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CIÊNCIA

Eles estão aqui desde os primeiros dinossauros!

Tartaruga, cagado ou Jabuti? Quando se trata de dividir o planeta com os humanos, todos se tornam "ninjas"

| ACidade ON



 O jabuti, o cágado e a tartaruga são animais incluídos na ordem Chelonea, e por isso são chamados de quelônios. 

Pertencentes à classe dos répteis (assim como os jacarés e as cobras), esses três animais são frequentemente confundidos em função da grande semelhança que guardam entre si. No entanto, também existem diferenças entre eles.  

Todos os quelônios botam ovos (por isso são chamados de ovíparos) em buracos que cavam nas margens dos rios, lagoas ou nas praias. Possuem o corpo coberto por uma carapaça (também chamada de casco), e a pele das patas e a cabeça recoberta por escamas.  

Os quelônios surgiram no período Triássico, cerca de 230 milhões de anos atrás, e já existiam quando os primeiros dinossauros ganharam vida. Desde então, não sofreram grandes mudanças e continuam tendo como principal característica a presença do casco. Eles podem ser diferenciados pelo seu habitat (o meio em que vivem), pelas características das suas patas e pela forma do casco e do pescoço.  

Atualmente, existem cerca de 300 espécies de quelônios no planeta, mas boa parte delas se encontra seriamente ameaçada. Segundo Dr. Steve Mockford, pesquisador da Universidade Acadia, no Canadá, que estuda a genética de tartarugas de água doce, aproximadamente a metade de todas as espécies existentes se encontra em risco de extinção, o que equivale a 150 espécies de quelônios que podem desaparecer do planeta em decorrência da intervenção do homem.
"As ameaças às tartarugas geralmente estão relacionadas ao desenvolvimento humano. Isso inclui perda e modificação do seu habitat conforme os homens modificam os ambientes divididos com a vida selvagem", explica o cientista.  

Um bom exemplo dessa ameaça é a construção de estradas. Quando as vias atravessam os habitats ou as rotas relacionados ao ciclo de vida das tartarugas, é bastante comum que elas acabem atropeladas. "E se a tartaruga é uma fêmea que está viajando para o local de fazer seu ninho, acontece ainda a perda dos seus ovos", comenta Mockford. Uma ameaça secundária causada pela construção de estradas é que isso facilita o desenvolvimento humano e, por consequência, traz mais ameaças às tartarugas, como a movimentação de novos predadores.  

As mudanças climáticas também podem ter um impacto desastroso sobre os quelônios, maior até do que sobre outros animais, em função da estrutura das suas populações. "Na maioria das espécies de tartarugas, o sexo dos filhotes não é determinado geneticamente, como acontece nos mamíferos. Em muitas espécies, o que determina se serão machos ou fêmeas é a temperatura em que os ovos são incubados. Isso significa que, conforme as temperaturas médias aumentam (pelas mudanças climáticas, por exemplo), a proporção entre os sexos de uma espécie pode ser desviada" alerta Mockford. Isso implica que, no futuro, possam surgir populações formadas apenas por indivíduos do mesmo sexo, que serão incapazes de se reproduzir.  


A interferência humana ainda afeta os quelônios de outras formas, como por meio de sua captura para o comércio de animais e do seu uso como fonte de alimento. Na Ásia, na América do Sul e em regiões da América do Norte, alimentar-se de quelônios é prática tradicional, que acaba ameaçando significativamente a preservação de diversas espécies.  

Apesar do cenário crítico, ainda existe esperança para as tartarugas, graças ao trabalho e ao engajamento de pesquisadores como Dr. Mockford. "Eu e meus alunos examinamos geneticamente populações que estão em maior risco de extinção. Nosso objetivo é entender as ameaças a essas espécies e usar esses dados para fornecer informações para sua recuperação", esclarece. Na opinião do cientista, porém, a verdadeira responsabilidade é das pessoas comuns, que detêm o poder de transformar a realidade. "Acredito que, enquanto a ciência é uma grande fonte de informação para garantir os esforços de recuperação, é o público que vai realmente conservar a vida selvagem."  


Casco de um, focinho do outro  

 


Jabuti
Os jabutis são exclusivamente terrestres e, dentre os quelônios, são os únicos que não vivem na água. O casco é bem alto e suas patas são cilíndricas como a de um elefante, além de apresentarem unhas. Seu pescoço é retraído verticalmente. Os jabutis machos possuem o plastrão (sua "barriga") curvado, de forma que ele consegue se encaixar direitinho sobre a fêmea na hora da cópula. São animais muito lentos, podendo demorar cerca de 5 horas para percorrer 1 km. Podem comer de tudo (são onívoros), mas preferem vegetais.  

 


Cágado
São animais de água doce, mas que também podem viver no ambiente terrestre. São muito parecidos com as tartarugas. Suas patas possuem membranas interdigitais, ou seja, uma "película" entre os dedos que os ajuda a nadar. Também apresentam unhas, o que facilita a locomoção em terra. O casco dos cágados é mais achatado e hidrodinâmico se comparado ao dos jabutis, o que facilita o nado. Ao contrário deles, os cágados possuem longos pescoços que podem ser inclinados lateralmente como uma dobradiça. São muito ágeis dentro d'água, e podem deslizar rapidamente ao menor sinal de perigo. Eles gostam de tomar sol fora da água, na margem dos rios, e seu alimento preferido são os peixes.  

Tartaruga
No geral, se não é cágado nem jabuti, podemos falar que é tartaruga. As tartarugas geralmente são marinhas, mas existem espécies de água doce também. Suas patas têm o formato de remo, o que ajuda muito na natação, já que são animais aquáticos e que só vão para a terra para botar ovos. Diferente dos cágados, as tartarugas não conseguem esconder seu pescoço lateralmente, que é bem mais curto. Gostam de comer moluscos, algas, crustáceos e peixes.  

Texto: Sarah Teodoro - Doutora em Zoologia pela UNESP 

Ilustração: Mayara Laurindo


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