brasileiro abra os olhos para o investimento em cultura do ponto de vista da sua "RESPONSABILIDADE CULTURAL", fomentando a expansão do fazer artístico, qualificando e instrumentalizando as instituições de guarda e pesquisa artística, promovendo desenvolvimento humano por onde passa ou onde se estabelece.

    E, por que não, com um olhar de negócios para esse investimento, tornando-o autossustentável, buscando oportunidades e formatos que possam impactar positivamente o negócio da empresa que está investindo, aproveitando para realizar seu marketing relacional e ativação de sua marca junto aos clientes, parceiros e colaboradores.

    O que sua empresa está fazendo pela Cultura dos lugares em que está inserida?